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Atritos fraternos e o posicionamento dos pais

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Os atritos fraternos

O relacionamento entre irmãos é um dos mais longos estabelecidos no decorrer da vida. Eles compartilham as mesmas raízes, costumam ser bons conhecedores um do outro. Porém, os atritos fraternos são comuns.

Sendo assim, possuem bases para que estabeleçam entre si laços de ternura e amizade por toda a vida.

Como qualquer outro relacionamento de intimidade, onde há partilha já é de se supor a existência de alguns atritos inerentes da própria convivência. Como brigas, brincadeiras, companhia, ciúmes, coleguismo, dentre outros.

Esses conflitos podem desgastar o relacionamento fraterno, mas podem ser minimizados desde cedo a partir de condutas dos pais.

Quando os pais se preparam para receber outro filho, é importante incluir o primogênito na expectativa do nascimento. Apresentar a barriga; explicar a vinda de um irmão; esclarecer o que eles podem fazer juntos; incentivar a sua participação na evolução da gestação. Sobretudo, assegurar à criança que ela continua tendo o seu espaço e importância na família, mantendo inclusive o tratamento carinhoso que delimita o seu papel.

Apresentar fotos do filho mais velho quando bebê pode ser útil para a criança discernir que todo o cuidado que os pais estão tendo na gravidez também fora feito com ele.

Diante de uma aparente adaptação diante do novo irmão, é possível que a criança possa regredir em seu comportamento. Assim, voltar a sugar o dedo; querer mamar no seio ou na mamadeira; adotar a linguagem de bebê; urinar na cama, entre outros comportamentos regredidos. Isso é explicado, na maioria das vezes, porque os pais cuidam exatamente desses comportamentos emitidos pelo bebê: suas necessidades básicas, que requerem cuidado e afeto.

Como a atenção dos pais agora não vem de forma integral como outrora, o filho mais velho emite esses comportamentos tal qual o bebê com a função de resgatar a atenção.

A responsabilidade dos pais no atritos fraternos

Pode-se evitar ou minimizar estes atritos a partir do momento em que os pais equilibram os investimentos em ambos os filhos. Obviamente que um bebê necessita de cuidados intensivos, pois é mais dependente dos pais. No entanto, o filho mais velho também necessita de afeto e supervisão, mesmo que diferentes de um bebê. Mesmo que não seja possível ser como antes, recomenda-se que ao menos dediquem qualidade na relação quando estiverem juntos.

Também é bastante comum que os pais fiquem comparando um filho com o outro, muitas vezes atribuindo rótulos a um. Como por exemplo, “mais danado”.

Recomendamos cuidado quanto a esse rótulo especificamente. A fase do desenvolvimento em que cada um se encontra e os possíveis prejuízos à autoestima.

Nesse âmbito, também pode-se destacar que, por haver essa diferença de idade, é provável que os pais brinquem menos com a criança mais velha, seja menos sensível a seus interesses. Sobretudo, que cobrem mais comportamentos adequados do primogênito. É como se os pais tivessem mais expectativas com o filho mais velho. Que, contudo, às vezes são inadequadas para a faixa etária em que ele se encontra.

Se ele for adolescente, as expectativas de maturidade são ainda maiores, assim como as cobranças de monitoria ou companhia ao filho mais novo. Quando isso ocorre, é necessário lembrar que o adolescente ainda é um ser em formação, ainda está se desenvolvendo.

Nesse exemplo, não é o comportamento que é abordado, mas a pessoa, o que pode ferir a autoestima da criança. Assim, uma alternativa seria descrever o que se espera dele, como “gostaria que ficasse conosco à mesa e não almoçar vendo televisão”.

Além disso, se um determinado comportamento é feito por um dos filhos e reconhecido pelos pais, se o outro filho o fizer, também deverá sê-lo. Para evitar os atritos

O que se deve fazer é buscar maneiras diferentes para reconhecê-lo, buscando adequação quanto à idade e quanto ao que é satisfatório para a criança. Exemplo disso é o boletim: se notas acima da média são reconhecidas, devem sê-lo independente de quem teve êxito.

Práticas punitivas

O mesmo raciocínio cabe nas práticas punitivas. Castigar um filho por um comportamento inadequado, após este ser efetuado, está pertinente. Mas punir o outro, que não participou do episódio, só para “dar exemplo” e prevenir ocorrências é inadequado.

Caso tenham brigado, a punição deve ser para os dois. Se não, quem se comportou de forma inadequada deve ser punido e o outro orientado, para que se lembre da regra e esteja ciente de que a consequência será a mesma se ele se comportar da mesma forma. Se a punição for arbitrária, poderá haver um clima fraterno pior, existindo sentimentos de injustiça e raiva. O caçula, de forma alguma, deve ser imunizado nos castigos caso se comporte de forma inadequada.

A questão a ser considerada é a adequação à faixa etária e à infração cometida.

Outro ponto é o respeito à individualidade: mesmo que sejam irmãos com idades bem próximas, ainda assim não são um só. Podem ter grupos de amigos e necessidades diferentes a serem respeitadas.

O Inpa

Caso seus filhos briguem muito, algumas reflexões devem ser feitas: o contexto dos atritos e quais as consequências disso. Dessa forma, podemos verificar a função do comportamento. Há mais ênfase dos pais nos conflitos fraternos do que quando estão em paz? Existe postura parcial de um ou de ambos os pais, sendo um filho preterido diante do outro, mesmo este estando correto? Nesses casos, é importante que as posturas sejam revistas, pois fortalecem os comportamentos envolvidos nos conflitos.

No fim das contas, irmãos precisam de incentivos para que haja um melhor relacionamento e para evitar os atritos fraternos. Não podemos esquecer que, na maioria das vezes, são eles que restarão após o falecimento dos pais. E que experimentarão modalidades diferentes de relacionamento, como compadres/ comadres, tios/ tias, avós/ tios-avós.

Inpa – Instituto de Psicologia Aplicada, Asa Sul, Brasília – DF, Brasil

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