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Ludoterapia: terapia da criança, princípios e resultados

ludoterapia

A ludoterapia ou terapia lúdica, é o método utilizado com o foco em crianças. Isso acontece pois a maioria das crianças não conseguem processar suas próprias emoções e explicar alguns problemas para os pais e outros adultos.

A prática é um tipo de abordagem terapêutica utilizada, normalmente, com crianças entre os 3 a 12 anos. 

Tudo é planejado para se tornar um ambiente em que a criança se sinta tranquila. Em razão disso, os jogos ficam em uma sala segura e confortável, onde há poucos limites e regras impostas aos pequenos.

ludoterapia

Dessa forma, é incentivada a liberdade de expressão para que o terapeuta consiga observar os comportamentos do paciente. 

O principal objetivo dessa abordagem é tornar a expressão dos sentimentos algo mais fácil e natural, de uma maneira mais saudável e sem causar traumas às crianças.

Assim sendo, aqui você encontrará:

  • A história da ludoterapia
  • O que é ludoterapia infantil?
  • Técnicas da terapia lúdica
  • Como a criança expressa suas emoções?
  • Quando procurar a terapia infantil? 
  • Terapia lúdica para adultos e
  • A eficácia da ludoterapia. 
história da ludoretapia

A história da ludoterapia

Embora algumas das primeiras teorias e métodos não sejam mais praticados, eles contribuíram para o avanço da terapia lúdica na medida em que, hoje, a ludoterapia é considerada uma abordagem terapêutica estabelecida e eficiente. 

Personalidades como Hermine Hug-Hellmuth, considerada como a primeira psicanalista do mundo a se especializar no tratamento de crianças, foi a primeira pessoa a usar a brincadeira como uma forma de terapia. 

Em 1921, ela introduziu um processo formal de terapia lúdica, fornecendo às crianças, sob seus cuidados, os materiais necessários para se expressar, defendendo o uso da brincadeira para analisar as crianças. 

Assim como Hermine, Melanie Klein, usou o lúdico como uma ferramenta analítica e também como um meio de atrair as crianças com quem trabalhava para a terapia. A psicóloga acreditava que a brincadeira fornecia informações sobre o inconsciente infantil.

Seguindo os passos de suas precursoras, Carl Rogers, desenvolveu a terapia centrada na pessoa durante as décadas de 1940 e 1950. Esse tipo de terapia enfatiza a importância da genuinidade, confiança e aceitação no relacionamento terapêutico.

Além disso, Virginia Axline, deu início aos estudos sobre a terapia não-diretiva por brincadeira, modificando a abordagem de Rogers em uma técnica de terapia por brincadeira mais apropriada para crianças.

O que é ludoterapia infantil?

A terapia lúdica é uma forma de terapia destinada principalmente para crianças. Isso ocorre porque as crianças podem não ser capazes de processar suas próprias emoções ou articular problemas aos pais ou a outros adultos.

Em geral, o terapeuta utiliza a ludoterapia como uma forma de observar os problemas que uma criança está passando e não consegue expressar em palavras, por meio de brincadeiras e jogos específicos. 

Assim sendo, por meio da brincadeira, a criança aprende maneiras de lidar com suas dificuldades e redirecionar comportamentos inadequados.

Vale salientar que terapia lúdica infantil, em geral, é uma técnica utilizada por profissionais da saúde mental, como psicólogos e psiquiatras. No entanto, pode ser praticada por:

A abordagem terapêutica foi criada na virada do século XX e atualmente a ludoterapia engloba uma série de métodos de tratamento. 

objetivo da ludoterapia

Quais são os objetivos da ludoterapia?

Na ludoterapia, as crianças aprendem brincando a como entender o mundo e seu lugar nele. É onde elas são livres para expressar seus sentimentos internos e emoções mais profundas. 

Os brinquedos podem atuar como símbolos e ter um significado mais amplo, objetivando uma maior compreensão dos pais e profissionais sobre a realidade e as motivações da criança ao tomar certas atitudes.

Como muitas vezes a criança não consegue se expressar adequadamente no mundo adulto, o terapeuta se junta à criança em seu mundo, em seu nível.

Enquanto brinca, a criança pode se sentir menos vigiada e mais apta a compartilhar seus sentimentos. Mas elas não são pressionados: podem fazê-lo em seu próprio tempo e com seu próprio método de comunicação.

A terapia lúdica varia de acordo com o terapeuta e as necessidades particulares da criança. Para começar, o terapeuta pode querer observar a criança brincando. Eles também podem querer realizar entrevistas separadas com a criança, pais ou professores.

Principais características da ludoterapia

Diferente da brincadeira regular, a terapia lúdica se baseia na maneira natural de como as crianças aprendem sobre si mesmas e sobre o mundo ao seu redor e, desse modo, solucionam seus problemas.

De forma simplificada, o brincar oferece um conforto psicológico ao tratar dos problemas e permite a expressão.

Ainda, mesmo que a ludoterapia seja mais indicada para crianças, há casos específicos de jovens e adultos que podem se beneficiar desse tipo de abordagem terapêutica. 

Esse tipo de terapia começa com um encaminhamento de algum profissional da saúde, seja da saúde mental ou da saúde física.

ludoterapia

Para quem é indicado?

Apesar da ludoterapia ser mais utilizada em crianças entre os 3 e 12 anos, essa abordagem terapêutica pode beneficiar pessoas de todas as idades.

A terapia lúdica é utilizada em diferentes circunstância e quadros, tais como:

  • atrasos no desenvolvimento;
  • problemas de aprendizagem;
  • procedimentos médicos;
  • doenças crônicas;
  • comportamentos inadequados ou agressivos;
  • situações familiares como: divórcio, morte, brigas;
  • situações traumáticas;
  • violência doméstica, abusos ou negligência;
  • ansiedade, depressão e outros quadros psicológicos;
  • transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e
  • transtorno do espectro autista (TEA).

Como funciona a Terapia Infantil?

A partir da brincadeira, o profissional consegue observar e compreender os sinais do indivíduo. Além disso, ela também é utilizada para ajudar crianças a entenderem sobre seus sentimentos, emoções difíceis e problemas, tais como:

  • separação dos pais;
  • perda de um ente querido;
  • problemas escolares;
  • problemas familiares e
  • abusos físicos e emocionais.

A ludoterapia tem como primazia a redução de danos ou traumas nas crianças, conduzindo a sessão de uma forma mais saudável.

Afinal, sabe-se que há uma lacuna comunicacional muito grande entre crianças e adultos. Por exemplo, a depender da idade, a criança não possui os mesmos recursos linguísticos de uma pessoa mais velha.

Todavia, os adultos podem ter dificuldade de entender ou interpretar mal os sinais verbais e não verbais dos pequenos.

Assim sendo, após uma avaliação completa feita pelo profissional, são estabelecidos um plano terapêutico e o objetivo principal.

São observados todos os elementos, desde como a criança reage à separação dos pais no momento da terapia, como eles brincam sozinhos e até como reagem quando os pais retornam.

Os brinquedos são uma forma reveladora de entender como a criança interage com eles e como o seu comportamento oscila em cada sessão.

Vale ressaltar que cada criança é única. Desse modo, a terapia é adaptada às necessidades de cada um dos pacientes. 

O terapeuta também pode pedir para os pais, irmãos ou outros membros da família entrarem nas sessões. Isso é denominado como terapia filial e pode ajudar a resolver conflitos da família, promover soluções e melhorar a comunicação familiar.

Por fim, a medida que a terapia progride, o plano e os objetivos podem ser mudados ou finalizados.

técnicas da ludoterapia

Técnicas da terapia lúdica

A ludoterapia é dividida em dois tipos básicos:

  • não-diretiva e
  • diretiva. 

A terapia não-diretiva é considerada um método não-invasivo e com pouca interferência do profissional, visto que as crianças trabalham ‘’sozinhas’’ para construir as próprias soluções para seus problemas. A terapia lúdica não-diretiva é conhecida também como terapia psicodinâmica.

Já a terapia diretiva é um método em que o terapeuta dá mais orientação e auxílio. Desse modo, à medida que a criança passa por dificuldades, o terapeuta interfere e age conforme à necessidade da criança. 

1- Terapia Lúdica Não-diretiva

A ludoterapia não-diretiva é guiada pelo ideal de dar a chance da criança brincar livremente. Sob condições terapêuticas, os pequenos podem resolver seus problemas e trabalhar em suas próprias soluções. 

A terapia não-diretiva é considerada não-intrusiva, porque possui poucas condições de contorno. Ainda disso, ela é a mais utilizada em outras idades, não somente na fase infantil.

De acordo com estudos, essa terapia tem origem na psicoterapia não-diretiva de Carl Rogers. Em seguida, as teorias de Rogers foram adaptadas para a terapia infantil por Virginia Axline.

Após esse acontecimento, foram criadas diferentes técnicas para esse tipo, como a terapia com areia e a terapia familiar.

2- Terapia Lúdica Diretiva

A terapia diretiva, diferente da não-diretiva, utiliza diretrizes para guiar o paciente através da brincadeira, e muitos afirmam que causa uma mudança mais rápida. 

Ainda, nesse tipo, o terapeuta tem uma função maior na ludoterapia. Afinal, pode-se usar diversas técnicas para envolver a criança, como brincar junto à ela ou sugerir outras brincadeiras. 

Ademais, histórias infantis lidas pelos terapeutas têm maiores chances de apresentarem um significado subjacente e o terapeuta tem maior abertura para entender as interpretações contadas pela criança.

Portanto, o terapeuta está bastante presente. E diferente da terapia não-diretiva, onde os jogos são decididos pela criança, na terapia diretiva, normalmente, os jogos são pré-determinados para cada paciente. 

Porém, apesar da terapia diretiva exigir o auxílio do terapeuta, ainda há espaço para a expressão da criança.

jogos eletronicos

3- Jogos eletrônicos

Em virtude da grande popularidade dos videogames e jogos onlines, nos últimos anos foram criados estudos psicológicos sobre eles.

Apesar da maior parte dos estudos terem o foco em temas como violência e vício, alguns profissionais da saúde mental utilizam esses jogos como uma forma de ferramenta terapêutica.

Além disso, mesmo que a maioria dos jogos sejam destinados apenas ao prazer, há jogos desenvolvidos apenas para a manutenção da saúde e do aprendizado. 

O uso de jogos por psicólogos e médicos é uma prática nova. Em virtude disso, os riscos e benefícios ainda não estão bem definidos, entretanto, podem surgir com a popularização do método. 

Por fim, grande parte das pesquisas relacionados aos jogos eletrônicos em ambientes de terapia, confirmam que essa prática ajuda na diminuição dos sintomas de depressão, principalmente em adolescentes. 

Alguns jogos eletrônicos comuns utilizados para a terapia são:

  • os de concentração e aprendizado;
  • jogos de RPG e
  • jogos de simulação de vida, como The Sims.

Como a criança expressa as suas emoções?

Assim como os adultos, as crianças também experimentam sentimentos complexos. Elas ficam frustradas, animadas, nervosas, tristes, com ciúme, assustadas, preocupadas, felizes e envergonhadas.

No entanto, crianças pequenas geralmente não possuem o vocabulário adequado para falar sobre como estão se sentindo. Em vez disso, elas comunicam seus sentimentos de outras maneiras.

As crianças podem expressar seus sentimentos através de expressões faciais ou com comportamentos e brincadeiras.

Entretanto, em determinadas vezes podem expressá-los de maneira física, de forma inadequada ou problemática.

A partir do momento em que nascem, as crianças começam a aprender as habilidades emocionais necessárias para identificar, expressar e gerenciar seus sentimentos.

Elas aprendem como fazer isso através de suas interações sociais e relacionamentos com pessoas importantes em suas vidas, como pais, avós e irmãos. 

Ser pai ou mãe significa que você tem um papel realmente importante a desempenhar, ajudando as crianças a entenderem seus sentimentos e comportamentos. É preciso mostrar às crianças como gerenciá-los de maneira positiva e construtiva.

quando procurar

Quando procurar terapia infantil?

A terapia para crianças deve ser procurada quando ela apresenta déficits sociais ou emocionais significativos, que atrapalham de maneira considerável seu desenvolvimento. 

Mais do que isso, é apropriada para crianças que sofrem ou testemunham eventos estressantes em suas vidas, como uma doença grave ou hospitalização, violência doméstica, abuso, trauma, crise familiar ou uma mudança perturbadora em seu ambiente. 

A terapia lúdica deve ser considerada para ajudar crianças com problemas acadêmicos e sociais, dificuldades de aprendizagem, distúrbios comportamentais, ansiedade, depressão, tristeza ou raiva exageradas, bem como aquelas com déficit de atenção ou que possuem o espectro do autismo.

Terapia lúdica para adultos

A ludoterapia não é apenas utilizada para crianças. Afinal, brincar não é apenas para os pequenos. Dessa forma, adolescentes e adultos também podem ter dificuldades para expressar seus sentimentos. 

Ademais, há casos específicos, como autismo e Síndrome de Down, em que a ludoterapia pode ser um recurso usado durante toda a vida.

Portanto, os adultos que podem se beneficiar dessa abordagem terapêutica são aqueles que têm casos diagnosticados de:

Além disso, a terapia lúdica pode ser utilizada como uma forma de terapia complementar, como a arteterapia e musicoterapia.

ludoterapia para idosos

Ludoterapia para idosos

Embora tenha sido desenvolvido na década de 1920 basicamente para o tratamento de crianças, a ludoterapia também pode ser realizada para adultos e idosos.

Pesquisas têm demonstrado a eficácia da terapia lúdica como uma técnica terapêutica válida em pessoas de todas as idades. 

O lúdico incentiva os idosos a se moverem, aumentando assim sua função corporal e habilidades funcionais. 

A terapia lúdica pode ser realizada com um adulto de maneira individual ou em grupo. Quando realizado em grupo, há mais interação social e ambiente competitivo, que incentiva os adultos mais velhos a se destacarem. 

Várias técnicas terapêuticas podem ser implementadas durante o processo, como arte, dança, leitura e desenhos.

Ludoterapia para crianças com autismo

As brincadeiras podem trazer bons resultados e benefícios terapêuticos para as crianças no espectro do autismo.

A inclusão de estruturas e regras em um jogo, por exemplo, se torna uma ferramenta poderosa para desenvolver e estimular habilidades, desde motoras, de coordenação, comunicação, audição e habilidades sociais.

Desse modo, brincar é interagir com os outros de maneira cooperativa e competitiva, comunicar necessidades e desejos, criar estratégias, interpretar as intenções dos outros e revezar-se, aprendendo a dar lugar ao próximo e entender sua posição.

eficácia da ludoterapia

A eficácia da ludoterapia

A terapia lúdica provou ser uma abordagem terapêutica eficaz para pessoas de todas as faixas etárias, embora os menores respondam particularmente melhor a esse tipo de tratamento. 

Os terapeutas podem empregar várias diretrizes e práticas no tratamento, a fim de promover os maiores benefícios para as pessoas sob seus cuidados.

Ao trabalhar com uma criança, um terapeuta pode fornecer terapia adjuvante para adultos que desempenham papéis-chave na vida da criança. 

Durante a terapia, o terapeuta normalmente enfatiza a promoção da saúde mental e o desenvolvimento psicossocial, explicando os planos de tratamento para a pessoa que recebe o tratamento e os responsáveis ​​legais da criança, se necessário. 

Os terapeutas também podem coordenar o tratamento com médicos ou outros profissionais de saúde para garantir que o bem-estar da criança continue sendo a prioridade do tratamento.

Por isso, esteja aberto e considere esse tipo de terapia para seus filhos, sobrinhos, netos e outras crianças à sua volta!

Inpa – Instituto de Psicologia Aplicada, Asa Sul, Brasília – DF, Brasil.

Fábio Augusto Caló

@fabiocalo - Psicólogo pelo UniCEUB e mestre em Análise do Comportamento pela UnB. Atua desde 1998 como clínico, atendendo adultos e casais. Há duas décadas, tem realizado atendimentos, principalmente, na área da conjugalidade, da sexualidade e dos transtornos de ansiedade. Tem se interessado e pesquisado sobre assuntos atuais como "dependência de internet", "vício em pornografia", "traição online", dentre outros. É palestrante e instrutor de cursos de desenvolvimento pessoal e cursos dirigidos a profissionais da saúde.

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