Blog

Ludoterapia: 3 modelos principais

ludoterapia

A ludoterapia ou terapia lúdica é método utilizado com o foco em crianças. Afinal, a maioria das crianças não conseguem processar suas próprias emoções e explicarem alguns problemas para os pais ou adultos.

A prática é uma tipo de abordagem terapêutica utilizada, normalmente, com crianças entre os 3 a 12 anos. 

Tudo é planejado para se tornar um ambiente em que a criança se sinta segura. Em razão disso, o jogos ficam em um sala segura e confortável, onde há poucos limites e regras impostos aos pequenos.

Dessa forma, é incentivada a liberdade de expressão e o terapeuta consegue observar os comportamentos do paciente. 

O principal objetivo dessa abordagem é tornar a experiência de expressar os sentimentos, positivos e negativos, de uma maneira mais saudável e sem causar mais traumas nas crianças.

Por fim, outro objetivo é fazer com que a criança aprenda a lidar com situações negativas.

Nesse post será abordado temas como:

  • O que é a ludoterapia?
  • Quais os benefícios?
  • Como funciona?
  • Para quem é indicado?
  • Quais as técnicas?
  • entre outros.

O que é?

A ludoterapia é uma técnica utilizada que pode parecer uma brincadeira comum, mas ajuda a observar os problemas de uma pessoa, em especial os de uma criança. 

Em geral, o terapeuta utiliza da ludoterapia como uma forma de observar os problemas que uma criança está passando e não consegue expressar em palavras.

Assim sendo, por meio da brincadeira, a criança aprende maneiras de lidar com suas dificuldades e redirecionar comportamentos inadequados.

Vale salientar que terapia lúdica, em geral, é uma técnica utilizada por profissionais da saúde mental, como psicólogos e psiquiatras. No entanto, pode ser praticada por:

A abordagem terapêutica foi criada na virada do século XX e, atualmente, a terapia lúdica engloba uma série de métodos de tratamento. 

Diferente da brincadeira regular, a terapia lúdica se baseia na maneira natural de como as crianças aprendem sobre si mesmas e sobre o mundo ao seu redor e, desse modo, solucionam seus problemas.

De forma simplificada, o brincar oferece um conforto psicológico ao tratar dos problemas e permite a expressão.

Ainda, a ludoterapia é mais indicada para crianças. Entretanto, há casos específicos de jovens e adultos que podem se beneficiar desse tipo de abordagem terapêutica. 

A ludoterapia começa com um encaminhamento de algum profissional da saúde, seja da saúde mental ou da saúde física. Normalmente, as crianças têm comportamentos ruins, como um forma de solucionar os seus problemas.

Como funciona?

A partir da brincadeira, o profissional consegue observar e compreender os sinais. É utilizada, também, para ajudar a criança a entender e explicar emoções difíceis e problemas, tais como:

  • separação dos pais;
  • perda de um ente querido;
  • problemas escolares;
  • problemas familiares;
  • abusos físicos e emocionais.

A ludoterapia tem como primazia a redução de danos ou traumas nas crianças, conduzindo a sessão de uma forma mais saudável.

Afinal, é visto que há uma lacuna comunicacional muito grande entre crianças e adultos. Por exemplo, a depender da idade, a criança não tem os mesmos recursos linguísticos de uma pessoa mais velha. Todavia, por outro lado, os adultos podem ter dificuldade de entender ou interpretar mal os sinais verbais e não verbais dos pequenos.

A ludoterapia, em geral, começa com o terapueta o bservando a criança brincando. Em seguida, pode ser pedido a realização de entrevistas separadas com a criança, com os pais ou com os professores. Assim sendo, após uma avaliação completa, é estabelecido um plano terapêutico e objetivos.

É observado todos os elementos, desde como a criança reage à separação dos pais, como eles brincam sozinhos e até como reagem quando os pais retornam. Os brinquedos são uma forma reveladora de entender como a criança interage com eles e como o seu comportamento oscila em cada sessão.

Vale ressaltar que cada criança é única. Desse modo, a terapia é adaptada às necessidade de cada um dos pacientes. 

O terapeuta pode, também, pedir para os pais, irmãos ou outros membros da família entrarem nas sessões. Isso é denominado como terapia filial e pode ajudar a resolver conflitos da família, promover soluções e melhorar a comunicação familiar.

Por fim, a medida que a terapia progride,  o plano e os objetivos podem ser mudados ou finalizados.

Quais os benefícios da ludoterapia?

A terapia lúdico pode trazer mudanças positivas. Segundo a organização profissional Play Therapy International, até 71% das crianças encaminhadas para a ludoterapia têm melhoras positivas.

Vale informar que algumas crianças podem ser mais hesitantes e timidez, até a confiança com o terapeuta crescer. No entanto, à medida que é feito a criação do vínculo, a criança se torna mais verbal, expressiva e criativa nas brincadeiras.

Os principais benefícios da terapia lúdica são:

  • resolução de problemas e superação de medos;
  • desenvolvimento de responsabilidades;
  • desenvolvimento de estratégias para enfrentar problemas;
  • respeito com os outros e com si próprio;
  • redução dos sintomas de depressão e ansiedade;
  • aprendizagem na expressão de sentimentos;
  • aumento das habilidades sociais;
  • relações familiares mais fortes;
  • incentivo ao uso da linguagem;
  • melhoramento das habilidades motoras finas e grosseiras.

Lembre-se! Em casos de patologias mentais ou físicas diagnosticada, a ludoterapia não substitui medicamentos ou outros tratamentos necessários. A ludoterapia pode ser tanto usada sozinha ou como uma terapia complementar à outras.

Modelos da ludoterapia

A ludoterapia é dividida em dois tipos básicos, que são:

  • não-diretiva;
  • diretiva. 

A não-diretiva é considerada um método não-intrusivo, que as crianças são trabalham para construir suas próprias soluções para seus problemas. A terapia lúdica não-diretiva é conhecida também como terapia psicodinâmica.

Enquanto isso, a terapia diretiva é um método em que o terapeuta dá mais orientação e auxílio. Desse modo, à medida que a criança passa por dificuldades, o terapeuta está lá como um forma de auxílio.

1- Terapia lúdica não-diretiva

A ludoterapia não-diretiva é guiada pelo ideal de dar a chance da criança brincar livremente e sob condições terapêuticas, os pequenos podem resolver seus problemas e trabalhar em suas próprias soluções. 

A terapia não-diretiva é considerada não-intrusiva, porque tem poucas condições de contorno. Ainda, ela é a mais utilizada em outras idades, além da fase infantil.

De acordo com estudos, essa terapia tem origem da psicoterapia não-diretiva de Carl Rogers. Em seguida, as teorias de Carl R. foram adaptadas para a terapia infantil por Virginia Axline.

Após esse acontecimento, foram criadas diferentes técnicas para esse tipo, como? a terapia com areia e a terapia familiar. 

2- Terapia lúdica diretiva

A diretiva, diferente da não-diretiva, utiliza diretrizes para guiar o paciente através da brincadeira. O que muitos afirmam que causará uma mudança mais rápida. 

Ainda, nesse tipo, o terapeuta tem uma função maior na ludoterapia. Afinal, podem usar diversas técnicas para envolver a criança, como brincar com ela ou sugerir outras brincadeiras. 

Ademais, as histórias lidas pelos terapeuta tem maiores chances de terem um significado subjacente e o terapeuta tem maior abertura para entender as interpretações contadas pela criança.

Portanto o terapeuta está bastante presente. E diferente da terapia não-diretiva, que os jogos são decididos pela criança, na terapia diretiva, normalmente, já tem jogos escolhidos para cada paciente. 

Porém, apesar da terapia diretiva ter auxílio, ainda, há espaço para a expressão da criança. 

3- Jogos eletrônicos

Em virtude da grande popularidade de videogames e jogos onlines, nos últimos anos, foi criado estudos psicológicos em cima deles.

Apesar da maior parte dos estudos tenham o foco em temas como: violência e vício. Alguns profissionais da saúde mental utilizam esses jogos como uma forma de ferramenta terapêutica.

Embora a maioria dos jogos sejam destinados apenas ao prazer, há jogos desenvolvidos apenas para o uso da saúde e do aprendizado. 

O uso de jogos por psicólogos e médicos é uma prática nova. Em virtude disso, os riscos e benefícios, ainda, não estão bem definidos, porém podem surgir com a popularização do método. 

Por fim, grande parte das pesquisas relacionados com jogos eletrônicos, em ambientes de terapia, confirmam que essa prática ajuda na diminuição dos sintomas de depressão, principalmente em adolescentes. 

Alguns jogos eletrônicos comuns utilizados para a terapia são:

  • concentração e aprendizados;
  • jogos de RPG;
  • jogos de simulação de vida, como The Sims.

Para quem é indicado?

Apesar da ludoterapia ser mais utilizada em crianças entre os 3 e 12 anos, a abordagem terapêutica pode beneficiar pessoas de todas as idades.

A terapia lúdica é utilizada em diferentes circunstância e quadros, tais como:

  • atrasos no desenvolvimento;
  • problemas de aprendizagem;
  • procedimentos médicos;
  • doenças crônicas;
  • comportamentos inadequados ou agressivos;
  • situações familiares, como divórcio, morte de um familiar, problemas familiares;
  • situações traumáticas;
  • violência doméstica, abusos ou negligência;
  • ansiedade, depressão e outros quadro psicológicos;
  • transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH);
  • transtorno do espectro autista (TEA).

Técnicas da terapia lúdica

A sessão de terapia lúdica duram entre 45 min a uma hora e, normalmente, são realizadas uma vez por semana. O número de sessões e bem como o tempo de duração, depende de como a criança responde e a demanda. 

Além disso, a terapia pode ser feita tanto individualmente, quanto em grupo. Como citado anteriormente, a criança deve estar em um ambiente confortável e com poucas limitações. 

As técnicas podem envolver:

  • narrativas;
  • interpretações de papéis e “faz de conta”;
  • fantoches e bichos de pelúcias;
  • bonecas;
  • jogos de água e areia;
  • blocos e brinquedos de construção;
  • dança e brincadeiras de movimento;
  • jogos eletrônicos;
  • desenhos e outras expressões artísticas.

Terapia lúdica e adultos

A ludoterapia não é apenas utilizada para crianças. Afinal, brincar não é apenas para os pequenos. Dessa forma, adolescentes e adultos podem ter dificuldade de expressar sentimentos. 

Ademais, há casos específicos, como autismo e síndrome de Down, que a ludoterapia pode ser um recurso usado durante toda a vida.

Portanto, os adultos que podem se bene fincar dessa abordagem terapêutica são aqueles que têm casos diagnosticados de:

A terapia lúdico pode ser utilizada como uma forma de terapia complementar, como a arteterapia e musicoterapia.

Inpa – Instituto de Psicologia Aplicada, Asa Sul, Brasília – DF, Brasil.

Você deve estar logado para postar um comentário.

×