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Transtornos psicológicos mais comuns em mulheres: conheça os 5 principais

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Os transtornos mentais afetam milhares de pessoas em todo o mundo. Entretanto, é visto um crescimento considerável do número de casos em mulheres especificamente.

O que muitas pessoas se questionam é sobre o que gera ou leva uma pessoa a ter esses transtornos. Na verdade, há não apenas um, mas diversos fatores que estão associados para o desenvolvimento de um quadro mental.

Os principais podem ser:

  • disposição genética;
  • fatores ambientais;
  • alterações hormonais;
  • fatores sociais e emocionais.

Ainda, vale ressaltar que, na grande maioria dos casos, uma pessoa desenvolve um transtorno em decorrência de diferentes agentes causadores, que podem estar interligados ou não.

Assim sendo, como é percebido, há situações em que se é possível prever e evitar que o transtorno mental se desenvolva. Todavia, há outras situações que é quase inevitável que a pessoa fique imune de alguns deles. 

Afinal, há pessoas e situações que têm fatores de risco, ou seja, pessoas que estão mais predispostas a apresentarem certos quadros psicopatológicos. Por exemplo, existem alguns transtornos que são mais propensos no sexo feminino, tanto no seu desenvolvimento, quanto no seu grau de complexidade.

Diversos estudos e pesquisadores afirmam que certos transtornos são mais propensos em mulheres, do que em homens… Mas, afinal, porque isso ocorre?

Neste artigo, será abordado exatamente sobre esse fator de risco. Quais são os transtornos psicológicos mais comuns nas mulheres? 

Hormônios e as mulheres

O primeiro motivo para as mulheres serem mais propensas a desenvolverem alguns transtornos psicológicos, é a questão dos hormônios. Assim sendo, não importa o sua personalidade, etnia ou idade, o fato é que: homens e mulheres, de forma biológica, produzem hormônios diferentes.

O homem é conduzido, principalmente, pela testosterona, que é um hormônio ligado a diferentes áreas do corpo e da personalidade, como vigor, energia sexual e, até mesmo, agressividade. 

Enquanto isso, as mulheres têm diferentes hormônios que guiam sua vida, que estão ligados, fortemente, com o ciclo hormonal. Dessa maneira, normalmente, o corpo passa 14 dias com índices maiores de estrogênio e outros 14 dias com maior índice de progesterona.

Ademais, vale ressaltar que as mulheres passa, também, por outros períodos de grande alteração hormonal, como:

  • gravidez;
  • perimenopausa;
  • pós-parto;
  • menopausa.

Desse modo, é comum que as mulheres sofrem, não apenas com mudanças físicas, mas mudanças emocionais e comportamentais. Por exemplo, é comum que as mulheres fiquem mais agitadas ou cansadas, nervosas e preocupadas, quando ocorre a queda do estrogênio e ocorre, também, a tão conhecida TPM.

Diversas pesquisas apontam que as alterações hormonais, que acontecem com as mulheres, podem estar, diretamente, relacionadas com o aparecimento de alguns transtornos mentais. 

Os 5 principais transtornos mais acometidos às mulheres.

Transtorno de ansiedade generalizada

Antes de tratar sobre a ansiedade nas mulheres, é preciso entender o que é o transtorno de ansiedade e como ele afeta a vida de uma pessoa. Há, primeiramente, diversos tipos de transtornos de ansiedade, tais como:

  • Transtorno De Ansiedade Generalizada.
  • Transtorno Do Pânico.
  • Agorafobia.

Nesse caso, será tratado, em específico, o transtorno de ansiedade generalizada (TAG). O quadro é um estado de ansiedade que ocorre em diferentes momentos e, até mesmo, fora de contexto. 

O que isso significa? Pessoas que apresentam o transtorno de ansiedade generalizada têm uma preocupação excessiva muito grande, além de outros sintomas, que interferem na qualidade de vida.

De acordo com o Manual de Classificação de Doenças Mentais (DSM-V), o transtorno pode ser difícil de se contornar e deve estar tendo uma duração, mínima, de seis meses.

Os principais sintomas do transtorno de ansiedade são:

  • fadiga;
  • dificuldade de concentração;
  • irritabilidade;
  • náusea e diarreia;
  • falta de ar e taquicardia;
  • aumento da pressão arterial;
  • sudorese;
  • perfeccionismo;
  • dificuldade de se auto expressar;
  • assustar-se com mais facilidade e frequência;
  • dor de cabeça e muscular.

E qual a relação da ansiedade com as mulheres?

De acordo com Gustavo Kinrys e Lisa Wygant, há uma ligação entre o maior número de casos de ansiedade no sexo feminino. O principal motivo para isso ocorrer são os hormônios. 

De acordo com a pesquisa desenvolvida pela National Comorbidity Survey – NCS, há uma estimativa de que as mulheres tem, até duas vezes mais, chances de desenvolverem um quadro de TAG. 

O principal motivo ligado a isso é, além dos fatores hormonais, os fatores sociais. Assim sendo, é visto que as mulheres podem ter uma maior pressão e anseios do ponto de vista cultural. O que pode ser visto com o grande número de mulheres com baixa autoestima e autoconfiança.

Para saber como lidar com a ansiedade, acesse!

Transtorno de estresse pós-traumático

O transtorno do estresse pós-traumático ou, apenas, estresse pós-traumático é, também, classificado como um transtorno de ansiedade. O que o caracteriza com comportamentos inadequados, que podem afetar a qualidade de vida de uma pessoa. 

Dessa forma, o quadro está ligado a algum tipo de acontecimento traumático na vida da pessoa. Nas mulheres, o transtorno está ligado, principalmente, com a violência doméstica e casos de abusos, segundo os autores especialistas Samir Antônio Silvestre Dias e Luciano Simões Canavez. 

Os sintomas são divididos em:

  • sintomas de vivenciamento;
  • de agitação;
  • evitamento;
  • humor alterado.

Alguns exemplos, dos citados acima, são: dificuldade para dormir, assustar-se facilmente, ter explosões de raiva, fugir de locais que possam lembrar a pessoa do trauma, evitar o uso de objetos possivelmente relacionados ao evento traumático, dificuldade em se lembrar de momentos do trauma, desinteresse por atividades agradáveis, como sair para se divertir.

Por conseguinte, a grande reação do transtorno é um medo intenso, sentimento de importante e a presença de emoções como o desamparo e o desespero. 

Para ler mais sobre o transtorno de estresse pós-traumático e seu tratamento, acesse o link!

Transtorno obsessivo-compulsivo

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o transtorno obsessivo-compulsivo é o quarto transtorno mental mais comum. Além disso, segundos estudos, é considerado a quinta causa de incapacitação de mulheres entre os 15 e 44 anos de idade.

E o que seria o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC)? É um transtorno psiquiátrico de ansiedade caracterizado por obsessões, compulsões ou ambas.

O quadro está descrito no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V) e no CID-10 (Classificação Internacional de Doenças da OMS).

Os principais sintomas, que seriam as obsessões mais comuns, envolvem:

  • Agressão: a sensação de que se está sempre de ferir ou insultar alguém. 
  • Contaminação: medo desmedido de se contagiar por vírus, bactérias ou substâncias tóxicas.
  • Simetria: cuidado extremo com exatidão ou alinhamento de objetos.
  • Colecionismo: ideia fixa em colecionar determinados objetos inúteis ou não desfazer-se deles, por achar que serão úteis no futuro.
  • Sexual: a presença de pensamentos de conteúdo obsceno e impulsos incestuosos, indesejados ou impróprios, que causam muita culpa à pessoa.

Há outros fatores de risco, que podem estar, também, interligados com o TOC, como a genética, a estrutura e o funcionamento do cérebro.

Em geral, o tratamento é feito principalmente com psicoterapia e serve para diminuir o impacto dos sintomas. É comum que as pessoas com essa condição permaneçam no tratamento por longos período de tempo.

Ademais, alguns medicamentos psiquiátricos podem auxiliar no tratamento. O uso de medicamentos antidepressivos são os mais indicados para esses casos. Entretanto, para diagnóstico concreto e a busca da melhor forma de tratamento, procure assistência psicológica e médica.

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Transtorno disfórico pré-menstrual

O transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM) é o único dessa lista que acomete somente mulheres. Afinal, está ligado com a menstruação. 

De acordo com especialistas, há dados que mostram que 3 a 8% das mulheres sofrem com o TDPM e pode interferir de uma maneira significativa na vida de muitas mulheres.

A principal diferenças entre a TPM e a TDPM está nos sintomas. Na TPM, os sintomas tendem a ser mais físicos e mais brandos. 

Enquanto isso, na TPM o quadro pode ser definido como uma depressão clínica, que acaba surgindo todos os meses antes do período da menstruação.

Os principais sintomas do transtorno disfórico pré-menstrual são emocionais, como irritabilidade, tristeza, isolamento e muita indisposição.

A TPM e o TDPM são muito confundidos por estarem ligados com as alterações hormonais, que ocorrem no período da menstruação. 

O tratamento é feito de diferentes formas, como:

  • mudança do estilo de vida, comer e dormir bem;
  • auxílio da psicoterapia;
  • uso de medicamentos psiquiátricos;

Apesar do tratamento utilizar remédios que podem ser, também, utilizados para tratar da TPM, o período tende a ser maior.

Afinal, o transtorno disfórico pré-menstrual é considerado um tipo de depressão cíclica. Em virtude disso, não é tratado, normalmente, em um curto espaço de tempo.

Por fim, há diversas mulheres que passam anos sem procurar ajuda para esse transtorno. O que causa um uso de medicamentos paliativos, que podem durar por toda a vida. 

Dessa forma, é necessário buscar ajuda psicológica e médica, o mais indicado seria especialistas na área da sexualidade feminina.

Depressão nas mulheres

Antes de mais nada, de acordo com a OMS, o Brasil é o país com casos de depressão da América Latina, com cerca de 5,8% da população sofrendo da doença. 

Ainda, na relação entre homens e mulheres, os casos nas mulheres têm um aumento 30% em comparação com os homens.

A depressão vai muito além do sentimento de tristeza, o quadro envolve, também, mudanças na maneira que um indivíduo pensa, sente e age.

Os principais sintomas são:

  • alterações de humor;
  • sentimento de tristeza, de vazio, de ansiedade e de desesperança;
  • perda de interesses e de hobbies;
  • problemas cognitivos na fala e no pensamento;
  • problemas de sono;
  • alteração de apetite e de peso;
  • diminuição de energia e fadiga;
  • dores de cabeça;
  • taquicardia;
  • sudorese;
  • aumento de cãibras.

Na depressão, há uma diferenciação de sintomas para homens e mulheres. Enquanto os homens tendem a ter sentimentos e comportamentos mais raivosos e agressivos, as mulheres apresentam mais sinais de ansiedade, tristeza e vazio. 

Além disso, em mulheres mais jovens a depressão pode causar problemas no rendimentos escolar e transtornos alimentares. Já em mulheres mais velhas, a depressão causa mais sintomas físicos, como dores de cabeça, dores pelo corpo e problemas digestivos.

A depressão pós-parto

A depressão pós-parto é um tipo de depressão que surge até seis meses após o nascimento do bebê. Ainda, é um quadro que acomete entre 10 a 15% das mulheres.

A DPP pode afetar tanto a mãe quanto o pai, e além disso, o recém-nascido pode sofrer também. Além de ser considerado muito comum no Brasil, com cerca de 2 milhões de casos registrados por ano.

Os principais sintomas são:

Graves alterações de humor e humor deprimido.

  • Crises excessivas de choro e dificuldade de se relacionar com o bebê.
  • Isolamento e atitude de evitar familiares e amigos.
  • Alteração do apetite.
  • Perda ou ganho de peso.
  • Dificuldade de concentração e de tomada de decisões.
  • Problemas de sono, como a insônia ou dormir demais.
  • Desmotivação, perda de energia, fadiga extrema e sentimento de vazio.
  • Sentimento de inutilidade, culpa, vergonha e, também, humor irritável.
  • Pensamentos de inferioridade e dúvida, como “será que serei uma boa mãe”.
  • Pensamento e atitudes suicidas.

O tratamento é feito por meio de acompanhamento médico e psicológico. E, em alguns casos, pode haver o uso de medicamentos.

Fatores sociais

Para finalizar, é preciso entender que há diversos fatores sociais que podem ser os responsáveis pelos níveis maiores, principalmente de ansiedade e depressão, nas mulheres. O “machismo” é um fator cultural muito forte que pode estar interligado ao caso.

Apesar de haver diversos fatores para o desenvolvimento de um transtorno mental, há alguns fatores externos que pode justificar:

  • diferença salarial;
  • cobrança de eficiência maior;
  • pressão sobre a maternidade.

Apesar de não haver muitas pesquisas concretas, é possível observar que as mulheres têm um maior número de incidência em casos de transtornos mentais. 

Inpa – Instituto de Psicologia Aplicada, Asa Sul, Brasília – DF, Brasil.

Fábio Augusto Caló

@fabiocalo - Psicólogo pelo UniCEUB e mestre em Análise do Comportamento pela UnB. Atua desde 1998 como clínico, atendendo adultos e casais. Há duas décadas, tem realizado atendimentos, principalmente, na área da conjugalidade, da sexualidade e dos transtornos de ansiedade. Tem se interessado e pesquisado sobre assuntos atuais como "dependência de internet", "vício em pornografia", "traição online", dentre outros. É palestrante e instrutor de cursos de desenvolvimento pessoal e cursos dirigidos a profissionais da saúde.

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