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Medo de morrer: como enfrentar em tempos de pandemia

tanatofobia

Ter medo de morrer é algo tão natural quanto a certeza de que todos nós partiremos um dia. Porém, mesmo com esta certeza, é normal que muitas pessoas tenham medo da morte.  

Dessa forma, mesmo sendo desconhecido para a maioria das pessoas, o medo de morrer possui um nome específico: tanatofobia. 

No entanto, você sabia que existem maneiras de superar o medo de morrer e até de lidar com este sentimento de forma mais eficaz? 

Sabemos que este medo pode ser causado por questões diferentes dependendo de pessoa para pessoa.

Algumas têm medo de morrer e deixar o mundo, medo de abandonar seus parentes em uma situação ruim (ou de que eles sofram demais), outros têm medo de sofrerem durante a morte, alguns temem o desconhecimento do que acontece após a morte, se há vida após esta passagem.

Além de todas essas questões, a falta de diálogo sobre esse assunto também coopera para que as pessoas enxerguem a morte como um tabu, e acabam por temê-la a vida inteira. 

Entretanto, neste momento, mais do que nunca, as pessoas estão sujeitas a sentirem mais medo de morrer por causa das incertezas trazidas pela pandemia e dos muitos casos de vítimas fatais da Covid-19.

E como enfrentar esse medo neste período tão difícil?

Para te ajudar a superar essa angústia, apresentamos aqui:

  • Pandemia e o medo da morte;
  • Qual a origem do medo da morte?;
  • Ansiedade e o medo de morrer;
  • Medo de morrer e síndrome do pânico;
  • Medo de morrer em situações específicas; 
  • Há relação entre depressão e o medo de morrer?;
  • Como superar o medo da morte – tratamento e
  • Terapia online no tratamento da Tanatofobia.

Pandemia e o medo da morte

É evidente que a Covid-19 redirecionou a atenção do mundo, ainda que brevemente, para a natureza transitória da vida. A ameaça de morte paira no ar, e muitas pessoas temem o pior.

O medo vem de dois lugares: o que sabemos e o que não sabemos. A maioria dos medos por coronavírus neste momento pertence ao último campo.

Daqui a um ou dois anos, esse coronavírus não será mais designado como “romance”. Os membros da comunidade médica neste momento estão descobrindo o problema e, no devido tempo, converterão o medo desconhecido em um medo conhecido, criando o regime de tratamento mais eficaz, que pode ou não incluir uma vacina.

Mas, por enquanto, esta pandemia domina o mundo à vontade, e ninguém sabe ainda como pará-la.

Quando confrontados com doenças ou males assustadores, as pessoas geralmente tentam atenuar seus medos fazendo as contas, calculando as chances de morte ou ferimentos graves e decidindo como se sentir com essas probabilidades.

Em uma pesquisa feita sobre a pandemia de coronavírus, publicada na revista médica The Lancet Infectious Diseases, sugere que haja uma taxa de mortalidade de 0,66%. Em outras palavras, de cada 100.000 pessoas que contraem o vírus, 660 morrem.

Compare essa proporção com a gripe normal, que mata cerca de 100 em 100.000: a Covid-19 é várias vezes mais mortal que a gripe, e pesquisadores médicos dizem que, assim como o vírus influenza, que é o vírus da gripe, ele também pode retornar sazonalmente.

Devido à essa e tantas outras preocupações, a pandemia tem se tornado o maior temor coletivo dos últimos tempos.

medo da morte

Qual a origem do medo da morte?

Normalmente, a sensação de estar em perigo ocorre durante situações de estresse, desencadeando assim um pico de ansiedade

Assim que o perigo é descartado, geralmente, o indivíduo volta ao normal.

Todavia, para algumas pessoas, o alarme continua ligado, e estas continuam a se comportar e se sentir em perigo constante. 

Tal estresse prolongado pode destruir a rotina da pessoa, seus relacionamentos e vida social.

O ser humano é resultado de sua hereditariedade física e social, logo, em cada geração vivida, homens e mulheres receberam características, hábitos e demais transformações genéticas que influenciam diretamente no sentimento de medo que algumas pessoas têm da morte.

Além disso, as diferentes culturas espalhadas pelo mundo também possuem efeito significativo sobre a origem desse medo.

O que é Tanatofobia?

A origem da palavra tanatofobia vem do grego ‘’Tânato’’, nome da divindade grega que representava a morte e “fobia” que deriva do termo grego “fobos”, que significava “medo, medo de pânico, terror, demonstração externa de medo; objeto de medo ou terror”.

Essa palavra também deriva de um termo no idioma indo-europeu mais antigo, que significa “correr”. 

Dessa forma, a tanatofobia é uma fobia caracterizada pelo medo irracional e exagerado da morte. As pessoas com essa fobia temem morrer e perder pessoas queridas para a morte, porém, de maneira descontrolada. 

É natural que alguém se preocupe com sua própria saúde à medida que envelhece. Também, é comum alguém se preocupar com seus amigos e familiares depois que eles se vão, tendo em vista a espiritualidade e as diversas religiões.

No entanto, em algumas pessoas, essas preocupações podem se transformar em preocupações e medos mais problemáticos.

Não há nenhuma anormalidade no fato de que as pessoas não possuem pensamentos agradáveis em relação à morte, porém, aqueles que sofrem de tanatofobia ficam estressadas e obcecadas só de pensarem no assunto ou quando se veem situações em que a morte pode acontecer. 

Esse tipo de fobia pode interferir na maneira que o paciente vive, já que dependendo do grau, ele pode evitar até mesmo sair de casa com medo de morrer.

Assim como outras fobias, a causa da tanatofobia pode estar relacionada com experiências traumáticas ou a maneira que a pessoa foi criada. 

Ainda, a tanatofobia pode estar relacionada com a necrofobia, que é o medo de representações da morte ou imagens relacionadas a morte, como cemitérios, funerais, lápides e caveiras.

Sintomas da Tanatofobia

Os sintomas de tanatofobia podem não estar presentes o tempo todo. De fato, você só pode perceber os sinais e sintomas desse medo quando e se começar a pensar em sua morte ou na morte de um ente querido.

Mas, esses sintomas podem ser similares aos sintomas de qualquer outra fobia, como:

  • sudorese e calafrios;
  • boca seca;
  • taquicardia e palpitações;
  • náuseas;
  • falta de ar e sensação de asfixia;
  • pressão baixa;
  • agitação incomum;
  • dormência e formigamento;
  • dor de cabeça ou enxaqueca;
  • aumento da ansiedade;
  • dores no estômago e
  • maior sensibilidade a temperaturas quentes ou frias.

Um outro sinal que é possível ver em pessoas com tanatofobia é a chamada ansiedade da morte. Essa ansiedade é causada pelo pensamento de morte, que deixa a pessoa sempre em alerta, acarretando, muitas vezes, em crises.

Quando episódios de tanatofobia ainda estão no início ou começam a piorar, a pessoa também pode experimentar vários sintomas emocionais, incluindo:

  • evitar amigos e familiares por longos períodos de tempo;
  • raiva;
  • tristeza;
  • angústia;
  • culpa e
  • preocupação persistente.

Como é realizado o diagnóstico da Tanatofobia?

Não é fácil diagnosticar uma pessoa com tanatofobia, porque muitas vezes a fobia pode ser confundida com um sintoma de transtorno de ansiedade, bipolaridade ou depressão. 

Por isso, é importante que o paciente tenha uma boa auto-observação para que ele informe ao psicólogo ou psiquiatra o que realmente sente.

É comum também que as características e os sinais da tanatofobia sejam confundidos com doença de Alzheimer e esquizofrenia.

Além disso, a tanatofobia não é uma condição clinicamente reconhecida. Não há testes que possam ajudar os psicólogos a diagnosticar essa fobia. Mas, com certeza, fazer uma lista de seus sintomas dará aos profissionais uma melhor compreensão do que você está sentindo.

Devido à isso, em muitos casos o diagnóstico mais comum é de ansiedade, pois o profissional, observará que a ansiedade decorre do medo da morte ou do morrer.

Algumas pessoas com ansiedade apresentam sintomas por mais de 6 meses. Eles também podem sentir pavor ou se preocupar com outros problemas.

Ansiedade e o medo de morrer

Muito associada à tanatofobia, a ansiedade normalmente é considerada um de seus principais sintomas.

O excessivo medo de morrer ou de presenciar a morte de alguém sempre vem acompanhado da ansiedade, que é a sensação constante de preocupação sobre situações que virão a acontecer, sejam elas boas ou ruins. 

Além disso, a ansiedade causada pelo repetitivo pensamento em relação à morte, é muito comum em idosos e pessoas que estão lidando com doenças terminais ou muito graves, pois a todo momento imaginam que a morte chegará e impossibilitará que a pessoa se despeça de entes queridos e volte a praticar as atividades que mais gosta.

A ansiedade análoga ao medo de morrer, pode causar extrema introspecção e resultar na ausência de diálogos ou interação sobre qualquer coisa relacionada à morte.

Medo de morrer e síndrome do pânico

A síndrome do pânico (também conhecida como transtorno do pânico) é um dos transtornos de ansiedade mais comuns na atualidade. Sendo assim, também possui como um dos seus sintomas o medo de morrer.

Quando acometidas por esse transtorno, as pessoas são capazes de possuir a sensação de que há uma arma apontada para a cabeça, como se a morte já fosse eminente. 

Dessa forma, durante o ataque de pânico, em geral de curta duração, a pessoa experimenta a nítida sensação de que vai morrer, ou de que perdeu o controle sobre si mesma e vai enlouquecer.

Medo de morrer em situações específicas

Ao contrário da tanatofobia, algumas pessoas apresentam o medo de morrer apenas em situações específicas, não o tempo todo. As situações mais comuns em que tememos a morte, são:

Medo de morrer dormindo

De acordo com a American Sleep Association (ASA), de 50 à 70 milhões de estadunidenses têm um distúrbio do sono e quase 40% deles sofrem de insônia.

Entre esses distúrbios, destaca-se a somnifobia, que é o medo agudo de adormecer, contrariando o instinto natural. Por causa de fatores externos, muitas pessoas desenvolvem traumas que maculam a composição de sua mente.

Neste caso, um indivíduo teme adormecer, ainda que precise de repouso, imaginando que um grande mal atingirá ele, incluindo a morte.

Assim sendo, muito provavelmente, as pessoas que têm medo de morrer dormindo possuem somnifobia.

Medo de morrer jovem

Medo muito comum, o medo de morrer jovem traz consigo muitos fatores.

Um deles – considerado o principal, é o pavor que temos só em pensar que, se morrermos jovens, não poderíamos aproveitar a vida como desejamos.

Os jovens que possuem esse medo acham que estão em desvantagem em relação àquelas pessoas que são mais velhas, pois essas já possuem experiência de vida e já viveram por anos, ao contrário dele.

Para quem possui esse medo, é necessário que se faça uma reflexão: porque desperdiçar essa vida que você tanto valoriza, permanecendo obcecado com a morte? Apenas curta a sua boa fase e não permita que esse tipo de preocupação te abale.

Medo de morrer sozinho

Mais propenso em acometer pessoas que moram sozinhas, como viúvos(as), pessoas que não têm parceiros(as) e nem filhos, e indivíduos que moram longe dos parentes, o medo de morrer sozinho também é muito comum.

Entretanto, se pararmos para pensar melhor, a maioria das pessoas vai morrer sozinha: ninguém faz a passagem junto com você, a menos que seja uma doença coletiva ou um acidente que envolve muitas pessoas.

Você pode estar cercado por 100 pessoas quando morrer e ainda estará sozinho. Então, realmente importa se você acaba tendo um marido ou um melhor amigo ao seu lado? De modo nenhum.

Além disso, você provavelmente não vai se preocupar em ficar solteiro(a) quando estiver enfrentando a morte.

Há relação entre depressão e o medo de morrer?

Sabemos que a depressão é uma doença psiquiátrica crônica e recorrente, que produz uma alteração do humor caracterizada por uma tristeza profunda, sem fim, associada a sentimentos de dor, amargura, desencanto, desesperança, baixa autoestima e culpa, assim como a distúrbios do sono e do apetite.

Assim sendo, todas essas emoções e sentimentos juntos e ocorrendo em um mesmo período, podem resultar na infeliz vontade de morrer, consequência do pensamento de que só assim é possível acabar com todo o sofrimento.

Entretanto, mesmo que hajam muitos casos, é necessário entender que em muitas vezes, dar fim à vida não é sinônimo de ausência de sofrimento, pois mesmo que a pessoa se vá, todos os outros que a amam continuarão sofrendo.

Por isso, é extremamente importante fazer acompanhamento psicológico e tomar os remédios prescritos para que, dessa forma, a dor e o sofrimento realmente fiquem no passado.

Como superar o medo da morte? – Tratamento

Quando antes for feita uma análise sobre quais são os sentimentos e os motivos que causam o medo da morte, melhor será para a pessoa que sofre com isso.

O tratamento pode ser feito por um psicólogo que irá auxiliar o paciente a entender as causas da fobia e como lidar com ela. 

Ademais, a terapia é serve para tratar todas as angústias e anseios da pessoa, sendo feita de forma gradual, no ritmo do paciente e recomendada para quem possui e não possui o medo de morrer.

Por fim, caso os sintomas sejam muito fortes, é possível que o paciente precise fazer uso de psicofarmacológicos, prescritos por um psiquiatra ou neurologista.

O que fazer em momentos de crise?

Quando os momentos de crise chegam, a primeira sensação que temos é de descontrole da situação.

Por isso, listamos algumas ações que você pode tomar para tentar controlar a crise:

  • beba água;
  • procure ter uma boa noite de sono;
  • saia para tomar um ar;
  • conte até dez;
  • respire fundo e pausadamente;
  • procure ajuda se achar necessário.

Terapia online no tratamento da Tanatofobia

Conclusão: mesmo que hajam muitas formas de temer a morte, e que em alguns casos a tanatofobia seja mais comum, fazer terapia sempre é a melhor solução. 

Entretanto, neste período de pandemia, a terapia online pode te auxiliar a enfrentar todos os desafios que a quarentena nos trouxe.

Permitir-se ter uma chance de experimentar a terapia online para tratar o medo de morrer, é uma bela forma de demonstrar amor por si mesmo e preocupação com o seu próprio bem-estar.

Além disso, quando você faz uma boa ação para você mesmo, também agrada àqueles que te amam e prezam pela sua saúde.

Por isso, não deixe de procurar ajuda: faça terapia e veja como você aprenderá a lidar melhor com todas as questões da vida.

Inpa – Instituto de Psicologia Aplicada, Asa Sul, Brasília – DF, Brasil.

Fábio Augusto Caló

@fabiocalo - Psicólogo pelo UniCEUB e mestre em Análise do Comportamento pela UnB. Atua desde 1998 como clínico, atendendo adultos e casais. Há duas décadas, tem realizado atendimentos, principalmente, na área da conjugalidade, da sexualidade e dos transtornos de ansiedade. Tem se interessado e pesquisado sobre assuntos atuais como "dependência de internet", "vício em pornografia", "traição online", dentre outros. É palestrante e instrutor de cursos de desenvolvimento pessoal e cursos dirigidos a profissionais da saúde.

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