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Assexualidade: o que é, como identificar e como se respeitar

assexualidade

A assexualidade não limita as necessidades emocionais de uma pessoa. Assim como ocorre com as pessoas sexuais, há bastante variedade em como atendemos a essas necessidades. 

Mais do que isso, certas pessoas assexuadas ainda podem desejar relacionamentos românticos, outras podem estar mais felizes com amizades íntimas ou satisfeitas por si próprias.

Desse modo, sexual ou não sexual, todos os relacionamentos são constituídos pelo tecido da conexão interpessoal: comunicação, proximidade, diversão, humor, emoção e confiança. Todos são importantes tanto nos relacionamentos não sexuais, quanto nos sexuais. 

Há uma diversidade considerável entre a comunidade assexual, nas necessidades e experiências frequentemente associadas à sexualidade, incluindo relacionamentos, atração e excitação.

Assim, as pessoas assexuais que desejam relacionamentos românticos podem ter menos experiências e referências em que confiar, mas ainda estão buscando uma conexão emocional de amor romântico compartilhado.

Deseja entender mais sobre esse assunto? Neste artigo, você encontra:

  • O que é assexualidade?
  • Assexualidade e seus diferentes espectros
  • Como é namorar alguém que é assexual?
  • As principais dúvidas e curiosidades sobre a assexualidade
  • Como identificar a assexualidade?
  • Celibato, abstinência e assexualidade
  • Psicoterapia e a assexualidade e 
  • Não procure se encaixar, respeite suas vontades.
o que é assexualidade

O que é assexualidade?

Assim como homossexualidade, bissexualidade e heterossexualidade, a assexualidade é uma orientação sexual e não é uma escolha. Pessoas assexuais são algumas vezes conhecidas como ”ás” ou ”ases”.

A assexualidade pode ser definida como a falta de atração sexual: alguém que não é sexualmente atraído por ninguém. 

Entretanto, elas podem ser atraídas romanticamente por outras pessoas, por exemplo, um assexual biromântico é alguém que não é sexualmente atraído por ninguém, mas é romanticamente atraído por homens e/ou mulheres.

Segundo o The Trevor Project, assexual é um termo genérico que existe em um espectro. Ele descreve uma variedade de maneiras pelas quais uma pessoa pode se identificar. Enquanto a maioria das pessoas assexuais têm pouco interesse em fazer sexo, elas podem experimentar atração romântica e outros não. 

As pessoas assexuais têm as mesmas necessidades emocionais que todos os outros. A maioria deseja e forma relacionamentos emocionalmente íntimos com outras pessoas, e podem ser atraídos pelo mesmo sexo ou pelo sexo oposto.

Toda pessoa assexual terá uma experiência diferente, que pode incluir:

  • paixão;
  • excitação;
  • orgasmo;
  • casamento e
  • constituição de família.

E, o que não é assexualidade?

Mesmo possuindo muitas características únicas, a assexualidade não é definida por:

Um distúrbio mental

O Distúrbio de Aversão Sexual ou o Distúrbio de Desejo Sexual Hipoativo, não são espectros da assexualidade.

Esses dois distúrbios são condições mentais associadas à ansiedade em relação ao contato sexual.

Um assexual pode sentir-se ansioso devido a pressões e reações da sociedade, mas não devido à ideia de contato sexual. Um assexual, em suma, simplesmente não está interessado.

Um desequilíbrio químico

A assexualidade não é causada por desequilíbrio químico ou hormonal. 

Todas as pesquisas sobre assexualidade, em seres humanos e em outras espécies, mostram que o comportamento assexual não é resultado de nenhum desequilíbrio físico.

Medo da intimidade

Ainda que algumas pessoas pensem isso, assexuais não têm medo da intimidade. 

Muitos desejam estar e estão em relacionamentos! Não apenas com outros assexuais, mas também com pessoas sexuais, que possuem desejo sexual.

Assexualidade e seus diferentes espectros

Segundo estudo feito na University Of South Dakota, nos Estados Unidos, o espectro assexual tem duas orientações: orientação sexual e orientação romântica. Várias identidades se enquadram nessas categorias.

Dessa forma, as pessoas assexuais possuem as mesmas necessidades emocionais que todos os outros. 

Alguns ‘’ases’’ podem querer relacionamentos românticos. Eles podem se sentir romanticamente atraídos por outras pessoas, que podem ser do mesmo sexo ou não.

Outros assexuais preferem amizades íntimas (popularmente chamadas de amizades coloridas) ao invés de relacionamentos íntimos. Alguns experimentam excitação e outros se masturbam sem ter interesse em fazer sexo com outra pessoa, por exemplo.

Algumas pessoas assexuais não querem ter contato sexual, enquanto outras podem se sentir “neutras em relação ao sexo”. Já outras pessoas se envolvem em um contato sexual para obter uma conexão emocional.

Outras identidades comuns que se enquadram no espectro assexual incluem:

Arromântico

Arromanticidade é uma orientação romântica, diferente de uma orientação sexual. Embora os dois estejam entrelaçados para a maioria das pessoas, eles são diferentes.

As pessoas arromânticas experimentam pouca ou nenhuma atração romântica. Elas preferem não possuir relacionamentos românticos, de intimidade e compromisso.

Muitas pessoas arromânticas podem formar parcerias platônicas peculiares, mas que têm o mesmo nível de comprometimento que os relacionamentos românticos.

Além disso, algumas pessoas escolhem viver ou ter filhos juntas.

Demissexual

As pessoas demissexuais experimentam atração sexual ou romântica, porém, somente depois de formarem uma conexão emocional próxima com alguém, não sendo a estética o único fator determinante para o surgimento da atração sexual. 

Demisexuais podem se atrair por apenas um gênero ou mais, já que o conceito de “demissexualidade” é como acontece a atração, não a quem se dirige.

Grayssexual, grayromântico ou gray-assexual

Termo utilizado para definir pessoas que possuem experiência limitada com atração sexual. Em outras palavras, elas experimentam a atração sexual muito raramente, ou com uma intensidade muito baixa. 

Normalmente, são pessoas que desejam e desfrutam de relações sexuais ou românticas, mas apenas em circunstâncias muito específicas

Isso também é conhecido como cinza-asexuality, cinza-Um, ou cinza-ace.

Como é namorar alguém que é assexual?

Então, o que acontece quando seu parceiro é assexual e você não? 

Inicialmente, pode parecer uma situação complicada. Afinal, como um relacionamento pode funcionar quando ambos os parceiros têm necessidades sexuais diferentes?

Entretanto, é possível sim, que esses relacionamentos sejam bem-sucedidos – basta compromisso.

Relacionamentos de todos os tipos podem funcionar quando duas pessoas optam por se amar: apesar de suas diferenças, reconhecem onde e quando elas podem deixar o parceiro carente, com necessidades não resolvidas, e encontram um meio termo que ajuda as duas pessoas a se entenderem.

Dessa forma, qualquer relação pode funcionar de maneira saudável e prazerosa, quando duas pessoas escolhem se amar apesar de suas diferenças.

Compreender o que é assexualidade também é vital para que esses relacionamentos funcionem. Entender que a assexualidade como orientação sexual é diversa como todos os elementos da sexualidade é essencial. 

Assim, a assexualidade pode significar coisas diferentes para pessoas diferentes, e é importante entender as necessidades de seu parceiro(a).

As principais dúvidas e curiosidades sobre a assexualidade

Sabe-se que a assexualidade descreve uma falta de atração sexual. As pessoas assexuais podem experimentar atração romântica, mas não sentem vontade de agir sexualmente sobre esses sentimentos.

Mas, quais são as principais características dessa orientação?

  1. A assexualidade é um assunto crescente de pesquisa em Psicologia, sexologia e outros campos acadêmicos. Embora as estimativas para a proporção assexual da população sejam limitadas e possam variar, o número mais amplamente citado é que sejam aproximadamente 1% da população.
  2. Há assexuais que desfrutam de intimidade sexual com outras pessoas, sem se sentirem sexualmente atraídos por ninguém. Todo assexual, assim como toda pessoa sexual, é diferente e todos se enquadram em uma gama de desejos e níveis de conforto.
  1. Infelizmente, alguns assexuais se sentem deslocados e excluídos, devido à falta de conhecimento geral sobre a assexualidade e retratos culturais de sexualidade.
  1. Dentro da sigla LGBTQIAP +, a letra A representa o espectro assexual, ou o a-spec.
  1. A assexualidade não é uma identidade de gênero, embora possa haver ases trans, não binários ou com gênero diferente.
  2. Certas pessoas escutam a palavra “assexual” e fazem suposições sobre o que isso significa. Algumas pensam em organismos unicelulares, não humanos. Ainda que hajam seres vivos que são assexuais, também há diversos homens e mulheres.
  1. Muitas perguntas que as pessoas têm sobre a assexualidade podem ser respondidas com a mesma frase: “Alguns sim, outros não’’. Assexuais namoram? Alguns sim, outros não. Assexuais se apaixonam? Alguns sim, outros não. Assexuais fazem sexo? Alguns sim, outros não.
  1. Separar a atração romântica e sexual não se limita estritamente às pessoas assexuais. Por exemplo, é possível que alguém seja um heterossexual arromântico ou qualquer outra combinação.
  1. Em muitas pessoas, as orientações sexuais e românticas estão alinhadas, de modo que alguns tendem a não pensar nelas como conceitos separados.
  1. Se você deseja saber se outra pessoa é assexual, você precisa conversar com ela sobre isso. Não há sinais exteriores de assexualidade, e não deve-se tentar rotular outra pessoa contra sua vontade.

Como identificar a assexualidade?

E, como saber se sou assexual? Faça a si mesmo a seguinte pergunta: “sinto atração sexual ou já senti alguma vez na vida?” 

Caso a resposta seja “não”, você é assexual. Todavia, o problema deste questionamento é que “atração sexual” é um enunciado vago. É difícil dizer que você nunca sentiu algo, se não sabe como é esse sentimento.

Contudo, se você ainda não tiver certeza, aqui está uma lista de perguntas para ajudá-lo(a) a orientar os pensamentos. Ela não é uma lista de verificação para “diagnosticar” a assexualidade, mas descrevem sentimentos que muitas pessoas assexuais tiveram.

  • Você geralmente está desinteressado em sexo?
  • Seu interesse pelo sexo é mais científico do que emocional?
  • Você se sente deixado de fora ou confuso quando os outros discutem sexo?
  • Se você fez sexo, você achou que foi chato, e não a experiência incrível que outras pessoas fizeram parecer?
  • Você já teve que fingir estar interessado em alguém para se encaixar?
  • Se sentiu mal porque não experimenta sentimentos sexuais como aqueles ao seu redor?
  • Já sentiu que era heterossexual “por padrão” ou que era homo ou bi porque estava igualmente (des) interessado em todos os sexos? 
  • Você já saiu com alguém ou fez sexo porque sentiu que “é isso que deveria fazer’’ mesmo sem estar com muita vontade?

Assim sendo, mesmo após essa análise, é essencial saber que a assexualidade é uma orientação sexual, não um distúrbio. 

Na maioria das vezes, uma pessoa assexual sempre possui pouco interesse em contato sexual com outras pessoas.

Não é o mesmo que perder repentinamente o interesse pelo sexo ou optar por se abster do sexo enquanto ainda experimenta atração sexual.

Celibato, abstinência e assexualidade

Assexualidade não é o mesmo que celibato ou abstinência. 

Mas, o que é celibato? O celibato (do latim cælibatus, estado daquele que não é casado ou que é célibe) é, na sua definição literal, o estado de uma pessoa que se mantém solteira, sem nenhum tipo de relacionamento romântico ou sexual.

Se alguém é celibatário ou se abstém de fazer sexo, isso significa que tomou uma decisão consciente de não participar de atividade sexual, apesar de sentir atração sexual. 

A pressão social pode fazer as pessoas assexuais sentirem-se ansiosas em relação ao sexo, entretanto, isso é diferente.

Deve ser claro, para todos, que assexualidade também não é:

  • abstinência por motivos religiosos;
  • repressão, aversão ou disfunção sexual;
  • um medo de intimidade ou
  • perda de libido devido à idade, doença ou outras circunstâncias.

Psicoterapia e a assexualidade

Da mesma forma que pessoas de outras orientações sexuais fazem acompanhamento com psicólogos na terapia, assexuais também podem se beneficiar desse método. 

O profissional é capaz de auxiliar, guiar e sanar dúvidas pessoais que a assexualidade pode causar em pessoas que ainda possuem questionamentos e perguntas acerca desse espectro.

Sendo assim, se você acha que pode fazer parte deste grupo ou conhece alguém que pode estar precisando de terapia para viver de maneira mais tranquila e feliz, não deixe de procurar um terapeuta!

Aqui, você pode descobrir outros benefícios da terapia individual, de casal ou sexual.

Não procure se encaixar, respeite suas vontades

Assim como algumas pessoas são gays, bissexuais ou héteros, outras são assexuadas. Se alguém é assexual, significa que ele não possui ou têm pouco interesse em sexo. Ele ainda podem sentir atração romântica, mesmo que seja raro.

Há uma ampla gama de identidades no espectro assexual, desde pessoas que não experimentam atração sexual ou romântica, até pessoas que se envolvem em contato sexual somente sob algumas condições específicas.

Muitas pessoas assexuais formam relacionamentos significativos e duradouros, e algumas se casam ou têm filhos.

Por isso, caso você se identifique com as características de uma pessoa assexual, não se preocupe: a terapia pode te ajudar.

A seguir, você confere a Live do Inpa sobre assexualidade, com a participação do psicólogo Fábio Caló e da médica ginecologista Renata Ribeiro.

Inpa – Instituto de Psicologia Aplicada, Asa Sul, Brasília – DF, Brasil.

Fábio Augusto Caló

@fabiocalo - Psicólogo pelo UniCEUB e mestre em Análise do Comportamento pela UnB. Atua desde 1998 como clínico, atendendo adultos e casais. Há duas décadas, tem realizado atendimentos, principalmente, na área da conjugalidade, da sexualidade e dos transtornos de ansiedade. Tem se interessado e pesquisado sobre assuntos atuais como "dependência de internet", "vício em pornografia", "traição online", dentre outros. É palestrante e instrutor de cursos de desenvolvimento pessoal e cursos dirigidos a profissionais da saúde.

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