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A depressão na adolescência

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Depressão é uma doença psiquiátrica crônica. O quadro é caracterizado por uma alteração de humor, uma tristeza profunda e uma falta de esperança.

O quadro depressivo afeta cada faixa etária de maneira diferente e, por isso, deve ser tratada com o foco específico para cada idade.

A depressão na adolescência é um tema com o interesse científico recente. Afinal, até a década de 70, acreditava-se que o quadro era raro nessa área. Atualmente, o tema é tratado como “comum” pela comunidade científica e pela sociedade. 

A doença foi reconhecida, primeiramente, pelo Instituto Nacional de Saúde Mental dos EUA, em 1975.

É visto que o número de casos depressivos em adolescentes aumentou e, também, estão ocorrendo cada vez mais cedo.

De acordo com dados de uma pesquisa, da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, o número de jovens com algum quadro depressivo teve um aumento de 37% nos últimos anos.

No entanto, os dados não são exclusivos dos Estados Unidos. Dessa forma, foi observado, também, um aumento no número de buscas por tratamentos de saúde mental em São Paulo.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que, no mundo, cerca de 10% a 20% dos adolescentes vivenciam problemas de saúde mental. Ademais, a depressão é um dos principais distúrbios que impacta os jovens.

E como é caracterizada essa doença no público juvenil? Quais são os principais sintomas e as principais formas de tratamento? Quais os fatores de riscos? Essas perguntas serão sanadas nos tópicos seguintes.

Efeitos da depressão na adolescência

É nesse período que o desenvolvimento social, o escolar e o pessoal está mais sensível e, além disso, ocorre de maneira fervorosa.

O período entre os 12 e 17 anos é considerado o mais preocupante e perigoso para o quadro de depressão na adolescência. Desse modo, os adolescentes são suscetíveis a apresentarem evoluções negativas mais rápidas.

Os sintomas, geralmente, são acompanhados por uma tendência ao consumo e à experimentação de substâncias, tais como o uso de álcool e drogas ilícitas. Portanto, aumenta-se o risco de atitudes extremas e, até mesmo, o risco do suicídio.

Principais características e sintomas da depressão na adolescência

É preciso se manter atento às principais características, porque os sintomas podem ser confundidos com as mudanças, comportamentais e emocionais, que são naturais da idade.

Mudanças de humor e comportamento como raiva, tristeza, e desânimo são comuns durante esse período e podem não apresentar um fator de risco. Porém, comportamentos persistentes são um sinal de alerta e observação.

Os sintomas podem variar de acordo com o gênero. Os meninos apresentam mais sinais de comportamento violento e atitudes desafiadoras, o que resulta numa maior incidência de atitudes ilícitas.

Por conseguinte, nas meninas os sinais de ansiedade, tédio, baixa autoestima e tristeza profunda são os sintomas mais presentes.

De acordo com a American Psychiatric Association, os sintomas se tornam preocupantes se apresentados na maior parte do dia e durante, no mínimo, duas semanas.

Dessa forma, os principais sintomas são:

  • Estado de espírito depressivo, agressivo ou ansioso com alta frequência.
  • Queda no interesse por atividades que eram, até então, de interesse pessoal.
  • Alteração do apetite, ou seja, perda ou ganho significativo de peso.
  • Baixa concentração.
  • Apatia ou sensação de “vazio”.
  • Agitação constante.
  • Insônia ou excesso de sono.
  • Pensamentos sobre morte, ideação suicida ou qualquer tentativa de atentado contra a própria vida.

Fatores de risco

Os episódios de depressão podem durar de meses até anos. Além disso, os sintomas podem se intensificar na ausência do tratamento adequado.

Pessoas que já apresentaram o quadro depressivo têm a maior probabilidade de manifestar um outro episódio de crise. E os quadros de depressão, na adolescência ou na infância, aumentam o risco da existência de outros distúrbios, como bipolaridade e transtornos alimentares.

Estudos afirmam que, depois da puberdade, o risco de depressão no sexo feminino é maior do que em relação ao sexo masculino. 

Ainda, ter parentesco com pessoas que apresentem o quadro de depressão aumenta, também, o risco do jovem ter a doença. O quadro é mais comum em adolescentes que apresentam doenças crônicas, por exemplo, as doenças cardíacas e o câncer. 

Por fim, os adolescentes que tiveram contato com abuso, violência, ou negligência na primeira infância, também, têm os riscos aumentados.

Tratamentos da depressão na adolescência

A busca por um tratamento especializado é a primeira forma de se obter uma melhora no quadro de depressão na adolescência.

Há diferentes formas de psicoterapia que são eficazes no tratamento da depressão juvenil. A terapia comportamental é uma das formas mais eficazes de psicoterapia e com os melhores resultados. 

Ademais, o apoio familiar e social são uma fator chave para a melhora da doença. Outros atitudes que ajudam no tratamento da depressão são:

  • Ter relacionamentos positivos e cercar-se de amigos.
  • Buscar terapias alternativas, como musicoterapia, acupuntura e meditação (mindfulness).
  • Praticar algum hobby ou esporte.
  • Procurar ter uma alimentação mais equilibrada e saudável.
  • Ter uma boa noite de sono. 
  • Buscar o auxílio do tratamento psiquiátrico e usar medicamentos.

A depressão na adolescência é uma doença comum e recorrente na sociedade atual. Portanto, o tratamento adequado e a conscientização dos sintomas aumentam, significativamente, os índices de qualidade de vida. 

Inpa – Instituto de Psicologia Aplicada, Asa Sul, Brasília – DF, Brasil

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