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Tédio: 5 dicas do que fazer durante a quarentena

tédio

É inegável que o isolamento imposto pela pandemia, nos trouxe uma nova realidade. Entretanto, o que fazemos com o tédio que vez ou outra surge, já que não podemos sair de casa?

Dessa maneira, tendo em vista a atmosfera de incerteza que estamos vivendo, tomar medidas de precaução visando o bem comum e individual é o mínimo a se fazer, sejam pequenas ou grandes medidas.

Respeitar e incentivar os outros a cumprirem a quarentena – medida de precaução recomendada não só pelo Ministério da Saúde brasileiro, mas também e principalmente pela Organização Mundial da Saúde (OMS), é um grande exemplo de cooperação coletiva.

Sendo assim, procurar se manter ativo mesmo que dentro de casa, é o primeiro passo para tentar garantir que a vida siga normalmente dentro do que está ao alcance de cada um.

Por isso, neste artigo você confere:

  • A história da quarentena;
  • O que é o tédio para a Psicologia?;
  • Sintomas do tédio;
  • 5 dicas para se livrar do tédio;
  • Os tipos de tédio;
  • Tédio e as doenças mentais;
  • Como o tédio pode afetar sua qualidade de vida? e
  • Coronavírus e a Covid-19.

A história da quarentena 

A prática da quarentena, como a conhecemos, começou durante o século XIV, em um esforço para proteger as cidades costeiras de alguns países da Europa das epidemias de peste. 

Os navios que chegavam a Veneza com pessoas infectadas eram obrigados a permanecer ancorados por 40 dias antes do desembarque.  

Essa prática, chamada quarentena, é derivada das palavras italianas quaranta giorni, que significam ‘’40 dias’’.

Mas toda quarentena dura 40 dias?

Questionamento muito comum, apesar da palavra ”quarentena” remeter naturalmente a 40 dias, nem toda quarentena dura todo esse tempo. 

A que vivemos hoje, por exemplo, inicialmente foi definida de sete a 14 dias, apesar de os governos já estarem conversando sobre a possibilidade de estender o número de dias.

De forma resumida, a quarentena é quando as autoridades impõem restrições com relação ao funcionamento de estabelecimentos comerciais e serviços para impedir que pessoas transitem pelas ruas, visando a preservação da saúde da população.

O que é o tédio para a Psicologia? 

Para que haja tédio, há algumas condições que precisam ser atendidas para que as pessoas realmente se sintam entediadas.

Entretanto, de modo geral,  é necessário ter um nível razoável de energia ou “excitação psicológica’’ para se sentir entediado(a), ou seja, precisamos inicialmente possuir a vontade de fazer algo. Afinal, quando as pessoas têm baixa excitação e não há muita coisa acontecendo no mundo, geralmente se sentem relaxadas. 

Já quando possuem alta excitação e também têm energia que gostariam de dedicar a algo, mas não conseguem encontrar nada atraente, se sentem entediadas. 

O elemento-chave

Para a Psicologia, o elemento-chave para reconhecer o tédio é o controle. O tédio geralmente ocorre quando você tem pouco controle sobre sua situação. Salas de espera, palestras e portões de companhias aéreas são lugares onde você as vezes não possui o controle da situação. 

Normalmente, reagimos a situações desagradáveis ​​e tentamos mudar aquele momento de descontrole. Se você não gosta de um livro que está lendo, por exemplo, fecha-o e faz outra coisa.

 O tédio acontece quando você não consegue mudar a situação e não encontra uma saída.

Sintomas do tédio

As pessoas identificam e experimentam o tédio de maneiras diferentes. Em alguns casos, o tédio pode ocorrer devido a:

  • descanso ou nutrição inadequados
  • baixos níveis de estimulação mental
  • falta de escolha ou controle sobre suas atividades diárias
  • falta de interesses recreativos diversificados
  • má percepção do tempo

Você ou alguém próximo podem ficar entediados enquanto estão envolvidos em uma atividade pois há:

  • perda de interesse
  • instruções confusas
  • medo de cometer um erro
  • repetição da atividade por muito tempo
  • sentem-se incapazes de tentar novas abordagens para a atividade

 5 dicas para se livrar do tédio

1. Atualizar sua lista de livros, filmes e/ou séries atrasados:

Isso mesmo! Quer melhor oportunidade para relaxar e dar continuidade a suas leituras ou séries?

Ainda que algumas pessoas estejam em home office, com certeza tempo não faltará para atualizar aquela lista de filmes que você guardou para depois. Agora é o momento certo. 

Aproveite para fazer uma pipoca e curtir a tv sozinho ou com a família.

Entretanto, se você não possui nenhuma lista de prioridades, certamente a número de canais e de filmes disponíveis é imenso, opções não faltarão.

2. Praticar exercícios físicos 

Mesmo que pareça um pouco complicado e não tão eficiente quanto malhar em uma academia ou correr no parque, praticar exercícios físicos dentro de casa pode ser tão bom quanto fora.

Com o auxílio da internet e dos aplicativos de celular, hoje, podemos ter acesso a vários conteúdos de professores e profissionais da educação física que ministram aulas online.

Desde exercícios simples que utilizam somente móveis de casa à exercícios que necessitam de bolas, tapetes de yoga ou pequenos pesos, as atividades em casa se tornam mais fáceis de fazer com a ajuda da tecnologia.

3. Aprender a cozinhar algo novo ou voltar a cozinhar o que mais gosta

Sim! Mãos na massa!

Os dias em casa podem ser uma ótima oportunidade para se descobrir na cozinha!

Testar novas receitas ou refazer as antigas é uma boa maneira de passar o tempo, e quem sabe até reunir a família que está em casa para um almoço ou jantar juntos à mesa. 

Talvez há algum tempo a família não se reúna para fazer refeições juntos, e ninguém tenha percebido. 

Além disso, é possível reaproveitar ingredientes e materiais que já estavam há muito tempo em casa e foram esquecidos na despensa.

4. Organize a casa

Mesmo que não pareça, talvez exista algum cantinho da sua casa que precise de mais atenção.

Aproveite para organizar armários, gavetas, prateleiras, estantes ou até mesmo um cômodo inteiro! 

Dessa forma, varrer a sala, passar um aspirador no tapete, desapegar de objetos que não possuem mais utilidade, podem ser uma maneira de deixar o tédio de lado. 

Mais do que isso, além de tornar o ambiente mais harmonioso, arrumar a casa ainda exige um pouco de esforço físico!

5. Faça cursos online 

Com a chegada da crise e consequentemente a da quarentena, centenas de plataformas digitais disponibilizaram cursos e livros virtuais gratuitos ou com valores bem mais baixos.

Utilizar do seu tempo livre para ampliar seu conhecimento em alguma área específica ou se desafiar a estudar e aprender sobre novos assuntos enriquecerá sua vida!

Comunique-se com amigos e familiares que já tenham começado ou até concluído algum curso online e peça sugestões.

Provavelmente eles terão boas indicações e poderão lhe encaminhar para ótimos aprendizados!

Pesquise sobre assuntos de seu interesse e aproveite para fazer planejamentos futuros, sempre pensando em dias melhores pela frente.

Os tipos de tédio

Mesmo que não pareça, o tédio pode se apresentar de quatro maneiras diferentes:

Indiferente

Pessoas com tédio indiferente parecem relaxadas, calmas e retraídas. Pense nisso como um tipo de tédio inerte – é tão indiferente que até sua definição parece inútil. 

Calibração

Quem possui esse tipo de tédio experimentava um tédio que se assemelha muito com o desamparo (e poderia contribuir para a depressão).

 Pessoas que apresentam esse tipo de tédio mostram pouca excitação e muita aversão.

Reagente

As pessoas que o experimentam são altamente despertadas e têm muitas emoções negativas. São também consideradas inquietas e agressivas. 

Quem experimenta o tédio reagente realmente quer deixar suas situações monótonas e fugir das pessoas que o culpam por isso, incluindo seus professores, chefes ou familiares, por exemplo.

Apático

De forma literal, apatia significa falta de sentimento.

Pode parecer algo exagerado. Entretanto, basta lembrar da última vez em que a apatia nos abraçou dos pés à cabeça para entender que, inclusive nós mesmos, nos surpreenderíamos com o estilo de pensamento que nos rondava a mente. ‘’Nada atrai meu interesse, tudo é indiferente pra mim, nada importa…

Esses são pensamentos de quem possui o tédio apático.

Tédio e as doenças mentais

Tempo livre significa mais oportunidade de se preocupar e analisar as coisas que acontecem. Por um lado, isso pode ser bom para refletir e colocar questões no lugar. Entretanto, pensar de forma excessiva pode gerar diversos transtornos. 

Isso é comum entre os que sofrem de ansiedade, mas pode ser ainda mais problemático para as pessoas que vivem com esquizofrenia.

As vezes, quando temos muito tempo de ócio, nossas mentes vão para lugares intensos e desconhecidos. Ideias perturbadoras podem se manifestar de várias maneiras. 

Sejam paranoias ou delírios, depressão ou ansiedade, nossas mentes são muito suscetíveis a sair do controle quando estamos no tédio.

Depressão e o tédio

A depressão não discrimina quem afeta. Idade, sexo, raça, carreira ou status de relacionamento, nada disso faz diferença.

Sabe-se que a depressão pode afetar qualquer pessoa em qualquer momento da vida, incluindo crianças, adolescentes e idosos.

Como a maioria dos transtornos mentais, os pesquisadores ainda não sabem o que exatamente causa essa condição, mas certamente, o sentimento de tédio, resultado da falta de ânimo para fazer qualquer coisa, pode estar relacionado à depressão. 

Sendo assim, é provável que uma combinação de fatores seja responsável no surgimento da depressão, incluindo: 

  • genética 
  • constituição neurobiológica 
  •  histórico familiar 
  • personalidade 
  • fatores psicológicos 
  • meio ambiente 
  • fatores sociais no crescimento
tédio na pandemia

Ansiedade e o tédio

A ansiedade pode ser causada por vários fatores, variando de estímulos externos,como abandono emocional e vergonha, ou estímulos internos, como estresse, medo e até mesmo o tédio.

 É provável que os transtornos de ansiedade, como todas as doenças mentais, sejam causados ​​por uma combinação complexa de fatores ainda não totalmente compreendidos. Esses fatores provavelmente incluem o desenvolvimento infantil, genética, fatores psicológicos, desenvolvimento da personalidade, bem como sugestões sociais e ambientais.

Dia a dia e a quarentena 

Adaptação e costume à nova rotina

Mesmo com boas opções para não cair no tédio, ainda assim a adaptação não acontece repentinamente.

Se acostumar a uma nova rotina, com tantos obstáculos e dificuldades, não é fácil para ninguém. 

Dessa maneira, compreender que todos estão juntos passando pela mesma fase difícil, e que cada um está procurando sua própria forma de se manter ativo em casa, pode ajudar a fazer com que cada um assimile o quão empáticos e solidários estamos agora.

Adaptar-se é, de forma concisa, encaixar-se em outro ambiente ou situação.

Sendo assim, é necessário estar disposto a tornar o ambiente familiar agradável e incentivar todos a não se deixar abater. 

Benefícios de se manter ativo

Mesmo em casa, após um dia preguiçoso ou de atividades, não conseguimos descansar a mente completamente. 

A grande quantidade de informações que recebemos a todo momento fazem com que nossa saúde mental fique um pouco mais abalada.

Dessa maneira, é extremamente importante se manter ativo para preservar não só a saúde física como também a mental.

Infelizmente, com a chegada da quarentena na vida de todos, alguns transtornos psicológicos podem aflorar e dificultar mais ainda a passagem por essa fase difícil.

Assim, seguir as dicas dadas acima é muito mais do que somente ‘’sair do tédio’’, e sim assegurar que você e sua família permaneçam saudáveis em todos os aspectos.

Como o tédio pode afetar sua qualidade de vida?

Em pessoas propensas ao tédio, esse estado pode afetar negativamente sua saúde mental e, consequentemente, a qualidade de vida. Então, o que acontece no cérebro quando ficamos entediados?

O cérebro e o tédio

Anteriormente, pensávamos que pessoas que reagem mais negativamente ao tédio teriam ondas cerebrais específicas antes de ficarem entediadas. 

Entretanto, em testes feitos por especialistas nos Estados Unidos, não foi detectada a diferença de ondas cerebrais, apenas quando eles estavam em um estado de tédio que a diferença veio à tona.

Dessa forma, se não havia diferença em termos de conexão cerebral, então o que poderia explicar por que o tédio afetava algumas pessoas de maneira mais severa do que outras? Os pesquisadores decidiram que a explicação mais provável era a resposta individual: algumas pessoas simplesmente reagiram mal ao aborrecimento, o que poderia afetar seu bem-estar.

Pesquisas anteriores, relataram os pesquisadores em seu estudo, sugeriram que os indivíduos que costumam ficar entediados também são mais propensos a problemas de saúde mental e, principalmente, a condições como ansiedade e depressão .

Coronavírus e a Covid-19

Os coronavírus são um grande grupo de vírus conhecidos por infectar humanos e animais, e em humanos causam doenças respiratórias que variam de resfriados comuns a infecções muito mais graves.

Já a Covid-19, foi a denominação dada à doença que o novo coronavírus causa.

O nome ‘’Covid’’ na verdade é uma sigla que faz menção às palavras ‘’Corona’’ e ‘’vírus’’.

Além disso, o número ‘’19’’ faz referência ao ano em que o novo tipo de vírus teve sua primeira manifestação: 2019.

Mesmo sendo um vírus já conhecido por cientistas, a sua nova versão pegou todos de surpresa por sua capacidade de disseminação e a rapidez com que se espalhou pelo mundo.

Dessa forma, estar atento às informações – sem excessos, claro, e compartilhá-las com outras pessoas, ajuda a tornar a rotina de cada um o mais fácil possível. 

Medidas de precaução

 Já se sabe que o coronavírus se espalha por meio de gotículas respiratórias produzidas quando a pessoa contaminada espirra, tosse ou respira.

 Essas gotículas quando chegam até a boca, nariz ou alguma outra parte do rosto de alguém, contaminam a pessoa imediatamente e a tornam um transmissor de forma instantânea, colocando outros indivíduos em risco.

Dessa forma, quando infectada, a primeira atitude a se tomar é se resguardar em casa e parar de circular nas ruas, para que assim, o vírus também pare de circular, pois o ser humano é seu hospedeiro. 

Hoje, ainda não há vacina nem remédios que curam a Covid-19. Por isso, é necessário que medidas de prevenção sejam tomadas para evitar a disseminação do vírus.

As medidas recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) são:

  • Lavar as mãos frequentemente com água e sabão por pelo menos 20 segundos
  • Esterilizar as mãos com álcool em gel do tipo 70%
  • Evitar o contato com pessoas que não moram com você
  • Não sair de casa, somente quando for muito urgente
  • Cobrir tosses e espirros com um lenço descartável ou com a parte de dentro dos cotovelos. Nunca com as mãos!
  • Desinfetar os objetos e móveis da casa sempre que possível
  • Manter o ambiente sempre arejado 
  • Utilizar máscara somente se estiver com sintomas

Sintomas do Coronavírus


Como já dito anteriormente, a Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, possui sintomas semelhantes aos da gripe.

  • Tosse seca
  • Fadiga
  • Dor de garganta
  • Febre
  • Falta de ar

Por serem muito parecidos, é necessário que se tenha atenção para diferenciá-los e, somente ir ao hospital, caso todos os sintomas forem apresentamos de maneira simultânea em um indivíduo.

Em alguns casos, a doença pode apresentar sintomas mais agressivos, como problemas respiratórios graves e insuficiência renal.

A forma como o vírus se apresenta em um grupo específico de pessoas pode tornar o quadro mais preocupante e causar até a morte. 

Esse grupo é definido por idosos (acima de 60 anos) e pessoas com:

  • Diabetes
  • Hipertensão 
  • Asma
  • Câncer
  • Problemas de coagulação

Dessa maneira, se você possui algum desses sintomas ou faz parte do grupo de risco, não deixe de se cuidar e fique atento às medidas de proteção.

Inpa – Instituto de Psicologia Aplicada, Asa Sul, Brasília – DF, Brasil

Fábio Augusto Caló

@fabiocalo - Psicólogo pelo UniCEUB e mestre em Análise do Comportamento pela UnB. Atua desde 1998 como clínico, atendendo adultos e casais. Há duas décadas, tem realizado atendimentos, principalmente, na área da conjugalidade, da sexualidade e dos transtornos de ansiedade. Tem se interessado e pesquisado sobre assuntos atuais como "dependência de internet", "vício em pornografia", "traição online", dentre outros. É palestrante e instrutor de cursos de desenvolvimento pessoal e cursos dirigidos a profissionais da saúde.

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