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Tudo que você precisa saber sobre a terapia de sexual

Terapia sexual e sexualidade

A terapia sexual pode ser, ainda, um tema polêmico e que gera muitas dúvidas no público em geral. No entanto, há quem acredita ser a coisa mais normal ir a um terapeuta sexual. 

Esse tipo de tratamento ainda é cercado de dúvidas e questionamentos, como por exemplo “Será que eu preciso tirar a minha roupa?”, “Isso vai realmente funcionar?”, etc. 

Então, decidimos entrevistas o psicólogo e terapeuta sexual, Dr. Fábio Caló, para tirar algumas dúvidas sobre o assunto, e te deixar mais leve em relação a terapia sexual.

A quem se destina a terapia sexual?

Dr. Fábio Caló- A terapia sexual se destina a qualquer pessoa, homem ou mulher,que tenha alguma dificuldade ou algum problema, como algum tipo de desconforto, dor, ou alguma inconsistência no funcionamento sexual. 

Dessa forma, a terapia sexual é indicada a homens e a mulheres que por ventura identifiquem alguma dificuldade no ato sexual. Essa dificuldade pode ser um dificuldade física, uma dificuldade para que o ato se concretize, e ela pode ser também uma dificuldade psíquica, como por exemplo uma ansiedade diante da situação

Qualquer disfunção sexual deve (ou pode) ser tratada por um terapeuta sexual?

FC- Eu diria que esse é o profissional que deve ser procurado, primeiramente, para que se descarte algum problema orgânico, que careça de uma intervenção mais delicada. 

Em geral, ou na sua grande maioria, os transtornos sexuais eles são problemas oriundos de uma história de vida inadequada em relação a questão sexual, seja em relação às primeiras experiências ou aos conceitos que a pessoa guarda em relação ao sexo. E há uma minoria de situações em que a ocorre a má formação congênita e, nesses casos, há alguns problemas mais complexos. 

Ainda, pessoas com um pouco mais de idade podem ter algumas disfunções que trazem um funcionamento inadequado, como no caso de mulheres que já atingiram a menopausa, em que há uma redução considerável da produção de hormônios, e isso certamente interfere no funcionamento sexual. 

Então nós temos profissionais de terapia sexual que são psicólogos, e profissionais de terapia sexual que são médicos. Quando são psicólogos, é preciso ter uma clareza no diagnóstico para que possa encaminhar a um médico, caso seja alguma especialidade médica.

É preciso falar sobre detalhes da vida sexual, como fantasias, desejos e práticas?

FC- Não necessariamente. A gente faz um amplo levantamento acerca do funcionamento da pessoa, do funcionamento sexual, mas não necessariamente ela vai ter que expor detalhes acerca da vida sexual dela. 

No geral a gente procura ser mais objetivo, mais específico em relação ao problema que ela tem. Agora, se o problema está diretamente relacionado a uma questão de desejo da ordem de fantasias, ou quadros em que a pessoa de certa maneira tem uma fantasia  que difere daquilo que é o padrão, configurando algum tipo de transtornos sexual, nós vamos precisar mergulhar em alguns detalhes. 

Se aquilo é uma prática sexual que pra ela é a única fonte de prazer a gente precisa considerar realmente o entendimento dessa situação para que a gente possa ajudar as pessoas.

Mas no geral, se a pessoa relata por exemplo uma dor durante a relação sexual, se ela relata uma dificuldade, como de capacidade eretiva, não necessariamente a gente vai questionar muito os detalhes. 

Então é importante dizer isso, até porque algumas pessoas têm medo de expor alguns detalhes acerca da sua vida sexual.

Agora vale dizer que o profissional, que atua na área de sexualidade, ele é um profissional comumente ético na sua conduta. Ele responde a um conselho, de medicina ou psicologia. Ou seja, sigilo é uma coisa importante para esses profissionais, seja uma vez que eles sabem de alguma coisa ou algum detalhe acerca da vida do paciente que o procura. 

A pessoa  pode encontrar aconselhamentos e orientações sobre sexualidade, masturbação, técnicas sexuais, etc. em consulta em uma terapia sexual?

FC- Existe parte do tratamento de aconselhamento, orientação, etc… 

Essa parte é importante para que o paciente se desvincule de mitos e ideias errôneos. Até porque, se a pessoa tem uma distorção do conhecimento, ela pode acreditar ter algum problema sexual.

A terapia sexual ajuda a melhorar o relacionamento com o corpo e a autoestima?

FC- É importante realmente a gente relacionar a questão da sexualidade com o corpo e com a autoestima. Pessoas que têm uma dificuldade com o seu próprio corpo, de aceitação, geralmente têm alguma dificuldade na realização da atividade sexual.

São pessoa que, às vezes, querem ter relações sexuais no escuro, cobertas ou semi cobertas, de maneira que o parceiro ou a parceira não veja o seu corpo. Elas se limitam muito em termos de intimidade, porque acabam impedindo variações do ato sexual, por medo de serem desaprovadas. 

Então entender sobre a sexualidade é algo que envolve necessariamente uma busca de auto aceitação, uma procura pelo desenvolvimento da autoestima. Claro que a pessoa ganhando em termos de autoestima e aceitação, ganha em termos de sexualidade. São coisas realmente muito próximas e muito relacionadas.

Há uso de medicações para o tratamento da terapia sexual?

FC- Sim, há uso de medicação para terapia sexual. Não costuma ser um padrão, mas é possível que em algum momento seja sugerida alguma medicação. Podem ser medicações facilitadoras na capacidade eretiva, no caso dos homens. E, por vezes, para as mulheres, é prescrito alguma medicação que seja da naturopatia, que melhore condições de desejo, aumentando direta ou indiretamente o desejo, e/ou o nível de testosterona. 

Existem alguns casos de mulheres que têm problemas de lubrificação, então há, necessariamente, a prescrição de hormônio para que o problema seja solucionado. Muitas vezes, é feita uma avaliação médica. Então é possível sim que uma pessoa tenha alguma prescrição. Essa prescrição não parte de terapeutas sexuais psicólogos, mas sim, quando o terapeuta sexual for médico. E no caso em que o terapeuta sexual psicólogo, quando faz acolhida do paciente, observar a necessidade de um medicamento, ele precisa encaminhar o paciente para um médico. 

Para quem já possui uma vida sexual estável, a terapia sexual pode ajudar a melhorar?

FC- A terapia sexual especificamente, ela é direcionada a alguém que possua algum problema, ainda que não identificado, de funcionamento sexual. Então se a pessoa tá “funcionando” bem procurar um terapeuta sexual, ela vai obter orientações, aconselhamentos, reflexões, orientações de leituras para que ela melhore ainda mais sua vida sexual e que ela também possa prolongar essa estabilidade sexual vivenciada. 

O fato de uma pessoa iniciar uma relação com outra pessoa, e o funcionamento sexual seguir muito bem, não quer dizer que essa situação será mantida. 

Portanto, procurar um profissional, mesmo estando bem sexualmente, pode ser interessante, porque algumas orientações que partem desse profissional podem garantir a longevidade da qualidade da vida sexual.

Qual seria a relação da mulher com a sexualidade? 

FC- É interessante a gente observar que, em função de uma questão mais de cunho cultural, as mulheres têm uma dificuldade maior em relação a sua própria sexualidade ainda, se comparado aos homens.

É muito comum a gente perceber que mulheres tem ainda uma dificuldade maior para tratar a respeito desse assunto de uma forma aberta, clara, tranquila. Até porque, ainda existe um resquício de uma cultura que ela é bem incisiva em relação a sexualidade pro homem e ela é castradora em relação a sexualidade feminina. Esse resquício ainda interfere de certa maneira no funcionamento. 

Quais são as dicas para melhorar a relação sexual de uma pessoa ou de um casal?

FC- É sempre importante a gente pensar tem orientações que são gerais e tem orientações que são específicas, a depender de gênero. Mas em termos gerais, falando pro homem e pra mulher, nós teríamos que pensar muito em algo que vem bem antes da relação sexual propriamente dita. 

Então, o primeiro ponto é a atividade física, tanto pro homem quanto pra mulher. Dessa forma, ambos se mantêm saudáveis e com o bom funcionamento dos sistemas relacionados com o sexo. Nesse caso, refere-se ao sistema cardiovascular, endócrino e nervoso-central.

O segundo ponto é o autoconhecimento, ou seja, a busca de um desenvolvimento de autoestima, que é uma coisa mais ampla e genérica. Logo, é o conhecimento do próprio corpo.

Por fim, na hora da escolha de parceiros é sempre importante que as pessoas identifiquem a compatibilidade. Não só em relação a questão do funcionamento sexual, mas também em termos de comunicação, de interesse, de diálogo, porque o sexo não começa no momento em que as pessoas vão para a cama. Ele começa a partir do momento em que você olha a outra pessoa com admiração, com vontade, com desejo. Então isso é muito importante.

Inpa – Instituto de Psicologia Aplicada, Asa Sul, Brasília – DF, Brasil.

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