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Por que devemos perdoar?

Perdão e perdoar

Segundo o dicionário Michaelis, perdoar é: (1) dar perdão; (2) absolver pena, dívida, ofensa etc; (3) aceitar de bom grado; (4) evitar trabalho, esforço etc. a si mesmo, poupar-se. Praticar o perdão, para muitas religiões, é essencial para boa convivência e para uma vida com paz.

Entretanto perdoar não é algo muito fácil de se fazer. Mas por que para muitas pessoas o ato de perdoar é extremamente difícil? O modo como a pessoa vê a situação pode muitas vezes fazê-la acreditar que não deve praticar o perdão. Inúmeros outros fatores podem retardar o perdão e causar desconforto para as pessoas envolvidas.

Perdoar não é a mesma coisa que tolerar

Primeiro é preciso tirar da cabeça que perdoar é sinônimo de tolerar, desculpar, esquecer ou reconciliar. Perdoar é um ato que fazemos para nós mesmos, para nos sentirmos mais leves e bem. 

Quando perdoamos e ainda sentimos mágoa, significa que não perdoamos de verdade. Não perdoar inicialmente é normal para o ser humano, pois funciona como uma forma de defesa inconsciente. 

No entanto, o perdão é uma forma de libertação de memórias triste. Perdoar muda a forma como vemos e nos sentimos em relação ao que magoou.

Perdão é um ato de coragem

Mahatma Gandhi diz que “perdoar é um valor do corajosos”. Com isso, o líder indiano mostra a base de sua filosofia de vida, em que ele acredita somente as pessoas com grande coragem para perdoar, sabem amar de verdade. 

Essa ligação entre perdão e amor não foi feita somente por Gandhi. Martin Luther King Jr. uma vez disse que só que quem não consegue perdoar, não consegue amar de verdade. 

Dessa maneira, pode-se entender que quando se ama, existe sempre uma necessidade de perdão.

Não é preciso um pedido de desculpas antes de perdoar

É comum acharmos que a outra pessoa precisa se desculpar antes de que lhe demos o nosso perdão. Mas é preciso lembrar que muitas vezes a pessoa não pede desculpas, e dessa maneira o perdão torna-se praticamente impossível.

Precisamos lembrar que o ato de perdoar não deve depender da outra pessoa. Não precisamos saber se a pessoa está arrependida para perdoá-la puramente. Precisamos estar leves para perdoar o outro, mesmo que ele já tenha falecido.

Quando perdoamos, podemos ajudar a outra pessoa

Você já pensou que se perdoar a outra pessoa, isso talvez a incentive a se tornar uma pessoa melhor? William Shakespeare dizia que: “O perdão cai como uma chuva suave desde o céu até a terra. É duas vezes uma bênção: abençoa quem o dá e abençoa quem o recebe”. 

Quem perdoa se torna melhor, se engrandece. Se você pratica o perdão, mostra aos outros que você é capaz de superar os danos sofridos e estabelecer a paz. Por conseguinte, a pessoa que foi perdoada pode reconhecer e admitir o seu erro, e depois procurar maneiras de não cometê-lo de novo.

Quando se perdoa, se tem paz e tranquilidade

É preciso lembrar que raiva e rancor são venenos que tomamos esperando que o outro se machuque. Ficar remoendo sentimentos negativos é prejudicial para sua saúde mental e física, além de não trazer sossego.

O perdão traz paz e tranquilidade, além de fazer com que a pessoa siga em frente e não fique presa naquele momento ruim.

Perdão: a chave e o remédio

Podemos fazer uma comparação do perdão com uma chave e um remédio. Assim como uma chave abre portas, o perdão é capaz de de abrir e fechar portas para dos relacionamentos, dos sentimentos, da confiança e da esperança.

O remédio do perdão alivia o mal-estar que sentimos no interior, trazendo paz. Esse remédio pode ser doloroso e amargo no início, mas é para um bem maior. 

Psicologia do perdão

A psicologia do perdão não é nada mais do que exercitar o ato de perdoar. O psicólogo e professor da Universidade de Wisconsin, Dr. Bob Enright estudou a psicologia do perdão por mais de 30 décadas. Com todos os seus estudos, ele apontou algo que pode esclarecer o porquê da dificuldade das pessoas em perdoar: nem todos tem a capacidade ou conseguem dar o primeiro passo para o perdão. Isso se deve porque muitas pessoas ainda acreditam que o perdão é uma fraqueza.

A psicologia do perdão nos mostra que, quando perdoamos, aprendemos novos valores e estratégias para enfrentar a ansiedade e o estresse, além de avançarmos com uma maior liberdade para o futuro. O Dr. Enright destaca que o perdão traz benefícios para a saúde da pessoa. Alguns estudos apontam a relação entre o perdão e a redução da ansiedade, do estresse e da depressão. Por fim, a psicologia do perdão demonstra que aprender a perdoar é uma das maiores habilidades e virtudes que um ser humano pode aprender.

Sessões de terapia e o perdão

Como já foi dito no texto, perdoar não é fácil. Muitas pessoas sentem dificuldade em entender o porquê devem perdoar alguém. Dessa maneira, sessões de psicoterapia podem auxiliar a pessoa a perdoar alguém. 

O psicólogo irá fazer um trabalho em que vai entender, em conjunto com o paciente, a situação e mostrar a pessoa caminhos que possam facilitar o perdão.

Inpa – Instituto de Psicologia Aplicada, Asa Sul, Brasília – DF, Brasil.

Fábio Augusto Caló

@fabiocalo - Psicólogo pelo UniCEUB e mestre em Análise do Comportamento pela UnB. Atua desde 1998 como clínico, atendendo adultos e casais. Há duas décadas, tem realizado atendimentos, principalmente, na área da conjugalidade, da sexualidade e dos transtornos de ansiedade. Tem se interessado e pesquisado sobre assuntos atuais como "dependência de internet", "vício em pornografia", "traição online", dentre outros. É palestrante e instrutor de cursos de desenvolvimento pessoal e cursos dirigidos a profissionais da saúde.

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