Blog

Vício em pornografia: como parar?

Vício em pornografia

A pornografia

Pornografia consiste em qualquer conteúdo que possui cenas ou imagens consideradas obscenas ou de apelo sexual. O consumo exagerado desse tipo de conteúdo é chamado de vício em pornografia.

O número de homens e mulheres que podem dizer que nunca viram qualquer tipo de pornografia é bastante baixo. Se é que ele existe, conforme Simon Lajeunesse aponta no vídeo a seguir:

Porque, com a internet, a pornografia, é de fácil acesso. Disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana, gratuita e privada.  Uma quantidade e variedade quase infinita de possibilidades de acesso.

E isso acontece principalmente porque ela tem se tornado banal e uma ação que já não traz mais vergonha como antes. Por isso, ela já é vista como um entretenimento comum.

No passado, diante da pornografia apresentada em revistas impressas, costume de assistir pornografia não era necessariamente prejudicial à saúde.

O vício em pornografia

O problema maior está no momento em que a pornografia torna-se um vício.

No campo teórico, há discussões sobre o problema se tratar de um vício ou uma compulsão. Para quem procura ajuda, diante das técnicas de intervenção disponíveis, não há diferença  significativa.

A partir do fácil acesso, propiciado pela internet, muitos constroem uma relação pouco saudável com a pornografia.

Enquanto alguns pesquisadores sugerem que os vídeos de sexo explícito podem viciar, como uma droga. Outros apontam que a dependência ainda não foi analisada suficientemente por profissionais da área, para ser considerado um transtorno.

Embora o fato de que vício em pornografia não é aceito como transtorno com unanimidade por estudiosos, para quem estuda o tema, essa problemática merece atenção.

Em entrevista para o Correio Braziliense, o psicólogo e terapeuta comportamental Fábio Caló, nosso especialista em terapia sexual, defendeu que “A  trajetória nesses casos se assemelha à de pessoas que se tornam dependentes de substâncias químicas. Uma atividade inicialmente prazerosa passa a ser buscada cada vez mais, até um ponto em que prejudica as atividades diárias e os relacionamentos pessoais”.

O vício em pornografia pode vir acompanhado de dependência física e fortes sintomas de abstinência. E por isso, as síndromes de abstinência podem ser comparadas àquelas sentidas por usuários de álcool e drogas.

Alguns dos sintomas relatados por pessoas viciadas em pornografia são: perda de interesse pelo parceiro (a), compulsão sexual, disfunção erétil, ansiedade social, ejaculação retardada, ejaculação precoce, entre outros. Além de consequências na vida sexual.

Não só existem prejuízos psicológicos, como também, pode vir a existir prejuízos físicos, como dor, desconforto ou até infecções e lesões causadas pelo excesso de masturbação.   

A pornografia e o cérebro 

Pesquisas apontam que a pornografia atua diretamente no sistema de recompensas do cérebro.

Dessa forma, o circuito de recompensas do cérebro é responsável pela experimentação do prazer. Porém, pode ser o desenvolvedor de vícios.

A dopamina, conhecida como substância do prazer, regula o circuito de recompensa. Que te ordena a fazer tudo que garanta sobrevivência.

Embora a dopamina seja conhecida como substância do prazer, ela está mais relacionada com a busca do prazer ou a medida do seu potencial de prazer. Pode ser entendida como o “querer”.

A pornografia inunda o cérebro com dopamina. A partir disso, graças à disponibilidade ilimitada de pornografia na internet, assim que o nível de dopamina começa a cair, o indivíduo buscará mais. Mantendo os níveis elevados durante horas.

Essa inundação de dopamina acontece em função de um mecanismo programado biologicamente. Tal mecanismo envolve a elevação dos níveis de dopamina após a apresentação de novo(a) parceiro(a) sexual. E é evidenciado em pesquisas científicas que tratam sobre o efeito coolidge.

Vários estudos internacionais têm relatado as consequências graves do vício em pornografia. Conforme esses estudos, uma das consequências mais comuns é a disfunção erétil.

Outros problemas têm sido relacionados ao vício em pornografia: o voyerismo, a falta de energia, vontade, coragem ou iniciativa para cortejar uma parceira sexual no mundo real.

Ainda, é comum a falta de desejo sexual pela parceira com quem se mantém relacionamento afetivo ou com quem se está casado.

Existem alguns diagnósticos que parecem estar relacionados ao vício em pornografia: problemas de concentração, diminuição da memória, TDAH – Transtorno do Déficit de Atenção, depressão, fobia social, ansiedade ou temor do desempenho e TOC – Transtorno Obsessivo Compulsivo.

Há evidências de que os sintomas dos transtornos psicológicos acima poderiam ser diminuídos ou suprimidos, caso o vício na pornografia fosse abandonado. Leia mais em: http://yourbrainonporn.com.

Como tratar o vício em pornografia

Homens e mulheres que tenham desenvolvido vício em pornografia na Internet ou pais que verifiquem que os filhos estão acessando pornografia com frequência podem procurar ajuda profissional por meio da Terapia Comportamental.

Nesse contexto, essa modalidade terapêutica constrói, com o cliente, formas eficientes de abandonar o vício a partir do desenvolvimento/treino de habilidades sociais, aprendizagem ou reaprendizagem de novas fontes de prazer na vida, estabelecimento de metas e de técnicas de autocontrole.

A melhor forma de tratar é buscando ajuda.  Por isso, psicólogos, sexólogos, grupos de apoio podem ajudar aqueles quem é acometido por essa condição.

Bem como, na própria internet existem serviços que podem auxiliar. E o tratamento terapêutico pode ser potencializado com a participação em grupos de apoio e fóruns na internet, em que pessoas com o mesmo problema trocam experiências.

O Instituto Delete, por exemplo, realiza uma espécie de detox digital. O objetivo do instituto é ajudar a combater a compulsão por vídeos de teor sexual e por outras formas de uso nocivo da tecnologia. Essa iniciativa partiu da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

O Reboot cerebral

O termo Reboot (reiniciar), no contexto de vício em pornografia, refere-se ao experimento de um período de abstinência de pornografia e toda estimulação artificial. Dessa forma, esse tratamento pretende proporcionar ao cérebro, momentos de descanso.

Portanto, o reboot visa descondicionar o cérebro da pornografia e da estimulação virtual.

Para que, após isso, possa ocorrer associação apenas a situações reais.
O Reboot é possível devido à flexibilidade e capacidade adaptativa do cérebro.

O Inpa, por meio do psicólogo e terapeuta comportamental Fábio Caló, especialista na área, adota um tratamento de reeducação comportamental. O inicio do tratamento é a abstinência. Em seguida, aplica-se a técnica reboot cerebral, que ajuda o paciente a restaurar a sensibilidade natural.

A melhor forma de alcançar esse objetivo é dar ao cérebro um descanso de estímulo sexual intenso. O que inclui, além dos vídeos de sexo, a masturbação, os orgasmos e até as fantasias sexuais.

Inpa – Instituto de Psicologia Aplicada, Asa Sul, Brasília – DF, Brasil.

You must be logged in to post a comment.

×