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Vergonha: 5 maneiras de lidar

vergonha

A vergonha é um sentimento muito comum e experimentado pela grande maioria das pessoas. Afinal, é normal sentir vergonha em situações embaraçosas, como tropeçar na rua, ou em situações novas, como realizar uma apresentação em público. 

No entanto, apesar de ser um sentimento comum, a vergonha pode causar sérios problemas psicológicos e prejudicar a qualidade de vida. Tudo isso irá depender do nível de intensidade do sentimento de vergonha.

Há muitas pessoas que não compreende, de forma clara, o que é o sentimento de vergonha. Ainda, há outras pessoas que confundem o sentimento de vergonha com o da culpa.

A vergonha pode ser tornar um empecilho e, até mesmo, um sentimento prejudicial, porque diversas pessoas, normalmente, não conversam sobre as situações que lhe a causam. Logo, a vergonha pode se tornar um sentimento sufocante.

Em razão disso, neste artigo será abordado 5 maneira de lidar com a vergonha. Além disso, o texto trará o conceito de vergonha, os sinais, as causas, os tipos e a diferença entre a vergonha e a culpa. Confira!

O que é a vergonha?

A vergonha é uma emoção de alerta e de autoconsciência, porque informa um indivíduo que está em estado de desconforto, arrependimento, indignidade e etc. É como um sinal de que as emoções não estão mais positivas.

Ademais, o sentimento de vergonha pode ser desencadeado por motivos e pessoas externas, mas pode ser, também, um auto fracasso ao tentar cumprir metas e padrões.

A vergonha pode trazer sérias consequências na qualidade de vida de uma pessoa. E, além disso, pode ser um fator para o aparecimentos de outras psicopatologias. É preciso entender melhor o que está causando o sentimento e aprender a lidar melhor com ele. 

Como lidar com a vergonha?

A vergonha em excesso pode ser considerada uma emoção tóxica, porque, na maioria dos casos, as pessoas tentam escondê-la e acabam se isolando. 

É como se a pessoa acreditasse que outras pessoas podem ver sua vergonha e se sentem ainda mais julgados.

Em virtude disso, o Inpa separou 5 maneiras de lidar com a vergonha. Confira:

1- Reconheça seus medos

A primeira forma de lidar, de forma mais saudável, com a vergonha é reconhecer seus limites, dificuldades e medos. Dessa maneira, seja honesto com você mesmo e conheça seus limites. É importante saber quais são suas limitações e quais são os medos que você pode superar. 

Comece devagar, mas não tenha medo de liberar seus medos e descubra quais são os seus pontos fortes e fracos.

2- Revise sua primeira infância

É comum que o sentimento de vergonha seja reforçado no período da primeira infância. Afinal, os acontecimentos durante a infância tendem a ter bastante impacto na vida adulta. 

Portanto, por mais difícil que seja, é importante reconhecer que a vergonha não é sua culpa, que pode ter razões para esse sentimento.

3- Tenha autocompaixão e amor próprio

O sentimento de vergonha pode trazer um autojulgamento muito forte. Já que quando você está envergonhado é difícil ser gentil e amoroso com si próprio. No entanto, a prática do amor próprio pode ajudar.

Desse modo, fale consigo mesmo e trata-se da mesma forma que faria com um amigo querido ou um parente amado. Não seja cruel consigo e antes de se dizer qualquer coisa, pare e pense: eu falaria isso para alguém que eu amo?

De acordo com estudos, a autocompaixão pode ser uma forma de lidar com a autocrítica que vem com a vergonha. Ademais, a autocompaixão desencadeia a liberação de ocitocina hormônio que atua na confiança, felicidade, calma e estabilidade emocional).

4- Revise suas relações interpessoais

Há pessoas que podem ficar reforçando sua vergonha. Por exemplo, pode ser que seus pais continuem dizendo coisas que te façam se sentir inferior ou incompetente. 

A vergonha pode fazer com a pessoa não consiga ver suas qualidades e a leva a ter vínculos com outros indivíduos que reforçam seus sentimentos negativos. 

É importante buscar uma rede de relacionamento saudável. Não deixe que nenhuma relação, que te faça se sentir mal consigo mesmo, continue na sua vida. 

Apesar de ser doloroso abandonar relacionamentos, mesmo os que são tóxicos, é importante tomar esse passo para conseguir superar os seus sentimentos de vergonha.

5- Busque ajuda psicológica

A vergonha, em alguns casos, é um problema que não se resolve sozinho. Ainda, pode causar danos significativos na qualidade de vida. Nessas horas, você pode buscar ajuda de um profissional da Psicologia. 

Para aprender mais técnicas de como superar a vergonha procure ajuda psicológica. A psicoterapia pode ser uma forma de trabalhar essas questões e conseguir melhoras significativas.

A terapia pode trazer melhora em diversas áreas da vida, tais como:

  • psicológico;
  • social;
  • profissional;
  • saúde física.

Em casos mais graves, talvez seja necessário o acompanhamento psiquiátrico. Procure ajuda psicológica e médica especializada para um diagnóstico concreto e um plano de tratamento eficaz e duradouro.

Sintomas da vergonha

A vergonha, segundo pesquisadores, tem alguns sintomas psicológicos. E, em casos severos de vergonha, a pessoa pode desencadear quadros psicopatológicos, tais como depressão, ansiedade e transtornos do estresse pós- traumático.

Ainda, os principais sintomas são:

  • sudorese;
  • tremores;
  • taquicardia;
  • agitação;
  • isolamento social;
  • boca seca;
  • insônia;
  • perda da noção do tempo;
  • visão turva;
  • relacionamentos difíceis e dificuldades de socialização;
  • impulsividade, raiva e defesa;
  • impossibilidade de realizar tarefas diárias.

Por fim, pessoas que sentem vergonha com mais frequência tendem a terem mais risco de desenvolverem quadros psicopatológicos, em comparação com outras pessoas. 

Causas da vergonha

Há alguns fatores que podem ser agentes causadores da vergonha. Por exemplo, crianças com pais envergonhados, tendem a ser pessoas envergonhadas.

As crianças tendem a ser as mais vulneráveis ao sentimento de vergonha. Afinal, elas desenvolvem sua identidade e personalidade baseada na relação e reações dos pais.

Além disso, se a pessoa convive em um ambiente negligente, abusivo, problemático e controlador, a vergonha se torna uma consequências desses fatores ambientais.

Assim sendo, os principais fatores da vergonha são:

  • abuso físico e emocional, principalmente ocorridos na primeira infância;
  • falta de laços familiares carinhosos e saudáveis;
  • experiências traumáticas, como estupro, divórcio e abandono;
  • desaprovação e críticas constantes;
  • autoestima baixa e falta de confiança.

Vale ressaltar que as primeiras experiências, ou seja, aquelas desenvolvidas durante a primeira infância, têm um papel fundamental no nível de vergonha experimentado por uma pessoa.

Em razão disso, é comum que experiências que foram vergonhosas, durante a infância, se tornem gatilhos inconscientes para futuros adultos.

Por exemplo, uma criança que era repreendia e sentia vergonha por falar demais, têm maior probabilidade de se tornar uma pessoa mais fechada e calada.

Por conseguinte, as pessoas tendem fazer de tudo para evitar e reprimir esses sentimentos. Portanto, pessoas com níveis de vergonha alto, tendem a sofrer muito e ter diversas consequências na qualidade de vida.

Por fim, há pessoas com um nível de vergonha tão alto, que começam a se isolar socialmente, para evitar qualquer situação que possa desencadear ou ser gatilho para o sentimento de vergonha.

Vergonha e culpa

Enquanto a vergonha é um sentimento experimentado quando a pessoa sente desonra, a culpa é uma emoção que a pessoa experimenta quando seus próprios valores.

Para deixar mais claro, de acordo com a autora Brené Brown, a diferença entre a vergonha e a culpa é: “a diferença entre ‘eu sou ruim’ e ‘eu fiz algo ruim’.

Dessa forma, quando a pessoa se sente culpa, ela, normalmente, se sente culpado por algo que provocou. 

Entretanto, no caso da vergonha, a pessoa se sente mal pelo tipo de pessoa que é ou por alguma situação que passou.

A vergonha e a culpa são um sentimentos comum ao ser humano, ou seja, pelo menos uma vez na vida as pessoas sentirão essas sensações. No entanto, quando alguém começar a acreditar em certas coisas e a ter certos pensamento, está na hora de buscar ajuda.

Alguns desses pensamentos e crenças são:

  • eu sou uma pessoa fracassada;
  • o que eu fiz é inaceitável e imperdoável;
  • eu sou tóxica em tudo que faço;
  • não sou bom para ninguém;
  • tenho um defeito que é impossível de arrumar;
  • não mereço ser amado;
  • não tenho qualidade e sou desnecessário;
  • eu não preciso estar vivo.

Tipos de vergonha

A vergonha apresenta alguns tipos. Afinal, cada sensação de vergonha pode ser gerada por um fator diferente e isolado.

Autoconsciência

O sentimento de vergonha está, diretamente, interligado com a consciência. Dessa forma, o indivíduo tem a consciência de que os outros estão o julgando. Logo, a pessoa conhece um conjunto de normas sociais que definem se suas ações são corretas ou erradas. 

Por exemplo, usar um traje de banho em um ambiente impróprio e sentir que todos ao seu redor estão te observando; essa situação pode gerar o sentimento de vergonha.

Padrões

Os padrões podem ser um fator crucial para o aparecimento da vergonha. Dessa maneira não se sentir aceito ou dentro dos padrões, pode gerar o sentimento de vergonha. 

Além disso, algumas ações, atitudes e personalidade podem ser consideradas “fora do padrão”. Por exemplo, rir em funerais é uma situação que não é bem vista pela sociedade.Portanto, violar esses padrões estabelecidos produzem a vergonha.

Personalidade

O traço pessoal pode ser um fator para esse sentimento. Afinal, pessoas com autoconceito alta tendem a sentirem vergonha. Todavia, há pessoas que não se sentem culpados pelas coisas que acontecem ao seu redor.

Autoestima 

A autoestima é um fator crucial para a vergonha. Logo, quando a pessoa não tem confiança em si, tem insegura e pensa o pior de si mesmo, ela tende a ser mais  vulnerável a esse sentimento. Ainda, situações vergonhas experimentadas com frwqu3 ncia tendem a abalar a autoestima de uma pessoa.

Transtornos psicológicos relacionados com a vergonha

Depressão

Depressão é uma doença psiquiátrica crônica. O quadro é caracterizado por uma alteração de humor, uma tristeza profunda e uma falta de esperança.

O quadro depressivo afeta cada faixa etária de maneira diferente e, por isso, deve ser tratada com o foco específico para cada idade.

Dessa forma, os principais sintomas são:

  • Estado de espírito depressivo, agressivo ou ansioso com alta frequência.
  • Queda no interesse por atividades que eram, até então, de interesse pessoal.
  • Alteração do apetite, ou seja, perda ou ganho significativo de peso.
  • Baixa concentração.
  • Apatia ou sensação de “vazio”.
  • Agitação constante.
  • Insônia ou excesso de sono.
  • Pensamentos sobre morte, ideação suicida ou qualquer tentativa de atentado contra a própria vida.

Ansiedade

A ansiedade é um sentimento caracterizado por causar um  estado emocional desagradável, um comportamento nervoso e pensamentos acelerados. 

Ainda, há situações que é comum se sentir ansioso ou nervoso. Todavia, quando essa emoção começa  a controlar o seu dia a dia e causar diversos problemas no bem estar físico e emocional, está na hora de procurar medidas para controlar e tratar a ansiedade.

A ansiedade é caracterizada por ser um sentimento de inquietação e de preocupação excessiva. E, em geral, aparece em situações normais ou que não são ameaçadoras.

A ansiedade é diferente do medo (resposta a uma ameaça imediata). Dessa forma, a ansiedade envolver uma expectativa ou apreensão de uma ameaça futura.

Transtorno do estresse pós-traumático

O Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) é um transtorno de ansiedade desencadeado por uma situação traumática vivida pela pessoa. Essas situações são negativas e trazem consequências para a própria pessoa com TEPT ou para pessoa próximas a ela, traumatizando a pessoa.

Primeiramente, o TEPT é caracterizado por um conjunto de sintomas e sinais físicos, psicológicos e emocionais. Quando a pessoa se lembra do trauma, ela revive o momento, com a mesma intensidade de dor e sofrimento. Ademais, essa recordação é definida como revivescência e traz alterações tanto neurofisiológicas quanto mentais.

Grande parte das pessoas que são expostas a um evento traumático não desenvolvem a TEPT. Ademais, as chances de uma pessoa que sofreu abuso ou qualquer outro tipo de violência de desenvolver o transtorno são maiores do que uma pessoa que presenciou traumas sem agressão, como fenômenos naturais.

Dislexia

A dislexia é um transtorno de aprendizagem caracterizada dificuldade de leitura, escrita, soletração e decodificação de letras e palavras. Ademais, a dislexia é de origem neurológica, e pode afetar cada pessoa de uma maneira diferente e em graus diferentes. Dessa forma, uma pessoa disléxica pode ser tanto tímida e quieta, quanto comunicativa e extrovertida.

A dislexia começa a se manifestar ainda no início da fase escolar, quando as crianças estão aprendendo a ler e escrever. Não é incomum, também, a dislexia ser identificada quando a criança é maior. No entanto é preciso estar atento para não confundir a dislexia com a alexia, transtorno em que a pessoa lia normalmente e depois ficou com dificuldades.

Fobia Social

A fobia social é considerada um transtorno psicológico frequente na população. E o grau de ansiedade desse transtorno varia,  podendo restringir severamente a vida da pessoa.

A preocupação excessiva com a opinião dos outros. Ou com o medo de desagradar ou de causar má impressão tem sido a explicação que muita gente dá para evitar as relações sociais. Essa evitação tem nome, fobia social.

Dessa forma, podemos notar a fobia social nas pessoas que ficam apavoradas com a ideia de ir a qualquer  evento social. Evitando todo e qualquer tipo de contato com pessoas.

Muitas vezes, essas pessoas chegam a apresentar sintomas físicos, como batimentos cardíacos acelerados, náuseas, tonturas, tensão muscular, dentre outros.

Ademais, acredita-se que a etiologia da fobia social esteja mais relacionada a determinantes externas do que a determinantes genéticas. Embora essas últimas também devam ser consideradas.

Inpa – Instituto de Psicologia Aplicada, Asa Sul, Brasília – DF, Brasil.

Fábio Augusto Caló

@fabiocalo - Psicólogo pelo UniCEUB e mestre em Análise do Comportamento pela UnB. Atua desde 1998 como clínico, atendendo adultos e casais. Há duas décadas, tem realizado atendimentos, principalmente, na área da conjugalidade, da sexualidade e dos transtornos de ansiedade. Tem se interessado e pesquisado sobre assuntos atuais como "dependência de internet", "vício em pornografia", "traição online", dentre outros. É palestrante e instrutor de cursos de desenvolvimento pessoal e cursos dirigidos a profissionais da saúde.

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