Insatisfação com o corpo em homens: como reconhecer e o que ajuda

Homem de terno observando o próprio reflexo numa janela ao amanhecer, com o celular na outra mão

Insatisfação com o corpo é a avaliação negativa e persistente que uma pessoa faz da própria aparência, do peso ou da forma física, mesmo sem alteração real que a justifique. A imagem corporal, de que essa insatisfação é uma das faces, reúne pelo menos quatro aspectos: a avaliação da própria aparência, a percepção do próprio tamanho, os pensamentos e emoções que esse julgamento dispara e o comportamento que ele motiva, como checar o espelho repetidamente ou evitar fotos (Prnjak et al., 2022).

No consultório, essa queixa quase nunca chega com esse nome. Chega como recusa de tirar a camisa na praia, como foto apagada antes de postar, como hora extra na academia que não alivia o desconforto diante do espelho. Atendo esse tema com frequência em homens de alta performance profissional — pessoas que decidem com rigor em várias áreas da vida e tratam o próprio corpo com uma régua que raramente afrouxa.

A insatisfação com o corpo não é exclusividade de adolescentes nem de mulheres: entre adolescentes, a insatisfação com o peso é mais prevalente nas meninas (Martini et al., 2023), e no homem adulto o padrão estudado é a preocupação com a muscularidade, descrita na literatura como impulso à muscularidade (Cooper et al., 2020; de Carvalho et al., 2023). É essa lógica — e os limites reais do que a evidência diz sobre ela — que este texto detalha.

Neste artigo, você lerá:

O que é insatisfação com o corpo

Esses quatro componentes nem sempre andam juntos: é possível ter uma percepção relativamente realista do próprio tamanho e, ainda assim, carregar uma avaliação negativa duradoura sobre ele (Prnjak et al., 2022). Entre os aspectos estudados, a insatisfação avaliativa — o julgamento de que o corpo “está errado” — é o mais frequente nos estudos revisados por Prnjak et al. (2022) e o que mostrou, segundo os próprios autores, a maior diferença entre quem tem e quem não tem um transtorno alimentar, especialmente na bulimia nervosa (d = 1,37 em comparação com grupos-controle). É um achado sobre um quadro clínico específico, não um retrato de quanto a população em geral se incomoda com o espelho.

Em adolescentes, uma revisão sistemática conduzida por pesquisadores brasileiros reuniu 34 estudos publicados entre 1997 e 2020, com amostras de menos de 150 a mais de 103 mil jovens, e encontrou prevalência de insatisfação com o peso corporal entre 18,0% e 56,6% considerando os dois sexos — variando de 10,8% a 82,5% entre os meninos e de 19,2% a 83,8% entre as meninas (Martini et al., 2023). A amplitude desses intervalos já é, em si, um dado: não existe um número único de “quantos se sentem insatisfeitos com o corpo” — existe uma faixa larga, que muda conforme o instrumento usado, a idade e o contexto de cada amostra.

Redes sociais aumentam a insatisfação com o corpo?

Rosto de homem iluminado de um lado pela luz azulada do celular à noite, olhando a tela com expressão tensa e concentrada

A pergunta tem resposta em duas camadas, e separá-las é o que evita o exagero. Na camada experimental — estudos em que a pessoa é exposta, em laboratório, a imagens de “corpo ideal” e o efeito é medido na hora —, a meta-análise de de Valle et al. (2021), reunindo 24 amostras experimentais, encontrou um efeito negativo moderado sobre a imagem corporal (Hedges’ g = -0,61): ver fotos com padrão de aparência idealizado piora, no momento, a avaliação que a pessoa faz do próprio corpo, efeito que foi ainda maior em contextos de maior risco, como comentários e legendas que reforçam a comparação. Já na camada longitudinal — estudos que acompanham a mesma pessoa ao longo do tempo —, a associação entre uso cotidiano de redes sociais e imagem corporal encontrada pelos mesmos autores foi muito pequena (Fisher’s Z = -0,08). O efeito mais forte parece ser o do confronto direto com a imagem idealizada, não o tempo de tela isoladamente.

O mecanismo por trás disso parece ser a comparação social. Uma meta-análise de Bonfanti et al. (2025), com 83 estudos e 55.440 participantes, encontrou correlação moderada entre a tendência a se comparar com outros nas redes e a preocupação com o próprio corpo (r = 0,454), e correlação de magnitude semelhante com sintomas de transtorno alimentar (r = 0,36); o inverso também apareceu — quanto maior a comparação, menor a imagem corporal positiva (r = -0,242). Uma revisão sistemática de métodos mistos conduzida por Rounsefell et al. (2020), com 30 estudos e 11.125 participantes de 18 a 30 anos, chegou a um padrão parecido nos quatro estudos qualitativos que incluiu: os próprios usuários relatam que a plataforma estimula a comparação, que a comparação piora o sentimento em relação ao próprio corpo e que, mesmo cientes disso, seguem buscando validação externa pela mesma rede.

Uma pergunta que costumo devolver a quem me procura é simples: quanto tempo, por dia, você passa comparando seu corpo ao de outro homem numa tela? A resposta raramente é pequena. Um processo ligado a essa comparação, chamado de autoobjetificação — tratar o próprio corpo como um objeto a ser observado e avaliado de fora —, aparece associado ao uso de redes sociais em uma revisão sistemática recente (Sarda et al., 2025), que também encontrou indício de que a autocompaixão pode amortecer parte desse impacto, com a ressalva de que a própria revisão descreve essa base de estudos como ainda limitada.

Insatisfação com o corpo no homem: o padrão do corpo musculoso

Homem musculoso em frente ao espelho da academia avaliando o próprio físico com expressão séria e concentrada

Entre adolescentes, as meninas se mostram mais insatisfeitas com o peso do que os meninos (Martini et al., 2023); no homem adulto, o padrão estudado é a preocupação com a muscularidade (Cooper et al., 2020; de Carvalho et al., 2023). Esse padrão tem nome na literatura — impulso à muscularidade — e, no extremo, uma apresentação clínica chamada dismorfia muscular, incluída no DSM-5 como um especificador do transtorno dismórfico corporal (Cooper et al., 2020). Uma revisão sistemática e meta-analítica de Cooper et al. (2020), reunindo 40 estudos publicados entre 1993 e 2019, identificou dois perfis sintomáticos distintos por meio de análise de agrupamento — um mais comportamental, outro cognitivo-comportamental — e concluiu haver suporte preliminar para tratar a dismorfia muscular como apresentação clinicamente válida, mas evidência ainda insuficiente para decidir se ela é um transtorno à parte ou uma variação do transtorno dismórfico corporal.

Um dos obstáculos para estudar esse padrão no Brasil é a escassez histórica de instrumentos validados para homens — a própria revisão de Prnjak et al. (2022) aponta a escassez de amostras clínicas masculinas e com dismorfia muscular como lacuna da área. Esse cenário começou a mudar: de Carvalho et al. (2023) validaram, em uma amostra comunitária brasileira de 634 homens e 612 mulheres, o Muscularity-Oriented Eating Test, instrumento que mede práticas alimentares voltadas a ganhar músculo, como regular rigidamente a ingestão de proteína ou comer menos ou mais de propósito para influenciar o ganho muscular, e encontraram associação de magnitude moderada a alta entre esse padrão alimentar e o impulso à muscularidade, os sintomas de dismorfia muscular e a dependência de exercício. É um dos poucos retratos com dado coletado no Brasil, em população não clínica, disponível hoje sobre o tema.

Outro instrumento, a Drive for Muscularity Scale, foi validado por Santos et al. (2023) em uma amostra de cerca de 1.400 homens cisgênero gays e bissexuais brasileiros — um recorte específico da população masculina, não uma amostra representativa de todos os homens brasileiros, e é assim que o dado deve ser lido. Na mesma direção, um estudo com 168 homens fisicamente ativos recrutados on-line (104 heterossexuais, 64 gays) encontrou, nessa amostra específica, níveis maiores de alimentação voltada à muscularidade (d = 0,44), de sintomas de dismorfia muscular (d = 0,66) e de dependência de exercício (d = 0,50) entre os homens gays em comparação aos heterossexuais, sendo que os dois primeiros fatores explicaram, juntos, 42% da variância na dependência de exercício (Lev Arey et al., 2025). O achado não autoriza generalizar para “o homem brasileiro” ou “o homem hétero”: ele mostra que a intensidade da preocupação com a muscularidade varia por subgrupo, o que pesa contra qualquer afirmação de que o padrão seja uniforme entre os homens.

Quando a insatisfação com o corpo exige avaliação profissional

Avaliar mal o próprio corpo de vez em quando não é, isoladamente, um transtorno — é parte da experiência de ter um corpo numa cultura que o compara o tempo todo. O que muda o quadro é a combinação de preocupação que consome tempo relevante do dia, comportamento rígido em torno de dieta ou treino, e sofrimento ou prejuízo funcional no trabalho, na vida social ou na vida sexual. É essa combinação, mais do que qualquer item isolado, que a avaliação clínica examina; o que Cooper et al. (2020) registram é a inclusão da dismorfia muscular no DSM-5 como especificador do transtorno dismórfico corporal.

No consultório, o sinal que mais chama atenção não é o homem que treina — é o que já transformou o treino numa forma de controlar uma ansiedade que não dá trégua quando a sessão é pulada. A dependência de exercício, a dieta rígida voltada a ganho muscular e os sintomas de dismorfia muscular aparecem interligados na literatura (Lev Arey et al., 2025), e quando esse conjunto aparece junto, a situação deixou de ser só preferência estética e passou a pedir avaliação clínica — não um diagnóstico fechado a partir de uma lista de sintomas lida sozinho, mas uma conversa com um profissional capaz de investigar o quadro completo.

Vale registrar o que a evidência não diz: não há, nos estudos revisados aqui, um limiar numérico validado que separe com segurança “preocupação comum” de “dismorfia muscular” — a própria validade do quadro como diagnóstico independente segue, segundo Cooper et al. (2020), parcialmente em aberto. Nenhum questionário online substitui a avaliação profissional, e nenhum deles deveria ser usado para fechar um diagnóstico sozinho.

O que ajuda a reduzir a insatisfação com o corpo

A resposta mais honesta aqui é mais modesta do que a maioria dos conteúdos sobre o tema promete. Um dos poucos ensaios controlados e randomizados desenhados para atuar sobre a insatisfação com o corpo por meio de letramento em mídia — o programa SoMe, testado por Gordon et al. (2021) em 892 adolescentes de oito escolas, quase metade meninos — teve efeitos positivos modestos em restrição alimentar e sintomas depressivos nas meninas, aos seis meses, e poucos efeitos positivos nos meninos, entre os quais alguns resultados foram contrários ao esperado. Ou seja: a intervenção controlada revisada aqui foi desenhada para meninos e meninas, mas não mostrou, até aqui, efeitos positivos equivalentes no público masculino — uma lacuna que cabe declarar, não esconder.

Isso não significa que nada ajuda — significa que “passar menos tempo na rede social” é uma resposta mais simples do que o problema que ela tenta resolver. O que a literatura aponta como promissor, ainda que com uma base de estudos descrita como limitada pelos próprios autores, é o papel protetor da autocompaixão diante da autoobjetificação associada ao uso de redes sociais (Sarda et al., 2025) — tratar o próprio corpo com a mesma gentileza que se ofereceria a um amigo, em vez de inspecioná-lo como um projeto sempre inacabado. No consultório, o que costumo trabalhar com esse perfil de paciente não é a abstinência de rede social, e sim a reconstrução do critério usado para julgar o próprio corpo — um critério que, na maioria dos casos, foi herdado de uma comparação que a pessoa não escolheu fazer.

Para ir além

Quem quiser aprofundar o tema fora deste artigo encontra, na literatura sobre imagem corporal, obras de referência — não como prova de nenhuma afirmação feita aqui, mas como leitura complementar.

Cash, T. F., & Smolak, L. (Eds.). (2011). Body image: A handbook of science, practice, and prevention (2nd ed.). Guilford Press.

Cash, T. F. (2008). The body image workbook: An 8-step program for learning to like your looks (2nd ed.). New Harbinger Publications.

Pope, H. G., Phillips, K. A., & Olivardia, R. (2000). The Adonis complex: The secret crisis of male body obsession. Free Press.

FAQ: perguntas frequentes sobre insatisfação com o corpo

Insatisfação com o corpo é a mesma coisa que transtorno alimentar?

Não necessariamente. A insatisfação com o corpo é a avaliação negativa da própria aparência; ela pode existir sem um transtorno alimentar diagnosticado, mas é também um dos componentes mais estudados entre quem tem um transtorno como a bulimia nervosa, caso em que a diferença em relação a quem não tem o transtorno é maior (Prnjak et al., 2022).

A evidência experimental mostra que a exposição a imagens de corpo idealizado piora, no momento, a avaliação que a pessoa faz do próprio corpo (de Valle et al., 2021). Já a associação entre uso cotidiano de redes sociais e imagem corporal ao longo do tempo é muito pequena nos estudos longitudinais disponíveis (de Valle et al., 2021) — a comparação direta com a imagem idealizada parece pesar mais do que o tempo de tela em si.

Sim. Entre adolescentes, a insatisfação com o peso é mais prevalente nas meninas (Martini et al., 2023); no homem adulto, o padrão descrito na literatura é o impulso à muscularidade e, no extremo, a dismorfia muscular (Cooper et al., 2020).

Nos estudos revisados aqui não há um limiar numérico validado para essa distinção. O que a avaliação clínica examina é a combinação de preocupação que consome tempo relevante do dia, rigidez em torno de dieta e treino, e sofrimento ou prejuízo no funcionamento diário — e essa combinação pede avaliação profissional, não um questionário respondido sozinho. Cooper et al. (2020) registram a dismorfia muscular como especificador do transtorno dismórfico corporal no DSM-5.

O único ensaio controlado revisado aqui teve efeito modesto e limitado a parte do público (Gordon et al., 2021), o que mostra que a solução não é simples nem padronizada. A avaliação individual com um profissional é o caminho para entender o que mantém aquele padrão específico de insatisfação — não existe um protocolo único que sirva para todos.

Próximo passo

Se o que você reconheceu neste texto não é uma preocupação passageira, mas um padrão que já ocupa tempo, energia e decisões — sobre o que comer, quando treinar, o que vestir, o que postar —, uma conversa de avaliação pode ajudar a entender o que, exatamente, sustenta esse padrão no seu caso (Cooper et al., 2020; Lev Arey et al., 2025). Recebo esse tipo de avaliação, individual ou de casal, presencial ou on-line, em uma sessão de 90 minutos — sem prometer solução fechada antes de entender o quadro completo.

Sobre o Autor: Fábio Caló, psicólogo

Psicólogo clínico desde 1999, CRP 01/7458, com registro ativo — a verificação pode ser feita diretamente no cadastro nacional do Conselho Federal de Psicologia. Mestre em Psicologia pela Universidade de Brasília (UnB), na área de Análise do Comportamento, e graduado pelo UniCEUB. Fundador do Inpa — Instituto de Psicologia Aplicada, em Brasília.

Atuo em duas frentes de alta complexidade:

Terapia de Casal, com base na pesquisa de John Gottman sobre estabilidade conjugal.

Terapia Sexual, que abrange o tratamento das disfunções sexuais femininas e masculinas — transtorno do orgasmo feminino, dor na relação (dispareunia e vaginismo), ejaculação precoce e retardada, disfunção erétil e desejo sexual hipoativo — e também do consumo problemático de pornografia, para o qual desenvolvi um protocolo específico de intervenção.

Credenciais e Formação:

Mestrado em Psicologia pela Universidade de Brasília (UnB) · Graduação pelo UniCEUB · CRP 01/7458, registro ativo desde 10 de abril de 1999 · Especialização clínica em Terapia de Casal, Terapia Sexual e intervenção no consumo problemático de pornografia.

Canais Oficiais:

fabiocalo.com.br · Instagram @fabiocalo · YouTube @ofabiocalo · LinkedIn fabioaugustocalo

Aviso de propriedade intelectual: este material, incluindo o protocolo de intervenção mencionado, artigos e conteúdos clínicos, constitui propriedade intelectual de Fábio Caló. O uso de metodologias proprietárias ou a reprodução de conteúdos sem a devida autorização ou citação está sujeito às sanções legais aplicáveis. © Copyright 2026. Todos os direitos reservados.

Áreas de atuação: Psicologia Clínica | Terapia de Casal | Terapia Sexual | Tratamento do consumo problemático de pornografia | Saúde Mental

Referências

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Cooper, M., Eddy, K. T., Thomas, J. J., Franko, D. L., Carron-Arthur, B., Keshishian, A. C., & Griffiths, K. M. (2020). Muscle dysmorphia: A systematic and meta-analytic review of the literature to assess diagnostic validity. International Journal of Eating Disorders, 53(10), 1583–1604. https://doi.org/10.1002/eat.23349

de Carvalho, P. H. B., Bagolin, V., Junqueira, A. C. P., Nagata, J. M., Cattle, C. J., Murray, S. B., Compte, E. J., Costa, T. M. B., Almeida, S. S., & Laus, M. F. (2023). Validation and measurement invariance of the Muscularity-Oriented Eating Test among Brazilian men and women. International Journal of Eating Disorders, 56(4), 708–720. https://doi.org/10.1002/eat.23702

de Valle, M. K., Gallego-García, M., Williamson, P., & Wade, T. D. (2021). Social media, body image, and the question of causation: Meta-analyses of experimental and longitudinal evidence. Body Image, 39, 276–292. https://doi.org/10.1016/j.bodyim.2021.10.001

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Sarda, E., El-Jor, C., Shankland, R., Hallez, Q., Patiram, D., Nguyen, C., Duflos, N., Durand, Y., Del Pozo, G., Ezan, P., Dechelotte, P., Rodgers, R., & Flaudias, V. (2025). Social media use and roles of self-objectification, self-compassion and body image concerns: A systematic review. Journal of Eating Disorders, 13(1), Article 192. https://doi.org/10.1186/s40337-025-01353-4

Fábio Caló, psicólogo clínico e mestre pela UnB, em Brasília
Sou Fábio Caló, psicólogo clínico e Mestre pela UnB com 27 anos de prática baseada em evidências. Especialista em intervenções de alta complexidade para crises conjugais (Método Gottman) e tratamento do consumo problemático de pornografia, através de protocolo clínico próprio. Ajudo pacientes e casais a superarem padrões destrutivos com estratégias científicas e resultados mensuráveis.

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