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Psicose: tipos, causas e tratamento

psicose

A psicose é um quadro que pode causar diversos sintomas. Ao falar do termo, normalmente, a primeira coisa que passa na mente das pessoas é o filme Psicose (1960).

Desse modo, o filme é um marco da indústria de terror e marcou diversas gerações. Nesse post, será abordado, pelo viés psicológico, médico e científico, questões como:

  • O que é psicose?
  • Quais os tipos?
  • Quais os sintomas e as causas?
  • Formas de tratamento.

O que é?

A psicose é um quadro caracterizado por causar episódios de irrealidade. É considerado um transtorno mental grave. Dessa forma, pessoas que sofrem de psicose podem ter alucinações ou delírios.

As alucinações são classificadas como “experiências sensoriais que ocorrem na ausência de um estímulo real”. Ainda, a pessoa com esse quadro pode ter pensamentos contrários às evidências reais, que são chamados de delírios. 

Consequentemente, há pessoas que acabam experimentando perda de motivação e retraimento social.

Por fim, as alucinações podem ser assustadoras e podem fazer com a pessoa que sofra da psicose machuque ela mesma e outras pessoas. É importante buscar um auxílio psicológico para ter um diagnóstico e uma melhor forma de tratamento.

Sintomas da Psicose

Vale salientar que a psicose não é um quadro que aparece de forma repentina, mas, na verdade, apresenta sinais de alerta, que são:

  • Mudanças na maneira que a pessoa percebe e entende o mundo.
  • Queda do desempenho na escola ou no trabalho.
  • Problemas de concentração.
  • Falta de higiene e autocuidado.
  • Emoções exageradas ou falta de emoções.
  • Isolamento social.

Em seguida, são apresentados os primeiros sinais da psicose, que, normalmente, são:

  • Ouvir, ver ou sentir coisas irreais.
  • Pensamentos incomuns.
  • Isolamento social mais grave.
  • Parar de cuidar de si mesmo.
  • Incapacidade de pensar com clareza.

Ainda, temos os sintomas específicos de um episódio psicótico:

  • Alucinações: podem ser auditivas, táteis ou visuais.
  • Ilusões: crenças que não tem sentido ou embasamento.

Tipos

A psicose apresenta diferentes tipologias e classificações. Alguns desses tipos são:

Transtorno psicótico breve

Neste tipo, ocorre um breve episódio psicótico, que pode ser chamado de psicose reativa breve. No geral, ocorre em situações de extremo estresse ou traumas, como a morte de um ente querido. Por conseguinte, normalmente, pessoas que passam por uma psicose reativa breve se recuperam em alguns dias ou semanas.

Psicose orgânica

Há casos em que a psicose pode ser desenvolvida por meio de lesões ou traumas na cabeça ou doenças ou infecções que afetam o cérebro. Nesses casos, é importante buscar acompanhamento médico para diagnóstico e tratamento adequados.

Psicose por uso de substâncias

A psicose pode ser, também, desencadeada pelo uso de substâncias, como álcool e drogas. As drogas alucinógenas, como o LSD, são as que fazem que os indivíduos vejam coisas irreais. No entanto, os efeitos tendem a ser temporários.

Além disso, alguns medicamentos podem causar efeitos e sintomas da psicose. Ainda, pessoas que têm problemas de vícios em álcool ou drogas podem apresentar sintomas da psicose quando param, de forma súbita, de usar a substância.

Transtornos psicóticos

Alguns transtornos psicóticos podem ser ocasionados por  diversas razões, tais como:

  • estresse;
  • uso de drogas ou álcool;
  • lesões e doenças;
  • fatores genéticos;
  • situações traumáticas.

No entanto, há casos em que eles aparecem de forma “natural”. Os principais transtornos psicóticos são:

Transtorno Bipolar

Pessoas que têm o transtorno bipolar possuem mudanças de humor, que oscilam de forma extrema. Assim sendo, quando eles estão com o humor alto e positivo, podem ter sintomas de psicose. Ainda, eles podem se sentir extremamente feliz e acreditar em situações insanas e irreais, como ter super poderes.

Ademais, quando o humor está deprimido, ou indivíduos podem ter sintomas da psicose, que o fazem sentir raiva, tristeza ou medo e podem, até mesmo, achar quem tem algo ou alguém tentando machucá-los.

Transtorno Delirante

Nesses casos, o transtorno é caracterizado por ser um quadro psicótico, no qual a pessoa tem problemas em compreender a realidade. Desse modo, o indivíduo cria ilusões falsas que são baseadas em interpretações errôneas do real.

Esquizofrenia

A esquizofrenia é um transtorno mental grave que afeta os pensamentos e o comportamento de uma pessoa e, em alguns casos, pode ocorrer a psicose. Ainda, A esquizofrenia é caracterizada por causar, além da psicose, a distração dos pensamentos, da percepção, das emoções, da linguagem, do senso de si e do comportamento.

Depressão psicótica

Pessoas que estão em um quadro de depressão maior podem começar a apresentar sintomas da psicose. 

Transtorno de Personalidade Paranoide

As pessoas com esse transtorno sofrem de paranóia, desconfiança irracional e suspeita excessiva de outras pessoas. Ainda, é comum que essas pessoas recebam o estereótipo de serem estranhas e peculiares. 

Causas da Psicose

As causas exatas da psicose, ainda, não compreendidas. Entretanto, especialistas acreditam que o quadro pode ter como agentes causadores:

Fatores genéticos

há evidências que mostram que alguns transtornos, como esquizofrenia e bipolar, podem ter uma causa genética em comum. Ainda, pessoas que têm parentes com quadro de psicose, têm maiores chances de ter, também, o quadro.

Alterações cerebrais

Pessoas com alteração na estrutura cerebral são mais propícias a terem a psicose. Dessa maneira, há exames cerebrais que comprovam a redução de uma área do cérebro em pessoas com histórico de psicose, o que pode explicar, também, os problemas no processamento do pensamento.

Hormônios e o sono

Há um tipo de psicose que é conhecida como psicose pós-parto (ocorre dentro de até 2 semanas após o parto). Esse tipo pode ser um exemplo de como os hormônios podem ocasionar a psicose. Ainda, pessoas com problemas de sono, como a insônia, são, também, mais propensas a terem episódios de psicose.

Tratamento da Psicose

O tratamento da psicose envolve uma equipe multidisciplinar, que é composta, principalmente, pelo psicólogo e psiquiatra. Em geral, os pacientes realizam uma combinação de medicação com terapia.

Ademais, a maioria relata ter obtido uma melhora da qualidade de vida, após o início do tratamento. Alguns métodos do tratamento são:

Psicoterapia

A principal forma de tratamento para a psicose é por meio de sessões de terapia. O objetivo é trabalhar o quadro e conseguir reduzir (e, até mesmo, extinguir) os sintomas. Assim, proporcionando uma melhor qualidade de vida. Ainda, a terapia pode tratar de outras psicopatologias associadas ao quadro, como a depressão ea ansiedade. 

Medicamentos

Em casos mais graves ou sintomas mais fortes, a pessoa pode ser indicada a fazer um acompanhamento psiquiátrico para usar a medicação como forma de amenizar e controlar os sintomas. Normalmente, os medicamentos reduzem os episódios de alucinações e delírios e, ainda, ajudam a pessoa a manter o psicológico mais estável. 

Portanto, vale ressaltar que a maioria dos antipsicóticos são usados por um período de tempo definido. Todavia, em pessoas com quadros crônicos, como esquizofrenia, os medicamentos podem ter que ser usados durante toda a vida.

Tranquilização rápida

Nos episódios é comum que as pessoas fiquem agitadas e podem machucar os outros e a si mesma. Desse modo, nesses casos, deve ser feito algum tipo de intervenção para pode acalmar a pessoa, de forma rápida. Esse método é chamado de tranquilização rápida e é feito por meio de injeções ou medicamentos líquidos para relaxar o paciente, que é feito por uma equipe médica ou outro profissional da saúde.

Inpa – Instituto de Psicologia Aplicada, Asa Sul, Brasília – DF, Brasil.

Fábio Augusto Caló

@fabiocalo - Psicólogo pelo UniCEUB e mestre em Análise do Comportamento pela UnB. Atua desde 1998 como clínico, atendendo adultos e casais. Há duas décadas, tem realizado atendimentos, principalmente, na área da conjugalidade, da sexualidade e dos transtornos de ansiedade. Tem se interessado e pesquisado sobre assuntos atuais como "dependência de internet", "vício em pornografia", "traição online", dentre outros. É palestrante e instrutor de cursos de desenvolvimento pessoal e cursos dirigidos a profissionais da saúde.

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