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Brasília, a capital da solidão

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“É porque Brasília não tem esquinas que as pessoas não se relacionam!”

Ao morador de Brasília é comum ouvir essa afirmação. Como se repetissem o que também ouviram de outrem sem qualquer cuidado de reflexão a respeito.
Seja reflexão sobre a descrição apresentada, falta de relação nessa cidade, ou sobre a explicação para tal.
Mas, não são apenas os sulistas, nortistas ou nordestinos que relatam insatisfação em relação a esse aspecto da cidade.
Os próprios brasilienses se inquietam com a dificuldade para estabelecer relações interpessoais por essas bandas.
Aqueles que estão bem inseridos no seu grupo social podem discordar. Mas, em meio a discordância devem parar e pensar quantas vezes terminaram relacionamentos afetivo-amorosos e se sentiram sozinhos, sem amigos aqui. Quantas vezes ficaram sós em Brasília porque a família fez uma viagem de última hora? Essa reflexão possivelmente trará concordância em meio a discordância.
Não quero advogar a causa dos insatisfeitos com essa cidade que é sua, que também é minha, que é nossa. Estou apenas propondo uma reflexão sobre como nós temos nos relacionado com as pessoas a nossa volta quando e enquanto estamos aqui.
Para ser mais incisivo, você cumprimenta o seu vizinho do prédio onde mora? Sauda as pessoas da empresa na qual trabalha, mesmo sem ter sido apresentada a elas? Você abre espaço para uma brincadeira na fila do super-mercado? Permite a aproximação de uma pessoa na balada e dá assunto para ver se dali pode surgir, ao menos, uma boa amizade? Pense sobre isso, porque essa é a cidade na qual você mora temporariamente ou definitivamente.

Porque os brasilienses não se relacionam?

A explicação para as pessoas não se relacionarem em Brasília da mesma forma que se relacionam noutras cidades, algumas bem próximas de nós, repousa em vários fatores.
Acredito que o choque das diferentes culturas desde o início da construção da cidade pode ser um deles. O funcionalismo público, com seus altos salários e estabilidade, outro. A cultura do estudo e de preparação para passar no vestibular; passar no concurso público; comprar apartamento próprio nas áreas nobres…
Outras tantas explicações poderiam compor essa singela reflexão. Mas, não estou em busca de explicações. Estou em busca da construção da reflexão que aumente as chances da mudança no repertório de habilidades sociais nessa cidade. Digo isso para você que está lendo e para mim mesmo. Pois hoje não cumprimentei tanta gente quanto deveria após ter saído do meu apartamento mais cedo e ter ido ao parque da cidade.
Estou certo que você não quer se sentir só, nem quer que os seus se sintam assim. Que tal, então, observar mais ao seu redor e cumprimentar mais as pessoas? Mas, se você é exatamente aquele que está só, que tal colocar um sorriso no rosto e tomar a iniciativa de interagir? Sim, cumprimente o vizinho, a vizinha, o colega de trabalho que passar por você correndo, acene para o conhecido da academia!
Estique a conversa pelo simples prazer de papear sobre cinema, música, política, economia, comportamento humano ou qualquer coisa que gere relacionamento. Se assim não for, pouco estará fazendo para mudar a idéia de que Brasília é a capital da solidão.
Tenha um bom dia e espero poder te cumprimentar quando eu te encontrar pela cidade.

Inpa – Instituto de Psicologia Aplicada, Asa Sul, Brasília – DF, Brasil

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