Hovenia Dulcis e Dihidromiricetina: o Que a Ciência Realmente Sabe Sobre a Planta Estudada Contra os Efeitos do Álcool

Mãos examinando um ramo de Hovenia dulcis com cachos de frutos secos sobre bancada escura de laboratório, ao lado de um frasco âmbar fechado sem rótulo — a pesquisa científica sobre Hovenia dulcis e o consumo de álcool

A Hovenia dulcis é uma árvore de origem asiática — conhecida no Brasil como cajueiro-japonês, uva-do-japão ou passas-japonesas — cujo fruto contém um flavonoide chamado dihidromiricetina (DHM). Esse composto ganhou projeção em 2012, quando um estudo em ratos descreveu como ele interfere na ação do álcool no cérebro — mas a pesquisa de laboratório sobre a planta e a DHM é anterior a isso: o PubMed registra 19 publicações sobre dihidromiricetina, ampelopsina ou Hovenia dulcis e álcool entre 1990 e 2011. A partir de 2012, reportagens no Brasil e no exterior apresentaram a planta como uma “descoberta científica” contra o alcoolismo.

No consultório, esse tipo de manchete chega com frequência através de pacientes e familiares em busca de qualquer atalho para um problema que, na prática clínica, raramente tem atalho. Revisei a literatura publicada sobre a Hovenia dulcis e a dihidromiricetina — da publicação original de 2012 até a revisão sistemática mais recente, de 2026 — para separar o que já foi demonstrado do que ainda é promessa de laboratório.

A dihidromiricetina tem um mecanismo bem descrito em animais e apenas dois ensaios clínicos pequenos em humanos — ambos sobre ressaca, não sobre alcoolismo. Nenhum dos dois testou a DHM isolada, e o mais recente nem sequer testou a Hovenia dulcis sozinha — testou combinações de extratos. Nenhum estudo até hoje testou a planta como tratamento para o transtorno por uso de álcool.

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O Que É a Hovenia Dulcis e Por Que Ela Chamou Atenção

A Hovenia dulcis Thunb. é uma árvore da família Rhamnaceae, nativa do leste asiático, usada há séculos na medicina tradicional chinesa e coreana para alívio dos efeitos do consumo de álcool. No Brasil, é cultivada e vendida sob nomes populares como cajueiro-japonês, uva-do-japão, banana-do-japão e passas-japonesas — o pedúnculo do fruto, que lembra uma passa, é a parte tradicionalmente consumida.

O composto que concentrou o interesse científico é a dihidromiricetina (DHM, também chamada DMY), um flavonoide extraído da planta. É a DHM — não a planta como um todo, nem o chá feito com ela — que aparece na grande maioria dos estudos de laboratório que vou apresentar a seguir. Essa distinção importa: a maior parte da evidência de que trato aqui foi produzida com o composto isolado e purificado, em doses controladas — não com o fruto ou o chá vendido como suplemento.

A Descoberta Original de 2012: um Estudo em Ratos, Não em Pessoas

A publicação que deu origem à fama da planta é de Shen et al. (2012), da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), publicada no Journal of Neuroscience. Foi esse artigo — não um estudo posterior em humanos — que a reportagem original usada na versão anterior deste post citava como fonte.

O estudo é bem desenhado dentro do que se propõe, mas o que se propõe é importante: nenhuma etapa foi feita em pessoas. O trabalho combina experimentos em ratos vivos, cultura primária de neurônios e um ensaio de ligação (binding) ao sítio dos benzodiazepínicos — todos em material de origem animal. Os pesquisadores mostraram que a DHM injetada (1 mg/kg) reduzia sinais de intoxicação aguda por álcool, sinais de abstinência (incluindo tolerância, ansiedade aumentada e maior propensão a convulsões) e o consumo voluntário de álcool em um protocolo de acesso intermitente. No nível celular, a DHM antagonizou a ação do álcool sobre os receptores GABA-A no cérebro — o mesmo tipo de receptor sobre o qual atuam os benzodiazepínicos — e esse efeito foi revertido pelo flumazenil, antagonista de benzodiazepínicos, o que indica que a DHM interage com esses receptores por uma via relacionada.

Os próprios autores classificaram a DHM como “candidata terapêutica” — o termo usado em ciência para um composto que mostrou mecanismo promissor em modelo animal e que, por isso, justifica investigação futura em humanos. Não é o mesmo que um tratamento validado. De 2012 para cá, é isso que mudou — ou não mudou — nessa investigação.

Os Dois Únicos Ensaios Clínicos em Humanos: Testaram Ressaca, Não Alcoolismo

O mais citado dos dois únicos ensaios clínicos com Hovenia dulcis em humanos — segundo a revisão sistemática mais recente sobre o tema — foi conduzido por Kim et al. (2017), publicado no Journal of Ethnopharmacology, com pesquisadores da Ewha Womans University e da Chonbuk National University, na Coreia do Sul.

É um ensaio clínico randomizado, controlado, cruzado (“crossover”) — desenho metodologicamente sólido, ainda que pequeno: 26 homens adultos saudáveis, todos portadores da variante heterozigota do gene ALDH2 (uma variante genética comum no leste asiático que reduz a capacidade de metabolizar o acetaldeído, subproduto tóxico do álcool). Cada participante consumiu 360 mL de soju coreano (50 g de álcool) junto com extrato padronizado de Hovenia dulcis ou placebo, com cruzamento entre os grupos.

O resultado, com precisão: no pico — uma hora após a ingestão — os níveis de álcool no sangue, os de acetaldeído e o escore total de ressaca não diferiram entre os grupos. O extrato não reduziu o pico de álcool no sangue nem a intensidade máxima do mal-estar. O que foi estatisticamente significativo em relação ao placebo foi a queda dos escores de sintomas ao longo das 12 horas seguintes: os sintomas cederam mais rápido em quem recebeu o extrato. Houve também diferença entre os grupos em marcadores inflamatórios (interleucina-6, interleucina-10, razão IL-10/IL-6) e em aspartato aminotransferase — mas não em endotoxinas. Em outras palavras: o extrato de Hovenia dulcis encurtou o mal-estar do dia seguinte a uma bebedeira, sem reduzir o pico de álcool no sangue, e não foi testado como tratamento para dependência, compulsão ou redução do consumo.

O segundo ensaio, que a revisão de 2026 inclui mas que quase não aparece na cobertura popular, é de Lee et al. (2024), publicado na revista Foods, com 25 participantes entre 19 e 40 anos. E ele afasta ainda mais a planta de uma conclusão limpa: não é um ensaio com extrato de Hovenia dulcis, e sim com combinações de extratos, em que a Hovenia dulcis aparece associada a outros compostos — extrato de Pueraria lobata (HDPB) ou extrato de levedura com glutationa (HDGB), cada um contra placebo. Isso impede isolar o efeito da Hovenia dulcis, quanto mais o da DHM. O achado, tal como publicado: as concentrações de álcool no sangue foram menores nos grupos HDPB e HDGB do que no placebo em 0 h, 0,25 h e 0,5 h — muito cedo — e houve redução de sintomas gastrointestinais na Acute Hangover Scale. Em 6 h há uma diferença a mais, mas ela não é contra o placebo: o HDGB ficou abaixo do HDPB, ou seja, é uma comparação entre duas fórmulas de teste. E, ainda em 6 h, o acetaldeído — o subproduto tóxico do álcool — ficou significativamente mais ALTO nos dois grupos tratados do que no placebo. Nada além disso.

Dois registros de cautela sobre esse ensaio. O primeiro é um conflito de interesse: seis dos treze autores são funcionários da Kwangdong Pharmaceutical Co., empresa cujo P&D desenvolve esse tipo de bebida, patrocinou o estudo e forneceu as amostras testadas. O segundo é formal: embora o próprio artigo se descreva como randomizado, duplo-cego e cruzado, o PubMed classifica o registro apenas como Journal Article, sem o tipo de publicação de ensaio clínico randomizado.

Somando os dois ensaios: nenhum estudo clínico testou a DHM isolada, e nenhum estudo clínico recente testou a Hovenia dulcis sozinha em desenho controlado. É esse o tamanho real da evidência em humanos.

Há ainda um limite de extrapolação que o próprio artigo de 2017 registra. Além de todos os participantes serem portadores da variante heterozigota do ALDH2, os autores encontraram o polimorfismo do gene CYP2E1 funcionando como modificador do efeito — ou seja, o resultado observado depende de um perfil genético específico, e não pode ser transportado sem reservas para a população brasileira.

Os dois ensaios clínicos existentes testaram ressaca depois de uma dose única de álcool — não consumo compulsivo, não dependência, não abstinência.

Um Estudo Testou Outra Via — e Não Achou Efeito

Um pilar do jornalismo científico sério é mostrar também o que contraria a tese central — e aqui existe um contraponto publicado que a cobertura popular da planta geralmente ignora. Skotnicová et al. (2020), da Universidade Charles, em Praga, testaram diretamente se a DHM alterava o metabolismo do álcool e protegia o fígado em ratos. Não é uma replicação do estudo de 2012: testou outra via — o metabolismo hepático do álcool, pela enzima álcool desidrogenase — e em momento nenhum mediu os receptores GABA-A, que são o achado de Shen et al. (2012).

O resultado foi negativo no que mais importava: a DHM não influenciou a atividade nem a expressão da enzima álcool desidrogenase, não alterou a taxa de metabolização do álcool in vivo, e o efeito hepatoprotetor esperado “não foi comprovado” — nas palavras dos próprios autores. O único achado positivo foi uma redução discreta de espécies reativas de oxigênio nos hepatócitos, um efeito antioxidante genérico, não específico do álcool.

Isso não invalida nem confirma o estudo de 2012: são perguntas diferentes, e as duas respostas podem coexistir. O que o estudo tcheco mostra é que a segunda hipótese que sustentava a fama da planta — a de que ela ajudaria o fígado a processar o álcool — não se sustentou quando foi testada de frente.

O Que Diz a Revisão Sistemática Mais Recente (2026)

A revisão mais recente sobre DHM e álcool é de Skinner, Matcha e Davies (2026), da University of Southern California, publicada em julho de 2026 na revista Nutrients, reunindo 22 estudos — 8 in vitro, 17 in vivo (a maioria em roedores) e apenas 2 estudos clínicos em humanos (alguns estudos entraram em mais de uma categoria).

Antes de usar essa revisão como árbitro, é preciso dizer o que ela declara sobre si mesma: não foi registrada previamente e não teve protocolo escrito antes da execução; a busca ficou restrita a uma única base de dados (PubMed); não houve meta-análise; e não foi aplicada nenhuma ferramenta formal de avaliação de risco de viés — a qualidade dos estudos foi julgada de forma qualitativa, porque a heterogeneidade dos desenhos impedia o instrumento padronizado. São limitações que os próprios autores listam. Por isso ela entra aqui como a melhor síntese disponível hoje, não como evidência de força alta.

A síntese dos autores, traduzida com fidelidade: a DHM mostra efeito preclínico consistente atenuando a citotoxicidade, o estresse oxidativo, a inflamação e a esteatose hepática induzidos por álcool — sobretudo em modelos de doença hepática alcoólica. Já os achados sobre metabolismo do etanol e sobre desfechos neurocomportamentais (os que mais interessariam para tratar dependência ou compulsão) foram descritos como “inconsistentes”. A evidência clínica, segundo os próprios autores, “permanece limitada”: os dois únicos estudos em humanos usaram extratos da planta — não a DHM isolada — e avaliaram gravidade de ressaca e marcadores inflamatórios, não desfechos de dependência.

A conclusão dos autores é direta e vale ser citada quase literalmente: são necessários ensaios clínicos bem desenhados, com formulações padronizadas de DHM, para estabelecer o potencial terapêutico completo do composto em condições relacionadas ao álcool. Ou seja: a síntese mais recente da literatura, em 2026, ainda pede o estudo que validaria essa planta como tratamento — o mesmo que faltava em 2013, quando a versão original desta matéria foi publicada.

Isso Significa Que a Planta "Cura" o Alcoolismo?

Não, e é importante ser direto sobre isso. Juntando os estudos revisados aqui, o que existe hoje é: um mecanismo bem descrito em ratos (2012), um estudo em ratos que testou outra via — o metabolismo hepático — e não achou efeito (2020), dois ensaios pequenos em humanos sobre ressaca, nenhum deles com o composto isolado e o de 2024 com combinações de extratos (2017 e 2024), e uma revisão sistemática (2026) que classifica a evidência clínica como limitada e pede mais pesquisa. Nenhum desses estudos testou a Hovenia dulcis ou a DHM como tratamento para o transtorno por uso de álcool — a condição clínica que envolve perda de controle sobre o consumo, tolerância, abstinência e prejuízo funcional.

No consultório, atendo homens que chegam depois de anos tentando controlar sozinhos o próprio consumo de álcool — com força de vontade, com apps, e, com frequência, com algum suplemento ou chá que prometia resolver o que a genética, o hábito e o contexto de vida ajudaram a construir ao longo de anos. O transtorno por uso de álcool, quando presente, é uma condição clínica com componente neurobiológico, comportamental e, em muitos casos, relacional — não se resolve com um composto isolado, por mais interessante que seja o mecanismo em laboratório.

Isso não torna a dihidromiricetina irrelevante como linha de pesquisa — o mecanismo GABA-A descrito por Shen et al. (2012) é biologicamente plausível e continua sendo investigado. O problema não é a ciência básica; é o salto editorial entre “mecanismo promissor em roedores” e “aliado contra o alcoolismo” em humanos — salto que nenhum dos estudos revisados aqui sustenta.

O Que Fazer Quando o Consumo de Álcool Está Fora de Controle

Se o que motivou a busca por esta planta foi a percepção de que o próprio consumo de álcool — ou o de alguém próximo — está fora de controle, o caminho com evidência real não é um suplemento: é a avaliação clínica. E aqui, ao contrário da planta, existe fonte. Uma meta-análise de 30 ensaios randomizados (Magill et al., 2019) mostra que a terapia cognitivo-comportamental supera ausência de tratamento e tratamento mínimo na redução do consumo, e supera o controle inespecífico no seguimento precoce — ainda que não se mostre superior a outras psicoterapias específicas. E uma revisão sistemática com meta-análise de 118 ensaios e 20.976 participantes, publicada no JAMA (McPheeters et al., 2023), sustenta a naltrexona oral (50 mg/dia) e o acamprosato como farmacoterapias de primeira linha para o transtorno por uso de álcool, em conjunto com intervenções psicossociais. Nenhuma dessas alternativas é a Hovenia dulcis.

O primeiro passo, no meu processo de trabalho, é sempre uma avaliação que mapeia o padrão real de consumo, o impacto na vida conjugal e profissional, e os fatores que sustentam o comportamento — antes de qualquer plano de intervenção. É a partir desse mapeamento, não de um composto vegetal, que se constrói um caminho de mudança sustentável.

Glossário

Os termos técnicos usados neste artigo, na acepção que o próprio texto e as fontes citadas empregam.

Dihidromiricetina (DHM)
Flavonoide presente no fruto da Hovenia dulcis, também chamado ampelopsina. É o composto que ganhou projeção em 2012, quando um estudo em ratos descreveu como ele interfere na ação do álcool no cérebro.
Receptor GABA-A
O receptor cerebral sobre o qual a DHM antagonizou a ação do álcool no estudo de 2012 — o mesmo tipo de receptor sobre o qual atuam os benzodiazepínicos.
Extrato padronizado
Preparação com quantidade controlada do composto, usada em dose específica nos ensaios (2460 mg em Kim et al., 2017). Não é o chá caseiro — e não há garantia de que um chá ou suplemento sem padronização reproduza o efeito.
Transtorno por uso de álcool
O quadro clínico do consumo de álcool fora de controle. Nenhum estudo até hoje testou a planta como tratamento para ele: os dois ensaios em humanos mediram sintomas de ressaca, em pessoas sem o transtorno. Como superar o alcoolismo →
Ensaio randomizado, duplo-cego e cruzado
Desenho em que os participantes são sorteados entre as condições, nem eles nem os avaliadores sabem quem recebeu o quê, e cada participante passa pelas duas condições. É como o segundo ensaio se descreve — embora o PubMed classifique o registro apenas como Journal Article.
Placebo
A substância sem princípio ativo com que o tratamento é comparado. Em Kim et al. (2017), no pico, os níveis de álcool no sangue, os de acetaldeído e o escore total de ressaca não diferiram entre o extrato e o placebo.
Revisão sistemática
Levantamento que reúne, por método declarado, os estudos existentes sobre uma pergunta. A mais recente sobre o tema (2026) declara não ter sido registrada previamente, ter buscado em uma única base (PubMed) e não ter aplicado ferramenta formal de avaliação de risco de viés.
Risco de viés
Avaliação de quanto o desenho de um estudo pode ter distorcido o resultado. Aqui ela pesa: seis dos treze autores de um dos ensaios são funcionários da empresa que patrocinou o estudo e forneceu as amostras testadas — conflito de interesse declarado.

Perguntas Frequentes Sobre Hovenia Dulcis e Álcool

A dihidromiricetina (DHM) já foi testada em pessoas com alcoolismo?

Não — e nenhum ensaio clínico testou a DHM isolada; os dois existentes usaram extratos. São eles Kim et al. (2017), com 26 voluntários saudáveis, e Lee et al. (2024), com 25 — este último com combinações de extratos, em que a Hovenia dulcis aparece associada a outros compostos, o que impede isolar o efeito dela. Os dois testaram sintomas de ressaca após uma dose única de álcool, em pessoas sem transtorno por uso de álcool, e nenhum avaliou dependência, compulsão ou capacidade de reduzir o consumo.

A evidência disponível vem quase toda de estudos com o composto isolado (DHM) em animais. Os dois estudos em humanos usaram extratos padronizados em doses específicas (2460 mg, em Kim et al., 2017) — não o chá caseiro — e mesmo assim, em Kim et al. (2017), não houve redução do pico de álcool no sangue — apenas dos sintomas percebidos de ressaca. Não há garantia de que um chá ou suplemento sem padronização reproduza esse efeito.

Não, segundo a literatura revisada aqui. A revisão sistemática mais recente (Skinner et al., 2026) conclui que a evidência clínica sobre DHM e álcool ainda é limitada e pede ensaios clínicos bem desenhados antes de qualquer recomendação terapêutica. O transtorno por uso de álcool tem tratamento com evidência estabelecida — abordagem comportamental estruturada e, quando indicado, farmacoterapia sob avaliação médica —, e nenhum deles é um composto vegetal isolado.

Porque, apesar de ser o estudo fundador (Shen et al., 2012) e de ter mecanismo biologicamente plausível, ele nunca foi seguido por um ensaio clínico em humanos com desfecho de dependência ou compulsão. Na ausência de um estudo mais novo para substituí-lo, a cobertura popular segue recorrendo ao artigo original — muitas vezes sem checar o que a pesquisa mais recente (a revisão de 2026) diz sobre os limites dessa evidência.

Próximo passo

Se o consumo de álcool — seu ou de alguém da sua família — já ultrapassou o que a força de vontade resolve, o próximo passo não é buscar mais um suplemento: é uma avaliação clínica que mapeie o que está de fato sustentando esse padrão. Trabalho com engenharia comportamental baseada em evidências, não com promessas. A consulta avaliativa (90 minutos, individual ou de casal, presencial ou on-line) é o ponto de partida para entender o que está em jogo antes de qualquer plano de mudança.

Sobre o Autor: Fábio Caló, psicólogo

Psicólogo clínico desde 1999, CRP 01/7458, com registro ativo — a verificação pode ser feita diretamente no cadastro nacional do Conselho Federal de Psicologia. Mestre em Psicologia pela Universidade de Brasília (UnB), na área de Análise do Comportamento, e graduado pelo UniCEUB. Fundador do Inpa — Instituto de Psicologia Aplicada, em Brasília.

Atuo em duas frentes de alta complexidade:

Terapia de Casal, com base na pesquisa de John Gottman sobre estabilidade conjugal.

Terapia Sexual, que abrange o tratamento das disfunções sexuais femininas e masculinas — transtorno do orgasmo feminino, dor na relação (dispareunia e vaginismo), ejaculação precoce e retardada, disfunção erétil e desejo sexual hipoativo — e também do consumo problemático de pornografia, para o qual desenvolvi um protocolo específico de intervenção.

Credenciais e Formação:

Mestrado em Psicologia pela Universidade de Brasília (UnB) · Graduação pelo UniCEUB · CRP 01/7458, registro ativo desde 10 de abril de 1999 · Especialização clínica em Terapia de Casal, Terapia Sexual e intervenção no consumo problemático de pornografia.

Canais Oficiais:

fabiocalo.com.br · Instagram @fabiocalo · YouTube @ofabiocalo · LinkedIn fabioaugustocalo

Aviso de propriedade intelectual: este material, incluindo o protocolo de intervenção mencionado, artigos e conteúdos clínicos, constitui propriedade intelectual de Fábio Caló. O uso de metodologias proprietárias ou a reprodução de conteúdos sem a devida autorização ou citação está sujeito às sanções legais aplicáveis. © Copyright 2026. Todos os direitos reservados.

Áreas de atuação: Psicologia Clínica | Terapia de Casal | Terapia Sexual | Tratamento do consumo problemático de pornografia | Saúde Mental

Referências

  • Kim, H., Kim, Y. J., Jeong, H. Y., Kim, J. Y., Choi, E.-K., Chae, S. W., & Kwon, O. (2017). A standardized extract of the fruit of Hovenia dulcis alleviated alcohol-induced hangover in healthy subjects with heterozygous ALDH2: A randomized, controlled, crossover trial. Journal of Ethnopharmacology, 209, 167–174. https://doi.org/10.1016/j.jep.2017.07.028
  • Lee, K. W., Xu, G., Paik, D. H., Shim, Y. Y., Reaney, M. J. T., Park, I., Lee, S.-H., Park, J.-Y., Park, E., Lee, S.-B., Kim, I. A., Hong, J. Y., & Kim, Y. J. (2024). Clinical evaluation of Hovenia dulcis extract combinations for effective hangover relief in humans. Foods, 13(24), Article 4021. https://doi.org/10.3390/foods13244021
  • Magill, M., Ray, L., Kiluk, B., Hoadley, A., Bernstein, M., Tonigan, J. S., & Carroll, K. (2019). A meta-analysis of cognitive-behavioral therapy for alcohol or other drug use disorders: Treatment efficacy by contrast condition. Journal of Consulting and Clinical Psychology, 87(12), 1093–1105. https://doi.org/10.1037/ccp0000447
  • McPheeters, M., O’Connor, E. A., Riley, S., Kennedy, S. M., Voisin, C., Kuznacic, K., Coffey, C. P., Edlund, M. D., Bobashev, G., & Jonas, D. E. (2023). Pharmacotherapy for alcohol use disorder: A systematic review and meta-analysis. JAMA, 330(17), 1653–1665. https://doi.org/10.1001/jama.2023.19761
  • Shen, Y., Lindemeyer, A. K., Gonzalez, C., Shao, X. M., Spigelman, I., Olsen, R. W., & Liang, J. (2012). Dihydromyricetin as a novel anti-alcohol intoxication medication. The Journal of Neuroscience, 32(1), 390–401. https://doi.org/10.1523/JNEUROSCI.4639-11.2012
  • Skinner, S. G., Matcha, S., & Davies, D. L. (2026). Therapeutic effects of dihydromyricetin on wholly alcohol-attributed conditions: A systematic review. Nutrients, 18(14), Article 2221. https://doi.org/10.3390/nu18142221
  • Skotnicová, A., Boubínová, G., Boštíková, Z., Dušková, Š., Šulc, M., Kutinová-Canová, N., Mráz, J., & Hodek, P. (2020). Does dihydromyricetin impact on alcohol metabolism. Physiological Research, 69(Suppl 4), S573–S581. https://doi.org/10.33549/physiolres.934606
Fábio Caló, psicólogo clínico e mestre pela UnB, em Brasília
Sou Fábio Caló, psicólogo clínico e Mestre pela UnB com 27 anos de prática baseada em evidências. Especialista em intervenções de alta complexidade para crises conjugais (Método Gottman) e tratamento do consumo problemático de pornografia, através de protocolo clínico próprio. Ajudo pacientes e casais a superarem padrões destrutivos com estratégias científicas e resultados mensuráveis.

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