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Por que você deve evitar conselhos?

conselhos

Desde quando nascemos, aprendemos a seguir orientações, conselhos e dicas de alguém mais velho ou mais experiente em alguma área do nosso interesse.

  • “Não beba nada gelado para não gripar”
  • “Estude muito e adquira certificados e diplomas para você ter sucesso na vida”
  • “Não fique no sereno (por que mesmo?)”
  • “Não ande com aquele menina para você não pegar a mesma fama dela.”
  • “Se eu fosse você, eu não investiria em ações porque é muito arriscado.”
  • “Termine essa relação porque ele(a) não te merece.” ⠀

E muitas outras são as sentenças, frases ou “condenações”, que ficam ecoando, às vezes, por décadas, nas nossas cabeças. E se ficassem só em pensamento, o estrago, em muitos casos, não seria tão grande. Sim, porque, geralmente, passamos a agir em função daquele conselho que se tornou uma regra. ⠀

O que seria a lembrança da infância de um dia de calor sem aquela coca-cola gelada ou dim-dim que deixava a língua vermelha com anilina? Ou qual o valor da lembrança daquele único dia em que se tomou sereno ou banho de chuva com os amigos? E quanto às ações da Magalu, nas quais você quase deixou de investir e que te renderam tanto em tão pouco tempo? E o casamento que engrenou desde aquela sua última chance ao cônjuge e à relação? ⠀

Quando seguimos conselhos, regras, podemos estar deixando, de lado, toda a riqueza e toda a sutileza da experiência humana que nos mostra o mundo com cores e matizes, tal como ele é. Por outro lado, as regras nos mostram apenas uma versão, uma percepção daquele que nos aconselha. ⠀

Não discuto aqui o valor de acelerarmos a nossa aprendizagem por meio de orientações claras, precisas e muito bem fundamentadas em conhecimento sólido de profissionais, em ciência, em evidências empíricas. Questiono apenas o seguimento do conselho do “amigo”, da mãe ou da “tio mais velho” sem que esse conselho passe pelo crivo da sutil análise das nossas específicas histórias de vida e das nossas nossas idiossincráticas necessidades. ⠀

Ah, e se você achar que eu deveria produzir esse conteúdo também em vídeo, deixe abaixo o seu comentário. Pode ser que eu siga o seu conselho, mas pode ser que não.

Por: Dr. Fábio Caló, psicólogo, mestre em análise do comportamento.

Inpa – Instituto de Psicologia Aplicada, Asa Sul, Brasília – DF, Brasil.

Fábio Augusto Caló

@fabiocalo - Psicólogo pelo UniCEUB e mestre em Análise do Comportamento pela UnB. Atua desde 1998 como clínico, atendendo adultos e casais. Há duas décadas, tem realizado atendimentos, principalmente, na área da conjugalidade, da sexualidade e dos transtornos de ansiedade. Tem se interessado e pesquisado sobre assuntos atuais como "dependência de internet", "vício em pornografia", "traição online", dentre outros. É palestrante e instrutor de cursos de desenvolvimento pessoal e cursos dirigidos a profissionais da saúde.

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