Blog

O que você precisa saber sobre Gagueira?

Gagueira

Você já deve ter visto o personagem dos Looney Tunes Gaguinho. É característico do personagem a repetição de sílabas e sons ao falar, além do discurso demorado. Mas você já se perguntou o que era exatamente a gagueira? Quais são suas causa?

Neste texto iremos mostrar o que é esse transtorno e maneiras de lidar com ele.

O que é?

A gagueira, ou disfemia, é um transtorno de fluência de fala, classificado no Manual de Diagnóstico Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V) como um transtorno de comunicação. Tal transtorno tem origem psicomotora, e é caracterizado pela repetição de sílabas ou sons e paradas involuntárias na hora da fala. Essas características comprometem fluência e comunicação verbal.

Pessoas gagas apresentam dificuldade em ter uma fala fluida, contínua e sem interrupções ou repetições. No entanto, é comum que em certas situações, o paciente com gagueira tenha uma fala fluente, como por exemplo, ao cantar, recitar um poema, imitar um sotaque ou atuar. 

Os primeiros sinais da gagueira começam a surgir aos 2 anos de idade. Normalmente, a gagueira atinge crianças até 6 anos de idade, sendo uma proporção de três meninos para cada menina. Cerca de 1% da população mundial, ou 70 milhões de pessoas, sofrem com gagueira. Ademais, segundo o Instituto de Brasileiro de Fluência, cerca de 5% da população brasileira tem esse transtorno. 

A gagueira é considerada o transtorno de fluência mais comum no mundo. Além dela, existem outros dois transtornos de fluência: taquilalia e taquifemia.

Taquilalia

A taquilalia é um transtorno de fluência caracterizado pela fala rápida, com “atropelamento” de palavras, que dificulta compreensão e entendimento do conteúdo por parte do ouvinte. A pessoa com taquilalia não tem tanta hesitação ou repetição de fonemas ao falar. Além disso, o discurso da pessoa não é confuso, apenas rápido.

Taquifemia

Da mesma maneira que a taquilalia, a taquifemia apresenta uma fala rápida. Porém, a taquifemia também é caracterizada pela hesitação e disfluência, além da falta de consciência do do transtorno. 

Ademais, as pessoas com taquifemia podem apresentar troca de letras na fala e na escrita, discurso confuso, dificuldade de leitura e escrita, hiperatividade e desatenção.

Sintomas

A principal característica da gagueira é a interrupção na fluência verbal. Entretanto, a disfemia tem outros sintomas e sinais perceptíveis desde a infância. São eles:

  • Repetição e prolongamento de sílabas, fonemas e sons;
  • Troca de palavra antes e durante a fala, por perceber que vai gaguejar;
  • Uso de interjeições para conectar as palavras e simplificação de frases;
  • Dificuldade em iniciar uma frase ou palavra;
  • Bloqueio de sons quando a pessoa não consegue articulá-lo;
  • Ansiedade, tensão muscular e estresse excessivo ao começar uma fala, palavra ou som;
  • Baixa autoestima;
  • Movimentos motores involuntários e tiques, como tremores nos lábios, piscar de olhos, tensões faciais, etc;
  • Isolamento social e redução da capacidade de comunicação.

É importante lembrar, como já foi dito antes, que é comum em algumas situações a pessoa com gagueira ter uma fluência normal da fala. Ainda, é normal que o paciente gago tenha um nível de timidez alto, com medo de passar vergonha ou de sofrer retaliação.

Causas

As causas da gagueira atualmente são consideradas multifatoriais, se manifestando na infância e persistindo na vida adulta. Os pesquisadores apontam que fatores ambientais, genéticos e sociais podem desencadear a disfemia. 

Na genética, existem pesquisas comprovando a presença de genes envolvidos no desenvolvimento da gagueira. Isso torna mais comum a presença de gagueira em certos núcleos familiares.

Por conseguinte, algumas condições médicas podem desencadear a disfemia. Pessoas que sofreram um AVC e lesões intracranianas podem ter gagueira como sequela do ocorrido. Ademais, crianças em ambientes familiares ou escolares desequilibrados e agitados, são mais propensas a se tornarem gagas.

Ainda, é importante ressaltar que foi comprovado por pesquisadores que problemas emocionais não são causa da gagueira. O que pode se considerar é o agravante que certos problemas e instabilidades emocionais podem trazer.

Grupos de risco

Assim como outros transtornos, a gagueira possui alguns grupos de risco, que são mais propensos a desenvolver a doença. O histórico familiar é o principal deles. Como a genética foi apontada como uma das causas da disfemia, pessoas que têm algum parente com o transtorno, tendem a aumentar as chances de ter gagueira. 

Por fim, ser do gênero masculino também são um agravante para a gagueira, já que o transtorno atinge mais homens do que mulheres. 

Diagnóstico da gagueira

Como foi dito no início do texto, cerca de 5% da população brasileira tem gagueira. Para fazer o diagnóstico, os sintomas da disfemia precisam persistir por mais de 8 semanas, ainda na infância. 

Muitas vezes o primeiro profissional a ser procurado pelos pais é o fonoaudiólogo. Esse é o profissional mais recomendado para o diagnóstico do transtorno. Ainda é preciso ressaltar que o diagnóstico tardio pode ser extremamente prejudicial para o desenvolvimento e tratamento da criança. 

Alguns sinais que podem ser alarmantes para a ida em um fonoaudiólogo são:

  • Persistência de sintomas e sinais por mais de 8 semanas;
  • Isolamento social;
  • Capacidade e habilidade de comunicação reduzidas;
  • Dificuldade visível em se comunicar e iniciar uma fala;
  • Surgimento de outros problemas de fala.

Quando chegar no consultório, os responsáveis pela criança já podem apontar comportamentos observados que sejam característicos da gagueira. Além disso, é importante apontar a presença ou ausência de familiares com o mesmo transtorno. 

O fonoaudiólogo, então, irá observar e contar o número de interrupções na fala, em um determinado intervalo de tempo. É feita também uma análise do ritmo e da naturalidade de fala.

Assim que for dado o diagnóstico, o tratamento deve ser iniciado.

Tratamento para disfemia

O tratamento da gagueira deve ser iniciado o quanto antes. O profissional que irá realizar o tratamento é o fonoaudiólogo. Psicólogo não pode tratar o transtorno já que ele não é considerado um transtorno emocional. Porém eles podem auxiliar no tratamento quando a criança apresentar quadros graves de ansiedade, baixa autoestima e isolamento social. 

As formas de tratamento para a disfemia são inúmeros, se adaptando de acordo com a demanda de cada paciente. A terapia de modificação da gagueira tem como objetivo diminuir os sintomas e sinais da gagueira. Por meio dela, o fonoaudiólogo incentiva a pessoa a falar mais devagar, regular a respiração e dizer sílaba por sílaba de palavras mais longas ou complexas. Essa terapia ainda auxilia a pessoa a diminuir a ansiedade ao falar em certa situações, como atender o telefone e manter contato de olho.

Já a terapia de promoção de fluência, o fonoaudiólogo instrumentaliza a pessoa com algumas técnicas que facilitam a fluência. Dessa forma, a criança fala de maneira mais suave e fluente. Nessa terapia, é preciso que a escola esteja envolvida como uma extensão do tratamento 

Ademais, o uso de aparelhos eletrônicos vem se tornando efetivo no tratamento da gagueira, com exercícios de fluência. Além disso, grupos de apoio e grupos de tratamento para as crianças auxiliam no tratamento, agindo como uma forma de suporte.

Por fim, é importante avisar que não existe um medicamento específico para o tratamento da gagueira. Apesar disso, alguns psicofarmacológicos, que agem no sistema neurológico central, podem diminuir os sintomas da gagueira. Porém, tais drogas podem ter efeitos colaterais significativos, que devem ser considerados antes de se iniciar o tratamento medicamentoso.

Cura

Caso o tratamento seja iniciado logo no início do surgimento do transtorno, a criança tem de 98% a 100% de reverter o quadro. Por isso a importância de um diagnóstico e tratamento precoce.

Quando mais tarde a gagueira for diagnosticada e tratada, menores as chances de reversão do transtorno, e maiores as chances da criança ter sintomas mais fortes e graves.

Dicas de como lidar e ajudar alguém com gagueira

Para as pessoas que convivem com crianças gagas, algumas ações e atitudes são essenciais para que o tratamento seja positivo. São elas:

  • Ouvir com calma e atenção à criança, demonstrando naturalidade;
  • Reservar um tempo para conversar com a criança, em um ambiente calmo e sem distrações;
  • Incentivar outros parentes a serem bons ouvintes, demonstrando interesse no que a criança fala;
  • Falar devagar, com calma e sem pressa com a criança, sem perder a naturalidade da fala.

Ainda é importante que os pais e responsáveis não repreendam a criança por conta de sua gagueira. A criança precisa se sentir aceita do jeito que ela é.

Inpa – Instituto de Psicologia Aplicada, Asa Sul, Brasília – DF, Brasil.

Você deve estar logado para postar um comentário.

×