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Transtorno de acumulação

transtorno de acumulação

Você conhece o programa de televisão “Acumuladores compulsivo”? É um reality show que mostra a luta de pessoas que têm um quadro conhecido como transtorno de acumulação.

Na série de TV, é mostrado casos extremos de acumulação e pessoas que deixaram suas vidas serem tomadas pelo transtorno. O grau de acumulação é tão alto que suas casas são tomadas pelos os objetos. 

Ainda, essas pessoas têm dificuldade de se desfazer de seus pertences, mesmo quando eles são considerados lixos. Nesse artigo, será abordado temas como:

  • O que é o transtorno de acumulação?
  • Quais os sintomas?
  • Quais os fatores de risco?
  • As formas de tratamento.

O que é o transtorno de acumulação?

O transtorno de acumulação, ou acumulação compulsiva, é um quadro em que a pessoa tem uma dificuldade persistente de descartar objetos. Há, também, casos de pessoas que não conseguem se separar de seus bens pessoais, ou seja, não conseguem emprestá-los ou trocá-los. 

Vale ressaltar que o quadro gera sentimentos negativos, como a angústia e ansiedade, quando o indivíduo tem que descartar algum item pessoal. Em casos graves, pode ocorrer um acúmulo extremo e, em alguns casos, o acúmulo pode ser de até mesmo:

  • lixo;
  • substâncias fecais;
  • comida (até quando já estão vencidas);
  • objetos quebrados.

Além disso, o acúmulo excessivo pode trazer diversas consequências para a qualidade de vida do indivíduo. Por exemplo, há casos em que as casas ficam lotadas, impossibilitando a locomoção e a vivência saudável. 

É comum que todos os ambientes da casa fiquem empilhados de coisas e, quando não há mais espaço interno, os objetos são espalhados pelo quintal, pela garagem, pelo veículos e em outros locais de armazenamento.

O grau do transtorno varia do leve ao grave. Assim sendo, há pessoas que a acumulação não impacta na sua qualidade de vida.

Ademais, pessoas com o transtorno de acumulação podem ter dificuldade em aceitar que precisam de ajuda psicológica. Em razão disso, o tratamento do transtorno se torna um desafio. 

Apesar de ser desafiador, o tratamento intenso traz benefícios, como:

  • compreensão de crenças e comportamentos;
  • redução dos sintomas;
  • melhor qualidade de vida;
  • tratamento de psicopatologias subjacentes, como a ansiedade.

Sintomas

Os primeiros sinais do transtorno de acumulação podem ser observados com o número excessivo de objetos, acúmulo de lixo e dificuldade de descartar os pertences. É comum que os sinais começam na adolescência ou no início da fase adulta.

Na sociedade atual, é normal que a medida que uma pessoa cresce, ela geralmente começa a adquirir pertences e alguns têm um apelo emocional. No caso de pessoas com o transtorno de acumulação, essas pessoas começam a acumular itens sem necessidade ou espaço.

Ainda, é comum que, na meia-idade, os sintomas comecem a se agravar e o tratamento se torna mais complicado. 

Dessa forma, os principais sinais e sintomas são:

  • Comprar ou pegar objetos excessivamente, mesmo que sejam desnecessários ou não tenha espaço.
  • Dificuldade persistente de jogar fora ou se separar das coisas, mesmo que não haja um valor real.
  • Necessidade de guardar itens e ficar nervoso com a ideia de descartá-los.
  • Acúmulo de lixo ou itens insalubres.
  • Guardar itens desnecessários até deixar os ambientes inutilizados.
  • Comportamento perfeccionista, evasivo, procrastinador, indeciso e dificuldade de planejamento e organização.

Por conseguinte, o acúmulo excessivo pode gerar problemas como:

  • montantes de itens, como pilhas, jornais, roupas, papéis, livros, roupas, utensílios e produtos de limpeza;
  • acúmulo de comida, lixo e substâncias insalubres;
  • inutilização de espaços, com problemas para caminhar e utilizar o ambiente;
  • conflitos com pessoas que tentam remover os objetos.

Por fim, os principais motivos pelos quais uma pessoa acumula são:

  • A pessoa acredita que os itens são únicos ou que serão necessários futuramente.
  • O objeto tem um significado emocional, ou seja, serve como marcador de um momento feliz ou representa uma pessoa ou animal especial.
  • O indivíduo se sente seguro em um ambiente cercado de coisas.
  • Medo de desperdiçar algum item.

Qual a diferença entre colecionar e acumular?

A principal diferença entre o acúmulo e a coleta é em relação ao objeto. Afinal, pessoas que têm coleções procuram itens especiais, os categorizam e os guardam cuidadosamente. Diferente dos acumuladores, os colecionadores não têm problemas na qualidade de vida, mesmo que suas coleções sejam grandes.

Causas do transtorno de acumulação

As causas da acumulação compulsiva, ainda, não são compreendidas. No entanto, os especialistas têm algumas suspeitas das principais razões.

Desse modo, o transtorno pode ser um sintoma de outro quadro. Por exemplo, uma pessoa que tem ansiedade pode desenvolver o hábito de acumular ou uma pessoa com demência pode ter dificuldade de categorizar e descartar itens.

Os principais problemas psicológicos associados com o transtorno de acumulação são:

Além disso, há casos que a acumulação está associada ao abandono. Dessa maneira, essas pessoas são mais propensas ao:

  • isolamento;
  • serem solteiros;
  • terem tido uma infância “carente”, ou seja, com a falta de relacionamento familiar saudável;
  • terem um histórico familiar de acumulação;
  • crescerem em um ambiente desorganizado.

Normalmente, as tentativas de descarte geram emoções fortes, que podem deixar o indivíduo extremamente desconfortável. Portanto, a pessoa tende a adiar ou evitar atitudes relacionadas ao ato de jogar coisas foras ou doar.

Ainda, há casos em que os motivos para a pessoa acumular não são óbvios, não há razões sentimentais ou de estética.

Fatores de risco

Em geral, o transtorno de acumulaçao surge na adolescência, entre os 12 e 15 anos, e conforme o tempo passa tende a piorar. Todavia, os sintomas mais graves são nos adultos de maior idade.

Os principais fatores de risco são:

  • Personalidade: pessoas com o transtorno de acumulação tendem a ter um temperamento instável, evasivo e indeciso.
  • Histórico familiar: o transtorno é mais comum em pessoas que têm membros da família com o quadro.
  • Fatores ambientais: pessoas que passaram por situações de estresse na vida, como morte de um ente querido, divórcio e abusos são mais propensas a desenvolverem essa condição.

Complicações da acumulação compulsiva

As principais complicações referentes ao transtorno de acumulação são:

  • conflitos familiares e sociais;
  • solidão e isolamento;
  • risco à saúde;
  • risco de incêndios;
  • baixo desempenho acadêmico e profissional;
  • maiores riscos de quedas ou lesões;
  • problemas legais, como o despejo.

Tratamento da acumulação compulsiva

O tratamento do quadro não é fácil. Afinal, a pessoa com o transtorno, normalmente, não acha que precisa de ajuda ou não está adepta ao tratamento.

O primeiro empecilho seria a ideia de se desfazer dos pertences. Logo, a pessoa já estaria relutante em dar o primeiro passo.

Entretanto, apesar do tratamento ser complicado, o quadro pode ser superado. As principais formas de tratamento se dividem em:

  • psicoterapia;
  • medicação.

Psicoterapia

A psicoterapia é fundamental para o tratamento, porque por meio dela serão realizados técnicas que farão a pessoa lidar melhor com o transtorno. A terapia comportamental é uma das formas de terapias mais eficazes e com resultados duradouros.

Há outras abordagens terapêuticas, como a terapia-cognitivo comportamental e a psicanálise. Procure um profissional da Psicologia para poder iniciar o tratamento de uma forma adequada.

Medicação

O uso de medicamentos antidepressivos, também, são usados no tratamento do transtorno de acumulação. Medicamentos chamados de inibidores seletivos da recaptação de serotonina foram usados para tratar do quadro. Procure um profissional da Psiquiatria para buscar o diagnóstico e o medicamento mais indicado.

Lembre-se

No tratamento, o terapeuta não joga as coisas foram ou força o paciente a fazer isso, mas, sim, incentiva e guia a pessoa a querer fazer. Na terapia, é criado estratégias para facilitar o processo de desacumulação e quebra de crenças subjacentes, que podem desencadear o transtorno de acumulação.

Portanto, o objetivo da terapia é melhorar as habilidades de tomada de decisão, organização e autocontrole. É comum que o tratamento dure de meses a, até mesmo, anos.

Ainda, a pessoa pode ter recaídas, o que torna importante o autoconhecimento para reconhecer os sintomas e saber quando buscar a ajuda psicológica. As relações interpessoais, como família e amigos, são uma forma de amparo e segurança para a pessoa com o transtorno.

Além disso, terapias alternativas complementares, como acupuntura e meditação, podem ajudar o tratamento e posteriormente a manter o quadro estável. 

No fim do tratamento, a pessoa já se sente mais confiante para elaborar planos e não deixarem a acumulação tomar suas vidas novamente. A pessoa consegue retomar, com eficácia, suas atividades diárias e melhora sua qualidade de vida. 

Procure profissionais especializados para um tratamento eficaz e duradouro.

Inpa – Instituto de Psicologia Aplicada, Asa Sul, Brasília – DF, Brasil.

Fábio Augusto Caló

@fabiocalo - Psicólogo pelo UniCEUB e mestre em Análise do Comportamento pela UnB. Atua desde 1998 como clínico, atendendo adultos e casais. Há duas décadas, tem realizado atendimentos, principalmente, na área da conjugalidade, da sexualidade e dos transtornos de ansiedade. Tem se interessado e pesquisado sobre assuntos atuais como "dependência de internet", "vício em pornografia", "traição online", dentre outros. É palestrante e instrutor de cursos de desenvolvimento pessoal e cursos dirigidos a profissionais da saúde.

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