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Anorgasmia

Anorgasmia

O transtorno de orgasmo feminino está classificado no DSM-V como uma das disfunções sexuais. É conhecido, também, como transtorno do orgasmo feminino e pode afetar, de forma significativa, a qualidade de vida de muitas mulheres.

A principal queixa das mulheres é porque o transtorno afeta os relacionamentos amorosos. Afinal, mesmo com uma longa estimulação sexual, a mulher não consegue atingir o orgasmo.

Os orgamos podem variar em sua intensidade e duração. É normal que as mulheres experimentem diferentes tipos de orgamos durante o sexo. 

Vale ressaltar que os orgamos mudam com a idade, problemas médicos ou remédios que a pessoa estiver tomando.

O orgasmo pode ser atingido de diversas maneiras e não apenas pela penetração.

No entanto, se você está feliz com seu desempenho sexual e seu clímax, não há razões para se preocupar.

Todavia, se a falta de orgasmo, intensidade ou dificuldade está te afetando, procure um profissional da sexologia para buscar orientação e tratamento.

Por fim, há algumas técnicas que podem ajudar com o transtorno, como o pompoarismo (técnica oriental, derivada do tantra, que consiste na contração e relaxamento dos músculos circunvaginais, buscando como resultado o prazer sexual).

O que é anorgasmia?

Anorgasmia ou transtorno do orgasmo feminino pode ser definido como uma inibição recorrente ou persistente do orgasmo, que é manifestada por sua ausência ou retardo, após uma fase de excitação sexual adequada em termos de intensidade e duração.

Entretanto, quando a pessoa é capaz de atingir o orgasmo através de masturbação, não se considera essa inibição como anorgasmia

Isto é, a pessoa pode-se experienciar desejo, excitação sexual e prazer nas relações sexuais. Contudo, pode, também, apresenta grande dificuldade de chegar ao ápice do prazer numa relação, que é o orgasmo.

É uma das disfunções sexuais mais comuns junto com a falta de desejo sexual. 

A anorgasmia pode ser chamada, também, de síndrome de Coughlan e não se refere, apenas, na falta de orgasmo, mas, também, nos atrasos, que podem causar estresse, baixa autoestima e preocupação.

A condição é mais presente em mulheres na faixa da menopausa. O transtorno do orgasmo pode ocorrer em 10% a 33% das mulheres.

Além disso, há pessoas que atinge o orgasmo através de algumas condições, como um certo tipo de estímulo ou preliminares. 

Ademais, a anorgasmia, apesar de ser uma condição que afeta principalmente mulheres, podem afetar alguns homens. Todavia, entre os homens, a anorgasmia é menos frequente.

Como saber se eu tenho um problema sexual?

Antes de mais nada, vale dizer que há diversos tipos de disfunções sexuais, tanto para homens quanto para mulheres, que são:

Mulheres

  • Transtorno do Orgasmo Feminino.
  • Transtorno do Interesse/Excitação Sexual Feminino.
  • Transtorno da Dor Gênito-pélvica/Penetração.
  • Disfunção Sexual Induzida por Substância/ Medicamento.

Homens

  • Ejaculação Retardada.
  • Transtorno Erétil.
  • Transtorno do Desejo Sexual Masculino Hipoativo.
  • Ejaculação Prematura (Precoce).
  • Disfunção Sexual Induzida por Substância/Medicamento.

Mas, afinal, como saber se eu tenho algum problema sexual? A partir do momento em que a pessoa apresenta insatisfação, dor, dificuldade ou falta de desejo, está na hora de buscar ajuda especializada.

A relação sexual não deve ser uma situação que causa medo e estresse, mas, na verdade, que seja prazerosa. Por isso, quando o indivíduo não se sente bem e confortável com o ato sexual ela pode procurar profissionais especializados na saúde sexual, que podem ser:

  • psicólogos;
  • médicos.

Tipos de anorgasmia:

A maioria das pessoas acreditarem que há apenas um tipo de problema com o orgasmo, porém há diversos, tais como:

  • anorgasmia primária;
  • anorgasmia secundária;
  • anorgasmia total ou absoluta;
  • anorgasmia situacional;
  • Anedonia sexual.

Em razão disso, neste tópico explicaremos cada um deles.

Anorgasmia primária

A anorgasmia primária pode ser definida como uma condição que ocorre quando a pessoa nunca experimentou a sensação de orgasmo por meio do coito e nem por meio da masturbação.

Há casos em que as mulheres até conseguem atingir um nível relativamente baixo de excitação e terem desejos, mas o orgasmo não é alcançado. Ainda, há algumas características que mulheres com esse problema apresentam, como:

  • Sentimentos, traumas e emoções mal resolvidas que podem estar interligadas com a experiência sexual, como abusos e estrupos.
  • Inexperiência sexual e falta de conhecimento sobre sexualidade, o que pode interferir durante o desenvolvimento sexual.
  • Questões socioculturais que atrapalham o desempenho sexual.
  • Insegurança com o ambiente e falta de oportunidade de realizar atos sexuais em locais socialmente aceitáveis e seguros.
  • Falta de intimidade com o parceiro ou problemas no relacionamento.
  • Outras patologias, como o Transtorno da Dor Gênito-pélvica/Penetração (relação sexual dolorosa).
  • Problemas de autoestima e autoconhecimento.

É norma que, em alguns casos, as razões pelo transtorno do orgasmo não sejam claras. Entretanto, apenas com exames e consultas com especialistas, é possível descobrir as causas que podem estar acarretando esse problema.

Vale lembrar que, independentemente, da situação, o apoio do parceiro é fundamento. Há casos que com o tempo e confiança os problemas que afetam o desejo e satisfação sexual, podem sumir. 

Anorgasmia secundária

A anorgasmia secundária é quando a pessoa já experimentou o orgasmo com certa normalidade em períodos anteriores e, por motivos variados, deixou de tê-lo de forma sistemática.

Dessa forma, pode ser descrita como a perda da capacidade de ter orgasmos. Há diferentes causas que podem estar interligados com esse quadro, por exemplo:

  • depressão;
  • ansiedade;
  • alcoolismo.
  • menopausa;
  • cirurgias ou lesões pélvicas;
  • doenças;
  • baixo nível de estrogênio;
  • traumas.

Anorgasmia aleatória 

A anorgasmia aleatória é vista em mulheres que conseguem ter o orgasmo, mas não o suficiente para a satisfação sexual. É comum que essas mulheres tenham dificuldade em relaxar e se manterem calmas. 

Nesses casos, especificamentes, a terapia sexual pode ser uma forma de ajudar a ter maior controle e , principalmente, a desistir da necessidade de controle sexual. Afinal, mulheres com esse tipo de transtorno tendem a querer ter o controle do ato sexual o tempo inteiro.

Anorgasmia situacional 

A anorgasmia situacional ocorre em determinada situação ou com determinado parceiro ou parceira. Dessa maneira a pessoa, especiulamente a mulher, pode ter orgamos apenas com algumas situações.

Isso pode acontecer com algumas pessoas também. Portanto, a mulher pode conseguir chegar ao orgamos com algum parceiro, mas não com o ouro. 

É normal que essas mulheres desenvolvem alguns fetiches sexuais, que estão interligadas com as situações que lhe provoca prazer. 

Os pesquisadores acreditam que a mulher com a anorgasmia situacional deve trabalhar o autoconhecimento e explorar seu corpo e seus desejos. É muito importante, independente do caso, conhecer a si mesmo e saber o que você gosta. 

Os principais fatores que podem afetar o orgasmo são:

  • fadiga;
  • estresse;
  • alimentação;
  • problemas emocionais;
  • problemas financeiros;
  • pressão.

Anedonia sexual 

É um tipo de disfunção sexual, que pode entrar na classificação do transtorno do orgasmo sexual. Afinal, as respostas sexuais ocorrem normalmente, mas não se chega ao orgasmo.

O que ocorre é a falta de prazer satisfatório (falta de desfrute sexual).

Por que se desenvolve?

As causas da anorgasmia são várias e podem ser orgânicas e psicossociais. Contudo, as causas psicossociais são as principais causas das anorgasmias femininas.

Dentre elas estão: desordens psicológicas em geral, culpa e tabu atribuídos ao sexo, desinformação, desconhecimento do próprio corpo, educação inadequada sobre sexo produzindo culpa ou pensamentos desviantes durante a relação sexual, inibição do corpo ou das preferências sexuais.

Sem contar que, traumas relacionados ao sexo, como, por exemplo, abuso sexual ou relações dolorosas,  podem ser motivacionais para o transtorno de anorgasmia.

As razões físicas podem envolver: desordens neurológicas, má-formação congênita, ou até mesmo, redução da sensibilidade.

Mulheres e a anorgasmia

Estudos conduzidos nos Estados Unidos da América, Reino Unido e Suécia apontam que 40% das mulheres entre 18 e 59 anos têm queixas sexuais. E, dentre essas queixas, 24% descrevem anorgasmia.

No Brasil, um estudo (2004) investigou 1.219 mulheres e apontou que 49% relatam transtornos sexuais, sendo que 21% dessas mulheres descreveram anorgasmia.

Conforme outro estudo em território nacional, os autores Ferreira, Souza e Amorim (2007) apontaram que 36% das mulheres pesquisadas entre 20 e 39 anos relataram transtornos sexuais, sendo que 18% parecem ter anorgasmia.

Embora haja alguma diferença percentual nos dados levantados em cada um desses estudos, podemos concluir que há uma prevalência de 20% da anorgasmia em mulheres.

Segundo estudo publicado pela Revista Brasileira de Medicina, 29% das mulheres têm dificuldades para atingir o orgasmo.

Conforme as pesquisas citadas, as mulheres são a maioria dos acometidos desse distúrbio. Embora entendida como raridade, a anorgasmia masculina também pode ocorrer.

O perfil sexual dos brasileiros mostra diferenças entre homens e mulheres.
É o caso da anorgasmia ejaculatória – quando o homem atinge o orgasmo incluindo a ejaculação, porém não sente prazer equivalente a um orgasmo genuíno.

Uma das principais consequências é uma possível inibição do desejo sexual e um menor interesse pelas relações sexuais. Além disso, a anorgasmia pode diminuir a autoestima da mulher.

Vale ressaltar que, conforme os estudos de Carmita Abdo, coordenadora do Projeto Sexualidade do Hospital das Clínicas da USP, cerca de um terço das mulheres brasileiras nunca chegou a experienciar orgasmo.

Qual o tratamento?

É comum se observar nos acometidos pelo distúrbio:

  • Atuação (fingimento) nas relações sexuais, simulando orgasmo;
  • Sensação constante de frustração nas relações sexuais;
  • Variação de formas, posições e contextos sexuais na busca frustrada pelo orgasmo;
  • Esquiva/fuga de relações sexuais;
  • Baixa autoestima e visão negativa sobre a vida sexual;
  • Desentendimento com o parceiro sexual.

O tratamento deve ser realizado em conjunto com ginecologista e psicólogo. Um diagnóstico adequado é muito importante para que se possam dirigir melhor o tratamento. Dessa forma, procure ajuda.

Em geral, em um processo de terapia sexual, são propostas as seguintes intervenções para tratar a anorgasmia: reformulação de conceitos sobre o sexo; auto erotização como forma de autoconhecimento; relação sexual com o parceiro sem cobranças; e investimento no relacionamento conjugal (comunicação, assertividade, negociação).

E, de fato, há cura para anorgasmia?

O interesse da mulher pela melhora é de grande importância. Porque, interesse e empenho podem acelerar o tratamento.

O diálogo é fundamental. O parceiro precisa ser participativo e estar atento aos sintomas apresentados pela companheira. Caso não haja colaboração do parceiro sexual, dificilmente, a mulher conseguirá êxito em seu tratamento.

O primeiro passo é investigar possíveis causas orgânicas com o auxílio de um médico. E, caso, nenhum motivo orgânico seja encontrado é o momento de buscar ajuda profissional de sexólogos e terapeutas sexuais.

É importante que o parceiro procure realizar exames também. Existe a possibilidade de que ele sofra de disfunção erétil, podendo ser fator decisivo na dificuldade da mulher em atingir orgasmo. Por isso, o acompanhamento é necessário para o casal.

A fisioterapia do assoalho pélvico tem demonstrado resultados satisfatórios para essa disfunção. Um tratamento bastante eficaz para mulheres e que atua contra a anorgasmia com o trabalho de fortalecimento do assoalho pélvico. Além disso, ajuda a mulher a conhecer seu corpo.

Ao receber o tratamento adequado, a condição será facilmente resolvida. Por isso, observe sinais e procure ajuda de especialistas.

Orgasmo é saúde sexual.

Inpa – Instituto de Psicologia Aplicada, Asa Sul, Brasília – DF, Brasil

Fábio Augusto Caló

@fabiocalo - Psicólogo pelo UniCEUB e mestre em Análise do Comportamento pela UnB. Atua desde 1998 como clínico, atendendo adultos e casais. Há duas décadas, tem realizado atendimentos, principalmente, na área da conjugalidade, da sexualidade e dos transtornos de ansiedade. Tem se interessado e pesquisado sobre assuntos atuais como "dependência de internet", "vício em pornografia", "traição online", dentre outros. É palestrante e instrutor de cursos de desenvolvimento pessoal e cursos dirigidos a profissionais da saúde.

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