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10 dicas para manter a saúde mental em tempos de isolamento

Saúde mental

Você sabe o que é saúde mental? Tem cuidado da sua saúde mental durante o período de quarentena/ isolamento/ distanciamento social? E, você sabia que a sua saúde mental pode interferir na sua saúde física?

É normal que as pessoas prestem muita atenção nos sintomas físicos e procurem cardiologistas, endocrinologistas e outros profissionais. No entanto, muitas vezes os sintomas físicos podem ser o resultado de um problema psicológico. Como diz o ditado: mente sã, corpo são.

Neste texto, iremos falar sobre a importância da saúde mental e o que podemos fazer para melhorá-la. 

O que é saúde mental?

Para a OMS (Organização Mundial da Saúde), não existe um termo específico para saúde mental. Isso porque saúde mental varia de acordo com a cultura, idade e o meio social em que a pessoa está inserida. 

Mas, de uma maneira bem genérica, podemos definir saúde mental como um conjunto de comportamentos emocionais equilibrados, trazendo um bem-estar emocional e cognitivo. Para a revista acadêmica UK Surgeon Journal, a saúde mental é quando a função mental possui um desempenho bem-sucedido, o que resulta em atividades produtivas, capacidade de se adaptar e de criar bons relacionamentos. 

Muitas pessoas quando escutam o termo saúde mental, consequentemente pensam em doença mental. Entretanto é preciso dissociar os dois termos, pois não ter alguma doença ou transtorno mental não significa ter uma boa saúde mental. 

Quem tem uma boa saúde mental entende que ninguém é perfeito e que todos têm limites. Além disso, essa pessoa convive com os mais diferentes sentimentos e emoções, sendo capaz de lidar com todos. A saúde mental de alguém está ligada à maneira que ele reage com as dificuldades da vida e como harmoniza seus desejos, habilidades, ideias e emoções.

Mas isso não significa que devemos ignorar os transtornos mentais. Estima-se que cerca de 400 milhões de pessoas no mundo inteiro sofrem com transtornos mentais, e, segundo a OMS, em 2013, de 75% a 85% dessas pessoas não possuem tratamento adequado. No Brasil, a estimativa é 23 milhões de pessoas com transtornos mentais. 

Mas o que é ter boa saúde mental?

Como foi dito no início do texto, não podemos definir exatamente o que é saúde mental. Porém existem alguns fatores que podem auxiliar de uma maneira geral a melhorar a saúde mental e o bem-estar no dia a dia. São eles:

  • Estar bem consigo mesmo e com as pessoas com quem você convive;
  • Lidar, conviver e aceitar os seus limites e defeitos;
  • Saber lidar com as diferentes emoções que o ser humano tem, mesmo as que são desagradáveis;
  • Entender e buscar ajuda quando for necessário.

É importante lembrar ainda que ter uma vida social equilibrada, não usar substâncias que geram dependência e ter uma rotina de vida equilibrada e organizada, podem te ajudar a ter uma melhor saúde mental.

O que pode afetar a minha saúde mental?

Cada pessoa absorve e lida com uma situação de formas diferentes. Todavia, alguns momentos podem ser mais propícios para que a saúde mental da pessoa piore, como por exemplo:

Entrada na escola

O início da vida escolar significa o início de um novo ciclo. Muitas crianças acham extremamente difícil lidar com uma nova rotina, novas obrigações e a separação dos pais. Todo o processo precisa ser suavizado pelos pais e responsáveis, explicando para a criança como será e tornando a situação menos traumática.

E não é só quando entramos na escola que estamos mais propensos a ter uma piora na saúde mental. Quando os jovens ingressam no ensino médio, é comum o surgimento de sintomas da ansiedade e de depressão. Isso acontece devido a cobrança sobre passar no vestibular, ter boas notas, e conciliar a escola com a vida social. Cabe a família apoiar e tentar entender o lado do jovem enquanto ele passa por essa fase. 

Adolescência

A adolescência é uma fase de muitas mudanças. O corpo do adolescente muda, assim como a mentalidade. Além disso, é essa a fase que molda a pessoa para a vida adulta. 

É nessa fase que é mais comum a pessoa desenvolver um quadro de depressão e ansiedade. O convívio social pode não ser muito fácil, acarretando assim a um comportamento de isolamento. Tais fatores não são benéficos para a saúde mental.

Divórcio e conflitos familiares

O divórcio não é fácil para ninguém. O casal que se separa pode muitas vezes ter altos níveis de estresse e raiva, prejudicando a saúde mental. Ainda, quando há crianças envolvidas, elas podem sofrer por causa da falta de entendimento da situação. Como se trata de um processo delicado, muitas vezes são recomendadas sessões de psicoterapia para que os danos e impactos do divórcio sejam menores ou inexistentes. 

Ainda, um conflito familiar pode prejudicar a saúde mental dos envolvidos. Brigas e discussões não levam a nada, e guardar rancor não é saudável. Precisamos refletir e perdoar aqueles que nos magoaram para ficarmos mais leves com nós mesmos. 

Problemas financeiros

Dinheiro pode não trazer felicidade, mas ninguém deseja se deparar com uma situação onde somente as dívidas tomam conta da sua vida. A falta de dinheiro pode levar a pessoa a ter altos níveis de estresse e péssimas noites de sono. 

Tais fatores pioram a saúde mental e são gatilhos para o desenvolvimento de transtornos mentais que podem ser graves.

Luto

Ninguém quer perder alguém querido. Mas a morte é algo inevitável, que ninguém é capaz de evitar. No entanto, a maneira com que a pessoa lida com o luto pode ser alarmante para a saúde mental. Por isso precisamos estar sempre atentos em como esse momento nos afeta.

Problemas no trabalho

Já há algum tempo, as empresas começaram a perceber a importância da saúde mental para um bom desempenho no trabalho. Muitas empresas já diminuíram a carga horária de seus funcionários e até criaram um fim de semana com três dias.

Mas, como essas empresas ainda não são maioria, muitas pessoas têm a saúde mental prejudicada por excesso de trabalho. O principal transtorno que acomete essas pessoas é a Síndrome de Burnout. É preciso sempre estar atento, porque essa síndrome pode desencadear outros transtornos mais graves.

Saúde mental dos outros: não diminua o sofrimento alheio

Segundo Ministério da Saúde, é comum que muitas pessoas se queixem e sofram de transtornos mentais, mas quando vão procurar ajuda, são menosprezadas e destratadas. Essas pessoas acabam se sentindo marginalizadas, incompreendidas, excluídas e julgadas. 

Portanto, é preciso quebrar alguns preconceitos sobre saúde mental e transtornos mentais. Primeiramente é preciso entender que transtorno mental:

  • Não é algo que o outro escolha ter;
  • Não é fruto da imaginação da pessoa;
  • Pode diminuir realmente a energia vital da pessoa e
  • Tem cura ou tratamentos.

Cabe entender que há uma série de combinações ambientais e biológicas que desencadeiam um quadro psicopatológico, ou seja um transtorno mental.

Transtornos mentais mais comuns

Apesar de não serem os únicos que trazem malefícios para a saúde mental, os transtornos mentais são os que mais precisam de cuidados e tratamentos. Isso se deve porque quanto mais grave um transtorno se torna, maiores a chances dele desencadear uma nova doença.

Depressão

Esse transtorno, infelizmente, é bastante comum. Ele é caracterizado pela apatia, falta de interesse, tristeza, falta de concentração e cansaço excessivo.

O Brasil é o país na América Latina com maior número de casos de depressão, com cerca de 5,8% da população afetada. No continente americano, o Brasil só fica atrás dos Estados Unidos, que tem quase 6% de pessoas com depressão. 

A depressão é comum em todas as idades, no entanto, se manifesta de maneira diferente na infância.

Transtornos de ansiedade

Os transtornos de ansiedade, embora bem distintos, são assim apresentados pois possuem alguns sintomas em comum. Alguns deles são a preocupação excessiva, ansiedade, nervosismo, etc. 

No Brasil, quase 10% da população sofre de algum transtorno de ansiedade, segundo a OMS. Além disso, o Brasil é o país que mais tem registro desses transtornos no mundo, o que afeta muito a saúde mental da população.

Alguns dos transtornos de ansiedade são:

  • Síndrome do Pânico;
  • TOC;
  • TEPT;
  • Fobia Social;
  • Fobias específicas;
  • Agorafobia;
  • Ansiedade Generalizada.

Bipolaridade

A pessoa que tem bipolaridade vive como se estivesse em uma montanha russa. Seus sentimentos variam de acordo com os episódios de mania e depressão.

Esse transtorno atinge cerca de 6 milhões de pessoas no Brasil. 

O diagnóstico do transtorno é demorado, mas assim que for feito, é preciso começar o tratamento para que ele não se agrave.

Esquizofrenia

A esquizofrenia é um transtorno que afeta os pensamentos e o comportamento da pessoa. Ela causa uma perda de realidade, em que a pessoa diz e faz coisas sem sentido.

É um transtornos grave, com sérios malefícios para a saúde mental da pessoa, caso não seja tratado. Além disso, a esquizofrenia atinge cerca de 1% da população brasileira.

Transtornos alimentares

Os transtornos alimentares muitas vezes estão ligados ao desejo pelo corpo perfeito. Eles afetam o comportamento de alimentação da pessoa, desregulando não só a atividade cerebral como tanto o sistema digestório. 

Os dois transtornos alimentares mais comuns são a bulimia, a anorexia e compulsão alimentar.

Como melhorar a saúde mental?

Manter uma boa saúde mental depende de cada indivíduo. Para algumas pessoas é algo fácil, mas para outras, nem tanto. Vamos lhe mostrar algumas dicas de como melhorar a sua saúde mental.

Não se cobre tanto

Ninguém é de ferro e precisamos entender isso. Todos nós temos limitações e precisamos respeitá-las. 

Precisamos também diminuir a autocrítica e aumentar a autoestima. Além disso, ser realista e perceber os seus defeitos e suas qualidades pode ser bom para a sua saúde mental. Lembre-se: não exija mais do que você consegue fazer!

Aproveite o tempo livre

Ter um tempo para si mesmo é extremamente saudável. Procure um tempo em sua rotina para ler aquele livro ou ouvir uma música agradável. Pratique os seus hobbies ou procure novos. 

Também é importante que você tenha uma rotina que se encaixe nos seus afazeres e que não te esgote muito.

Pratique exercícios físicos e mentais

Como falamos, a saúde mental afeta diretamente a saúde física. Por isso, exercícios físicos são importantes para que se tenha uma mente saudável. Fazer atividades físicas, além de te manter ocupado e distraído, libera endorfina, um dos hormônios do prazer e combatente da depressão. 

Ademais, atividades que estimulam o cérebro são essenciais para uma boa saúde mental. Procure praticar xadrez, palavras cruzadas, sudoku, quebra cabeça ou caça palavras com frequência.

Outras atividades que podem ser úteis são a yoga e a meditação. Como elas têm o objetivo de acalmar e lhe deixar mais leve, sua mente ficará mais descansada e relaxada. Você também pode procurar outras terapias alternativas, como acupuntura e aromaterapia.

Saiba usar corretamente as redes sociais

Na era digital, somos sempre bombardeados de informações. Algumas redes sociais podem ser extremamente prejudiciais e tóxicas para a nossa saúde mental se não soubermos utilizá-las de maneira correta. 

Precisamos focar no que é importante para nós, e evitar nutrir os sentimentos de inveja, raiva, autodepreciação e ganância, por exemplo.

Durma bem

Uma boa noite de sono só traz benefícios. Quando você dorme bem, em um ambiente adequado, com boas condições, sua mente funciona melhor. 

Uma rotina saudável de sono, sem muitas mudanças bruscas, só melhoram a sua saúde mental e física. Por fim, dormir bem previne a insônia e outros transtornos do sono.

Reforce os seus laços sociais

A socialização é algo essencial para o ser humano. Criar boas lembranças e fortalecer os laços familiares é um grande benefício para sua saúde mental.

Procure marcar encontros com seus amigos, um jantar romântico com alguém especial ou um almoço em família. Tais momentos evitam que você se sinta sozinho e desamparado.

Evite a automedicação e o uso de drogas

A automedicação tem inúmeros prejuízos e um deles é a má saúde mental. Os remédios têm efeitos no cérebro e quando nos medicamos, podemos não saber quais são eles.

Além disso, o uso de substâncias viciantes, como álcool e outras drogas psicotrópicas, podem levar ao vício. Consequentemente, o cérebro da pessoa é lesionado e pode desencadear em uma síndrome de abstinência.

Tenha uma alimentação saudável

Comer bem não é só benéfico para a saúde física. Os alimentos podem agir diretamente na saúde mental. Alguns deles são:

  • Melancia, abacate, limão, mamão e tangerina: possuem o precursor da serotonina, o triptofano que regula o humor.
  • Iogurte: é uma fonte de cálcio, que ajuda a diminuir a irritabilidade.
  • Maçã e laranja: As duas frutas são ricas em ácido fólico, que é importante para controle da depressão. Além disso, a laranja é fonte de vitamina C, responsável por melhorar o funcionamento do sistema nervoso, diminuindo a fadiga e o estresse.
  • Banana e abacate: têm carboidrato, magnésio, potássio e vitamina B6, que produzem energia e diminuem a ansiedade.
  • Ovo: é fonte de tiamina e a niacina (do complexo B), responsáveis por aumentar o bom humor.
  • Castanha-do-Pará, nozes e amêndoas: são fontes de selênio, um antioxidante, que colabora na redução dos sintomas da depressão.
  • Aveia: é um alimento fibroso, que combate a ansiedade e depressão.

Uma alimentação saudável deve também ser equilibrada, sem excessos.

Entrevista

Para agregar mais ao texto, fizemos uma entrevista com o Dr. Raphael Boechat, médico psiquiatra e docente da Universidade de Brasília (UnB) e da Uniceplac. Confira!

Procure ajuda

É importante sempre estar amparado por profissionais. Não tenha medo em procurar ajuda. Isso não vai te tornar mais fraco.

Um psicólogo pode te auxiliar com os seus problemas, levando a uma melhora na sua saúde mental.

Inpa – Instituto de Psicologia Aplicada, Asa Sul, Brasília – DF, Brasil.

Fábio Augusto Caló

@fabiocalo - Psicólogo pelo UniCEUB e mestre em Análise do Comportamento pela UnB. Atua desde 1998 como clínico, atendendo adultos e casais. Há duas décadas, tem realizado atendimentos, principalmente, na área da conjugalidade, da sexualidade e dos transtornos de ansiedade. Tem se interessado e pesquisado sobre assuntos atuais como "dependência de internet", "vício em pornografia", "traição online", dentre outros. É palestrante e instrutor de cursos de desenvolvimento pessoal e cursos dirigidos a profissionais da saúde.

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