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E quando conectar me desliga do mundo?

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A internet

Cerca de 87% das pessoas, de 26 países entrevistados, consideram o acesso à Internet um direito fundamental para todas as pessoas.

A internet confere a seus usuários um mundo de possibilidades. A interação dos jovens com esse mundo é intensa.

Diferente das gerações anteriores, os jovens se trancam no quarto não mais para se isolar do mundo, mas para se conectarem a ele.

Uma vez que, já nasceram em uma cultura que valoriza a informação e a tecnologia, muitas vezes é difícil discernirem o que seriam excessos.

A exposição

Atualmente, em algumas famílias, a exposição à internet começa antes mesmo do nascimento. Mamães e papais noticiam ao mundo a vinda de um filho. Fazendo com que os seguidores acompanhem a gestação por meio de descrições dos acontecimentos. Quando na maternidade, eles realizam check-in indicando onde podem ser encontrados e divulgam fotos do rosto do bebê. Em casa, ao longo do desenvolvimento, as crianças tem contato com babá eletrônica e brinquedos cada vez mais tecnológicos. E assim, a intimidade com a tecnologia cresce à proporção do seu desenvolvimento.

É inevitável a comparação com gerações anteriores. Há quem diga que hoje o brincar é diferente, porque, agora as crianças tem contato cada vez mais precoce com a tecnologia.

Embora os adultos usem desse discurso, eles também sentem a dificuldade em se desvincularem da internet. Sobretudo no que tange às redes sociais. No fim das contas, adultos e crianças brincam de se relacionarem virtualmente, aproveitando prazeres e dissabores que este tipo peculiar de contato social proporciona.

Excluir crianças e adolescentes dessa realidade é prejudicial, pois, seria aliená-los do mundo em que vivem. Ao mesmo tempo em que ser adulto e abster-se do uso da internet também seria ruim por limitar as possibilidades.

Socialização

No entanto, cabe ressaltar a necessidade do uso moderado para que não favoreça prejuízos na socialização e nas atividades acadêmicas. Pois a rede possibilita o contato com tudo o que é satisfatório para o sujeito, o que propicia uma espécie de ciclo vicioso.

Por exemplo, uma simples busca confere muitas possibilidades, pois o resultado de uma delas pode levar a outras pesquisas diante da insatisfação ou da curiosidade e necessidade de outras informações.

Nesse movimento, no fim das contas o usuário nem percebe quanto tempo se dedicou àquela tarefa. Não raro, ele também se perde dentro dos próprios objetivos, questionando-se sobre o que era para ele fazer ou como foi parar naquela atividade.

Assim, quando se trata de uso excessivo da internet são necessárias algumas considerações. Para categorizar como excesso cabe avaliar não só a frequência e a intensidade, mas também, o contexto em que ocorre e a função desse comportamento.

O critério para que seja considerado um “problema” ou transtorno comportamental é o prejuízo em algum âmbito da vida do sujeito ou para aqueles com quem convive.

Avaliando a função dos excessos relacionados à rede virtual, é possível que pessoas que tenham escassez de atividades prazerosas na vida real ou excessos de vivências aversivas rotineiras encontrem na internet uma válvula de escape. Usada para esquivar-se do contato com problemas cotidianos ou mesmo para sentirem aquele prazer raro na vida real.

Diante disso, o desamparo quanto ao que fazer para enfrentar satisfatoriamente tais condições acabam propiciando o retorno ao mundo virtual.

Desse modo, as habilidades de enfrentamento e de resolução de problemas e habilidades sociais podem ficar restritas no repertório comportamental.

Como a maneira de se expressar na rede é diferente do “tête-à-tête”, algumas pessoas podem sentir dificuldades em fazê-lo nas interações físicas. O contato virtual excessivo pode fazê-las titubear diante dos sinais emitidos através do corpo, que diferem dos emoticons utilizados nos bate-papos.

Limites no uso da internet

Diante das dificuldades no estabelecimento de limites quanto ao uso da internet, cabe destacar o comportamento dos outros familiares ao utilizá-la.

Partindo do pressuposto de que há aprendizagem por imitação e que os pais são os grandes modelos dos filhos. A maneira como os pais fazem uso da tecnologia influenciará significativamente o modo de os jovens interagirem com ela.

Assim, talvez a resistência do filho em lidar com o excesso de horas na internet seja agravada pelo fato de o jovem observar que os outros familiares também ficam plugados.

Para tanto, em caso de crianças e adolescentes, cabem as orientações sobre como aproveitar a internet da melhor forma possível.

Por isso, permanecer na rede é mais interessante quando há tempo livree com qualquer finalidade, desde que orientado e supervisionado. E que, principalmente, não substitua o brincar. Delimitar os limites, assim como discutir em família as experiências virtuais também são importantes. Assim como os pais buscam conhecer os amigos dos filhos, cabe também saber quem são os amigos virtuais, os seguidores e assinantes.

Antes de tudo, é importante verificar a rotina do usuário: em quais momentos fica conectado; por quanto tempo; o que faz costumeiramente; como se relaciona com as pessoas; se há procrastinação de tarefas ou outros prejuízos; por quais tecnologias costuma se conectar, entre outros.

Aqui, como se percebe, é necessário um autocontrole para que realmente possa realizar outras tarefas corriqueiras.

Como evitar o excesso?

Se o acesso à internet não for restrito apenas ao computador, cabe eliminar outros acessórios que podem facilitar a fuga.

Por exemplo, não adianta desligar o modem ou o roteador para melhor se deter ao trabalho se outros equipamentos eletrônicos que acessam a rede  estão ao alcance das mãos. Ao passo disso, extinguir ou restringir possibilidades de evasão também são medidas válidas.

Se for imprescindível abrir e-mails ou redes sociais durante uma tarefa importante, uma medida paliativa é desativar o bate-papo. Pois diminuiria as chances de engajar-se em atividades distratoras.

Para o controle do impulso, a medida de riscar um pedaço de papel (anteriormente descrita) pode, com o passar do tempo, ser suficiente para o usuário perceber a fuga e logo retornar ao trabalho, interrompendo ou encurtando o ciclo.

Outra avaliação a ser feita é como está o seu relacionamento virtual e físico com as pessoas. Fazer amizades pela internet não é apenas ter um número bom de seguidores. Não é apenas se expor e ver outros no mesmo movimento: é saber fazer uso dessas informações.

As mesmas regras de convivência da vida real são válidas em relacionamentos virtuais. Respeito; cordialidade; fazer revelações espontâneas; ser empático, iniciar e encerrar adequadamente as conversações; elogiar, entre outras. E mais importante: trazê-los para o lado de cá do monitor, estabelecendo contato quando encontrá-los em ambientes sociais.

O uso moderado e habilidoso da internet traz ganhos em qualquer faixa etária. Facilita a aprendizagem; complementa os estudos; favorece oportunidades de emprego e derruba barreiras físicas na comunicação e na qualificação em qualquer parte do mundo.

Para consegui-los, cabe manejar estratégias, sobretudo no que tange ao autocontrole. No mais, cabe a orientação de sempre: procure um profissional de sua confiança para tornar seu comportamento na internet mais favorável ao seu cotidiano.

Inpa – Instituto de Psicologia Aplicada, Asa Sul, Brasília – DF, Brasil

 

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