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Síndrome de Tourette

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Essa síndrome não é muito familiar para muitas pessoas. De cada 360 crianças e adolescentes, entre 6 e 17 anos, uma é diagnosticadas com Síndrome de Tourette.

A falta de informação e a pouca visibilidade dada a essa síndrome tornam o cotidiano do paciente difícil por causa do preconceito. 

Portanto, para entender um pouco mais sobre a Síndrome de Tourette, continue lendo o texto.

O que é?

A Síndrome de Tourette (ST) é um transtorno neuropsiquiátrico que tem como característica tiques motores ou vocais, que persistem por mais de um ano. 

O primeiro caso registrado dessa síndrome foi no ano de 1825, pelo médico francês Jean Itard ao examinar a Marquesa de Dampierre. Em 1884, o neurologista George Gilles de la Tourette estudou oito pacientes do Hospital de Salpêtrière, e constatou que o caso descrito por Itard e os seus casos estudados eram pertencentes à mesma síndrome. Por isso foi dado à síndrome o nome Síndrome de Tourette

Os tiques muitas vezes surgem na infância e começam como motores. Entretanto, depois de um tempo, esses tiques variam a cada semana ou mês, com intensidades variáveis. Além disso, os tiques podem piorar se a pessoa estiver sob estresse.

Ademais, muitos pacientes são diagnosticados com outros transtornos além da Síndrome de Tourette. Alguns desses transtornos são:

  • Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC).
  • Gagueira.
  • Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).
  • Transtornos de aprendizagem.

Sintomas da Síndrome de Tourette

O principal sintoma da Síndrome de Tourette são os tiques. Estima-se que 80% dos casos, os tiques são motores, como franzir a testa, balançar a cabeça ou contrair algum músculo do corpo.

Já os tiques sonoros podem ser ruídos e evoluir para emissão parcial ou total de palavras. Ademais, os sintomas mais conhecidos são o uso não voluntário de palavras (coprolalia) e gestos (copropraxia) obscenos, a repetição de palavra ou frase dita por outra pessoa (ecolalia), e a emissão de insultos. 

Com muito esforço, alguns pacientes conseguem suprimir esses tiques, mas isso causa um extremo desconforto a eles. Da mesma maneira que é aliviante piscar depois de ficar muito tempo com os olhos abertos, é um alívio para as pessoas com a Síndrome de Tourette “emitirem” esses tiques.

É preciso lembrar ainda que esses sintomas podem levar o paciente a ter um alto nível de estresse, sofrimento e frustração. As pessoas com Síndrome de Tourette também podem se sentir desconfortáveis no meio social, e isso faz com que elas desenvolvam fobia social, ansiedade e irritabilidade.

Diagnóstico da Síndrome de Tourette

O diagnóstico da Síndrome de Tourette é clínico. Ele pode ser feito por um psiquiatra, psicólogo ou neuropediatra e quanto mais cedo for feito, melhor.

Adiar a ida em um médico pode trazer prejuízos para a vida do paciente. Porque quanto mais tarde for dado o diagnóstico, mais tarde começará o tratamento da Síndrome de Tourette.

Alguns critérios que o paciente precisa ter para ser diagnosticado com Síndrome de Tourette são:

  • Diversos tiques motores e um ou mais tiques vocais que se manifestem durante um tempo.
  • Os tiques precisam acontecer quase todos, ou todos os dias, num período de tempo de três meses no mínimo, múltiplas vezes ao dia.
  • Todos os sintomas precisam se manifestar antes dos 18 anos.

Tratamento para Síndrome de Tourette

A Síndrome de Tourette não tem cura. A combinação de remédios e psicoterapia ajudará o paciente a ter um maior controle de seus tiques. 

Antes de começar qualquer tipo de tratamento, é preciso fazer uma avaliação criteriosa dos tiques. A localização, a frequência, a intensidade, a complexidade e o modo que os tiques interferem na vida da pessoa são alguns pontos a serem avaliados. Por fim, é feito uma espécie de estudo do caso para averiguar se existe necessidade do uso de medicamentos.

O tratamento psicoterapêutico não é só para o paciente. As sessões de terapia, principalmente comportamental, vão orientar os pais e familiares, amigos e professores. Por isso, quanto mais informações sobre a síndrome forem disseminadas, melhor a qualidade de vida do paciente. No entanto, a eficácia tanto do medicamento e da psicoterapia depende de cada caso.

A Intervenção Comportamental Abrangente para Tiques (CBIT) se mostrou muito eficiente para o tratamento dos tiques. Esse tratamento é feito com psicoterapeutas da área de terapia comportamental e não faz uso de medicamentos. O CBIT tem três importantes pontos:

  • Treinar o paciente para que ele fique mais atento aos seus tiques e quando eles acontecem.
  • Treinar os pais para que tenham um comportamento que concorra com os tiques.
  • Fazer mudanças nas atividades do dia a dia para que possam ser úteis na redução dos tiques.

Além disso, uma maneira de aliviar o estresse causado pela Síndrome de Tourette é através do esporte. A yoga e a meditação também são práticas recomendadas para o alívio de estresse.

É importante lembrar ainda que o tratamento precoce é fundamental. Isso se deve ao fato de que quanto antes se começar o tratamento, melhor será o desempenho escolar e a qualidade de vida do paciente. 

Por fim, como último recurso, existem cirurgias para casos muito graves. A finalidade do procedimento é aliviar alguns sintomas motores. Isso é feito “desligando-se” uma parcela de nervos do paciente. 

Inpa – Instituto de Psicologia Aplicada, Asa Sul, Brasília – DF, Brasil

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