Sou Hétero Mas Assisto Pornô Trans: Parafilia, Vício em Pornografia, Identidade Sexual e o Que a Ciência Explica

Parafilia refere-se a um padrão de interesse, fantasia ou comportamento sexual intenso e recorrente envolvendo objetos, situações, atividades ou alvos considerados atípicos pela maioria da população, que persiste por no mínimo seis meses (American Psychiatric Association, 2022).

Inicialmente, trago esta definição porque ela será importante para você entender os porquês (1) de você estar consumindo o que consome quando o assunto é pornografia e até (2) de mesmo fazer o que tem feito no sentido de se excitar por algumas das suas fantasias incomuns e divergentes da sua orientação sexual.

Segundo os critérios do DSM-5-TR e da CID-11, a parafilia em si não constitui um transtorno mental: torna-se transtorno parafílico apenas quando gera sofrimento clinicamente significativo, prejuízo funcional (social, ocupacional, relacional) ou envolve comportamento não consensual que prejudica terceiros (American Psychiatric Association, 2022). A mesma distinção é adotada pela CID-11: a parafilia por si só não constitui um transtorno — tornando-se transtorno parafílico apenas quando o padrão envolve não-consentimento, gera sofrimento marcante ou implica risco significativo para o indivíduo (Krueger et al., 2017). 

Essa distinção crítica reconhece que interesses sexuais divergentes podem existir sem patologia, mas demandam intervenção clínica quando causam dor psicológica, comprometem a qualidade de vida ou conflitam com valores pessoais do indivíduo.

É nesse segundo cenário — o do sofrimento real — que atendo há mais de 25 anos. Homens heterossexuais chegam ao consultório relatando: “Eu não consigo mais parar de ver pornô”. O que começou como curiosidade transformou-se em consumo compulsivo de material cada vez mais específico — travestismo, estimulação anal, cenas de humilhação, pornê gay — conteúdo que ele jamais imaginaria excitante anos atrás. É o homem que chega ao consultório dizendo: “sou hétero, mas assisto pornô trans — e não consigo parar.” 

Esses homens têm entre 30 e 45 anos, são bem-sucedidos, estão em relacionamentos estáveis, mas perderam o controle sobre a própria sexualidade e sofrem: vergonha intensa, culpa, medo de serem descobertos, desconexão emocional com suas parceiras. A parafilia, quando associada ao vício em pornografia, não é sobre “gostos sexuais diferentes”, mas sobre descontrole, sofrimento e perda de identidade.

Na minha experiência clínica, observo que esse padrão parafílico costuma estar ligado ao consumo problemático e progressivo de pornografia online. De acordo com modelos de condicionamento sexual bem documentados, o cérebro aprende por associação repetida: assistir repetidamente a um conteúdo específico durante o orgasmo cria uma resposta condicionada — “isso = prazer intenso”. Com o tempo, o que era novidade torna-se preferência; o que era preferência pode tornar-se compulsão, como explicarei a seguir.

Além disso, muitos homens usam pornografia como regulação emocional disfuncional: diante do estresse, ansiedade ou pressão, a masturbação oferece alívio imediato, previsível, sem demandas emocionais (Lew-Starowicz, Lewczuk et al., 2020). Surge então o ciclo da vergonha: quanto mais consome conteúdo que conflita com seus valores, mais vergonha sente; quanto mais vergonha, mais busca pornografia para aliviar a dor — um ciclo autoperpetuante (van Tuijl et al., 2021).

E esse padrão parafílico progressivo raramente surge isolado: frequentemente reflete insatisfação relacional ou desconexão emocional com a parceira. Quando o sexo real parece monótono, previsível ou emocionalmente demandante, a pornografia oferece intensidade sem vulnerabilidade. Muitos homens relatam que a intimidade real exige presença, comunicação, lidar com expectativas — enquanto a pornografia oferece gratificação instantânea sem risco de rejeição. Com o tempo, o cérebro aprende: “sexo real = esforço; pornografia = prazer garantido”. Essa comparação cria um círculo vicioso: quanto menos investem na intimidade real, menos prazerosa ela se torna; quanto menos prazerosa, mais recorrem à pornografia como substituto.

Se você reconhece esse padrão em sua vida — consumo compulsivo de pornografia, escalada para conteúdos divergentes (homossexual, transsexual, outros), vergonha, perda de controle, desconexão com sua parceira —, saiba que isso não é falha moral, nem fraqueza de caráter. É um quadro clínico que exige avaliação e intervenção profissional. A terapia sexual oferece um espaço seguro, sem julgamento, para compreender as causas psicológicas, comportamentais e relacionais do seu comportamento sexual e construir estratégias baseadas em evidências para retomar o autocontrole. Não há “solução rápida”, mas há caminho terapêutico com respaldo científico. Siga comigo neste artigo.

Nota: “Vício em pornografia” é um termo adotado de forma coloquial/clínica, mas o status nosológico ainda é debatido no meio científico. Como exemplo, a CID-11 usa o termo Transtorno de Comportamento Sexual Compulsivo.

Neste artigo, você lerá:

Sou Hétero, Assisto Pornô Trans e Entro em Crise: Por Que Isso Acontece e Quais os Impactos Dessa Prática? 

Vamos direto ao ponto: você está assistindo pornografia que, há alguns anos, você jamais imaginaria que te excitaria. Talvez seja travestismo — homens vestidos de mulher. Talvez seja estimulação anal ou conteúdo homossexual. Talvez sejam cenas de humilhação, submissão, conteúdo que foge completamente do que você sempre considerou “sua sexualidade”. E agora você se pergunta: “O que está acontecendo comigo? Isso significa que eu sou gay? Que eu tenho algum problema mental? Que minha sexualidade mudou?”

A resposta curta e direta: – provavelmente não. A resposta longa exige que você entenda a diferença crucial entre ter uma fantasia sexual atípica e ter um transtorno mental. E essa distinção, validada pelos critérios diagnósticos mais rigorosos da psicologia e psiquiatria modernas, pode ser o que separa você de anos de vergonha desnecessária — ou, inversamente, de anos sem buscar a ajuda que você realmente precisa.

Homem heterossexual à frente do computador consumindo conteúdo pornô trans.

Homem Hétero com Fantasia Trans: Quando Isso É Normal e Quando Vira um Problema

O DSM-5-TR, manual diagnóstico que define os critérios oficiais para todos os transtornos mentais reconhecidos pela psiquiatria/psicologia, é absolutamente claro sobre isso: ter uma parafilia não é, por si só, um transtorno mental (American Psychiatric Association, 2022). Leia isso novamente, porque é fundamental: você pode ter interesses sexuais atípicos — incluindo travestismo fetichista, estimulação anal, ou qualquer outra preferência fora do “padrão majoritário” — e isso por si só não faz de você uma pessoa com transtorno mental.

A parafilia só se torna transtorno parafílico quando atende a um destes critérios (American Psychiatric Association, 2022; Krueger et al., 2017):

  1. Causa sofrimento clinicamente significativo — você não consegue parar de pensar nisso, sente vergonha intensa, culpa, ansiedade, depressão relacionada ao seu comportamento sexual.
  2. Causa prejuízo funcional — sua vida está sendo afetada: seu desempenho no trabalho caiu, seus relacionamentos estão deteriorando, você evita situações sociais por medo de ser descoberto, sua saúde mental e física está comprometida.
  3. Envolve comportamento não consensual — sua parafilia exige que você viole o consentimento de outra pessoa, como voyeurismo sem consentimento, exibicionismo, ou qualquer forma de abuso sexual.

Essa distinção foi deliberadamente construída pelos especialistas que revisaram os critérios diagnósticos porque a sexologia moderna reconhece que a diversidade sexual humana é ampla, e que julgar moralmente preferências sexuais não é papel da ciência clínica (Krueger et al., 2017). O papel da clínica é intervir quando há sofrimento, prejuízo ou risco — o que, acredito, é o seu caso.

Então, a pergunta que você precisa se fazer não é: “Por que eu gosto disso?” A pergunta é: “Isso está me causando sofrimento? Isso está destruindo minha vida?”

Se a resposta for não — se você ocasionalmente assiste pornografia com travestismo ou pratica estimulação anal, isso te excita, você tem orgasmo, e depois volta à sua vida normal sem culpa devastadora, sem prejuízo no trabalho, sem destruição do seu relacionamento — , então, clinicamente falando, você não tem um transtorno. Você tem uma preferência sexual atípica. E isso, por si só, não demanda tratamento.

Mas se a resposta for sim — se você passa horas por dia consumindo esse conteúdo, se não consegue parar mesmo querendo, se sente vergonha insuportável, se está perdendo o desejo sexual pela sua parceira, se está evitando intimidade real, se está desenvolvendo disfunção erétil, se está com sintomas de ansiedade ou depressão —, então você está dentro do espectro do transtorno parafílico, e a intervenção clínica é não apenas recomendada, mas necessária.

Um estudo demonstrou que o sofrimento subjetivo — especialmente quando deriva da percepção de incongruência entre o comportamento sexual e os próprios valores pessoais — é um dos preditores mais consistentes de sofrimento psicológico e percepção de uso problemático (Grubbs et al., 2019). Em outras palavras: você sabe quando algo está errado. Seu cérebro está te alertando. E ignorar esse alerta porque você sente vergonha de falar sobre isso só prolonga o sofrimento.

Travestismo Fetichista em Heterossexuais: Que Realmente Explica Essa Excitação?

Vamos falar especificamente sobre travestismo fetichista, porque é uma das parafilias mais comuns entre os homens heterossexuais que atendo — e também uma das mais incompreendidas.

Travestismo fetichista é definido pelo DSM-5-TR como excitação sexual recorrente e intensa derivada de vestir-se com roupas tipicamente associadas ao gênero oposto (geralmente roupas femininas, no caso de homens), que persiste por no mínimo seis meses (American Psychiatric Association, 2022). A palavra-chave aqui é fetichista — a excitação vem especificamente do ato de vestir-se, não de uma identificação genuína com o gênero feminino.

Isso é completamente diferente de disforia de gênero ou identidade transgênero. No travestismo fetichista, o homem se identifica como homem, não deseja transicionar de gênero, e a excitação sexual está vinculada ao ato de cross-dressing como estímulo erótico. Quando ele não está engajado na atividade sexual, ele se veste como homem, vive como homem, e se percebe como homem (American Psychiatric Association, 2022).

Mas aqui está o que confunde muitos homens heterossexuais que consomem pornografia com travestismo (ou pornografia sissy): você não está necessariamente praticando travestismo fetichista só porque assiste pornografia com travestis ou homens vestidos de mulher. O diagnóstico de travestismo fetichista exige que você mesmo se vista com roupas femininas para obter excitação sexual. Se você apenas assiste pornografia com esse conteúdo, mas não pratica travestismo pessoalmente, o que você tem é interesse sexual por conteúdo relacionado a travestismo — não necessariamente o transtorno em si. Mas, se isso também te traz sofrimento, busque ajuda profissional especializada.

Então, por que homens heterossexuais — homens que sempre se identificaram como héteros, que têm parceiras mulheres, que nunca tiveram atração romântica ou sexual por homens — chegam ao consultório perguntando “sou hétero, mas estou atraído por conteúdo trans — o que isso significa?

A resposta envolve condicionamento sexual e escalada de estímulos, que vamos explorar em profundidade no próximo tópico deste artigo. Mas aqui está o essencial: o cérebro humano é uma máquina de aprendizagem por associação. Quando você assiste repetidamente a um tipo específico de pornografia durante a masturbação — especialmente durante o orgasmo, momento de pico de liberação de dopamina —, seu cérebro aprende a associar aquele estímulo visual específico com prazer sexual intenso. Com o tempo, essa associação se fortalece. E, eventualmente, você pode desenvolver uma resposta condicionada: ver aquele conteúdo específico te excita, mesmo que não reflita suas preferências sexuais “naturais” ou seus valores pessoais.

Pesquisas em condicionamento sexual demonstram que a excitação pode ser condicionada a estímulos inicialmente neutros quando esses estímulos são repetidamente pareados com gratificação sexual (Hoffmann, 2017). Em experimentos clássicos, Rachman (1966) demonstrou que homens desenvolviam resposta erétil a imagens de botas femininas após exposição repetida pareada com fotografias de mulheres nuas. Em replicação e extensão posterior, Rachman e Hodgson (1968) confirmaram o fenômeno e demonstraram que a resposta condicionada generalizou-se para outros tipos de calçado não presentes no treino original. Após repetições suficientes, o estímulo neutro isolado — a imagem da bota — já era suficiente para disparar excitação sexual, sem necessidade da imagem erótica original.

Agora, imagine esse processo de condicionamento não em um laboratório controlado, mas ao longo de anos de consumo progressivo de pornografia online. Você começa com conteúdo “convencional”. Com o tempo, aquele conteúdo deixa de gerar a mesma intensidade de excitação — um fenômeno chamado habituação. Então, você busca novidade: conteúdo um pouco mais específico, um pouco mais intenso, um pouco mais “diferente”. E o cérebro, ávido por novidade e por picos de dopamina, responde positivamente. Você tem orgasmo. O ciclo se repete. E, eventualmente, você está assistindo conteúdo que jamais imaginaria excitante quando começou.

Isso explica por que tantos homens heterossexuais relatam que o consumo de pornografia com travestismo surgiu gradualmente, não como uma preferência sexual pré-existente, mas como resultado de uma escalada progressiva de conteúdo. Eles não “se tornaram gays”. Eles não “mudaram de orientação sexual”. Eles condicionaram uma resposta de excitação a um estímulo específico através de exposição repetida.

Uma das perguntas mais frequentes é: “pornô trans muda orientação sexual?” A resposta é não — mas o condicionamento pode criar confusão real. E aqui está o ponto crítico: se esse condicionamento está causando sofrimento — se você diz a si mesmo “isso não sou eu”, se está gerando culpa ou vergonha intensa, se está interferindo na sua intimidade real, se você não consegue parar mesmo querendo —, então você está dentro do território do transtorno parafílico. E há tratamento baseado em evidências para isso.

Mas se você ocasionalmente assiste pornografia com travestismo, isso te excita, você não sente culpa devastadora, e sua vida sexual real está funcionando normalmente, então você não tem um transtorno. Você tem uma preferência sexual atípica condicionada. E, novamente, isso não demanda necessariamente tratamento — a menos que você decida que quer mudá-la.

A terapia sexual não está aqui para julgar suas fantasias. Está aqui para restaurar seu controle quando você sente que o perdeu.

Por Que Você Foi de Pornô Comum para Pornô Trans: A Escalada do Vício em Pornografia

Deixe eu adivinhar: você não começou assistindo pornografia com travestis, conteúdo gay, ou cenas de humilhação. Você começou com pornografia “normal” — casais heterossexuais, mulheres atraentes, cenas convencionais. E funcionava. Você se excitava, tinha orgasmo, pronto. Não havia culpa, não havia vergonha, não havia conflito.

Mas, com o tempo, algo mudou. Aquele conteúdo que antes era suficiente deixou de gerar a mesma intensidade de excitação. Então, você começou a explorar: categorias um pouco diferentes, cenários um pouco mais específicos. E funcionou — por um tempo. Até que, de novo, deixou de funcionar. E você precisou buscar algo mais intenso, mais específico, mais “diferente”.

E agora você está aqui: assistindo conteúdo que você jamais imaginaria excitante cinco ou dez anos atrás. Conteúdo que, se alguém te perguntasse “você gosta disso?”, você responderia, honestamente: “Não. Mas é o único que ainda funciona.”

Bem-vindo à escalada pornográfica — um fenômeno neurobiológico, psicológico e comportamental que está documentado na literatura científica (Bőthe et al., 2020; Wéry & Billieux, 2017).

Se desejar acesso a mais conteúdo sobre o mecanismo biológico envolvido na escalada do vício em pornografia, leia meu artigo anterior que é um verdadeiro manual sobre o tema

O Que Acontece no Seu Cérebro Quando o Pornô Hétero Deixa de Funcionar

Vamos falar de dopamina — porque é impossível entender a escalada pornográfica sem entender como seu cérebro responde à recompensa sexual.

A dopamina é um neurotransmissor — uma substância química que transmite sinais entre neurônios no cérebro. Ela está profundamente envolvida no sistema de recompensa cerebral, a rede neural que evoluiu para nos motivar a buscar coisas essenciais à sobrevivência: comida, água, sexo, conexão social (Volkow et al., 2016). Quando você faz algo que seu cérebro interpreta como “bom para a sobrevivência” — como comer quando está com fome, ou ter um orgasmo —, há uma liberação massiva de dopamina nas regiões cerebrais associadas à recompensa, especialmente o núcleo accumbens (Oei et al., 2012).

Essa liberação de dopamina gera uma sensação de prazer intenso, mas, mais importante, ela reforça o comportamento: seu cérebro aprende “isso é bom; faça isso de novo”. É um mecanismo evolutivo brilhante que garantiu que nossos ancestrais buscassem comida, se reproduzissem e sobrevivessem.

Mas aqui está o problema: o cérebro humano evoluiu em um ambiente onde estímulos sexuais eram escassos e imprevisíveis. Encontrar um parceiro sexual demandava esforço, risco, tempo. O sistema de recompensa evoluiu para motivar fortemente a busca por oportunidades sexuais raras. Agora, pela primeira vez na história humana, você tem acesso ilimitado, instantâneo e gratuito a estímulos sexuais artificialmente intensificados — literalmente milhões de vídeos pornográficos, disponíveis 24 horas por dia, no seu bolso (Wéry & Billieux, 2017).

O que acontece quando você expõe esse sistema de recompensa evolutivo a uma supernova de estímulos sexuais?

Primeiro: habituação. Habituação é o processo pelo qual o cérebro reduz sua resposta a um estímulo repetido. É por isso que o primeiro pedaço de chocolate é delicioso, mas o décimo pedaço já não gera o mesmo prazer. É por isso que a música que você adorava e escutava no repeat eventualmente se torna “comum”. O cérebro se adapta (Wéry & Billieux, 2017). Com pornografia, a habituação funciona assim: você assiste repetidamente ao mesmo tipo de conteúdo. Inicialmente, há pico de dopamina, excitação intensa, orgasmo satisfatório. Mas, após exposições repetidas, a resposta dopaminérgica diminui. O mesmo estímulo não gera mais o mesmo pico. A excitação é menor. O prazer é menor. E você sente que “não está funcionando mais” (Volkow et al., 2016).

Segundo: busca por novidade. O cérebro humano é programado para preferir estímulos novos. Novidade ativa o sistema de recompensa com mais intensidade do que estímulos familiares. Isso também faz sentido evolutivo: explorar o ambiente e descobrir novas fontes de comida, novos territórios, novos parceiros aumentava as chances de sobrevivência. Na era da pornografia online, isso significa que conteúdo novo — categorias diferentes, cenários inéditos, estímulos mais intensos — gera picos maiores de dopamina do que conteúdo repetido (Bőthe et al., 2020). 

O efeito Coolidge — a renovação da resposta sexual diante de estímulos percebidos como novos — é um fenômeno descrito originalmente em estudos animais (Dewsbury, 1981), com correlato neurobiológico identificado no aumento da transmissão dopaminérgica no nucleus accumbens em resposta à novidade sexual (Fiorino et al., 1997). Revisões da literatura indicam que esse padrão se mostra consistente entre espécies, incluindo humanos, ainda que com variações importantes conforme o sexo (Ventura-Aquino et al., 2018). No contexto do consumo de pornografia online, a disponibilidade contínua de estímulos percebidos como novos tem sido apontada como um dos mecanismos subjacentes à manutenção do comportamento compulsivo, embora sua extrapolação direta para o consumo de pornografia ainda seja tema de debate na literatura (Privara & Bob, 2023; Dewsbury, 1981).

Então, quando o “pornô básico” deixa de funcionar, seu cérebro naturalmente busca novidade. Você clica em uma categoria diferente. E funciona: pico de dopamina, excitação intensa, orgasmo. O cérebro aprende: “novidade = recompensa”. E o ciclo se repete. Mas, eventualmente, aquela “nova” categoria também se torna familiar. Então, você precisa de mais novidade. Conteúdo mais específico. Mais intenso. Mais diferente (Bőthe et al., 2020).

E assim começa a escalada: de pornografia “convencional” para conteúdo de nicho. De nicho para extremo. De extremo para tabu. Não porque você “sempre quis isso”, mas porque seu cérebro está desesperado por estímulos que ainda gerem picos de dopamina (Wéry & Billieux, 2017).

Pesquisas com grandes amostras indicam que a frequência de uso de pornografia está associada a padrões de escalada qualitativa, nos quais o consumidor progride para categorias de conteúdo cada vez mais atípicas ou extremas (Bőthe et al., 2019, 2020). Esse fenômeno é explicado pelo mecanismo de dessensibilização: com a exposição repetida, o estímulo perde impacto e o indivíduo passa a buscar conteúdos de maior intensidade para atingir o mesmo nível de ativação — o que não reflete uma preferência sexual pré-existente, mas um processo comportamental progressivo.

Por Que Você Precisa de Conteúdo Cada Vez Mais Extremo Para Sentir Prazer

Agora vamos falar do mecanismo específico que explica por que você precisa de conteúdo cada vez mais extremo — não porque você “quer”, mas porque é o único que ainda funciona.

Esse mecanismo é amplamente estudado na literatura de adição sob o conceito de saliência de incentivo — a capacidade de estímulos condicionados de ativar desejo intenso independentemente do prazer que efetivamente proporcionam (Berridge & Robinson, 2016). 

Funciona assim:

Você assiste pornografia. Você tem orgasmo. No momento do orgasmo, há liberação massiva de dopamina e outros neurotransmissores associados ao prazer. Seu cérebro, naquele exato momento, está registrando o contexto: o que você estava vendo, o que estava ouvindo, o que estava sentindo. E ele cria uma associação: “esse estímulo visual específico = prazer intenso” (Volkow et al., 2016).

Após repetições suficientes, apenas ver aquele estímulo — mesmo sem masturbação, mesmo sem orgasmo — dispara uma resposta cerebral: aumento de dopamina, ativação do sistema de recompensa, desejo intenso. O estímulo se tornou um gatilho condicionado (Wéry & Billieux, 2017).

Mas aqui está o problema: com exposição repetida ao mesmo estímulo condicionado, a resposta dopaminérgica diminui. É a habituação de novo. Então, seu cérebro precisa de estímulos condicionados mais intensos para gerar a mesma resposta. E a pornografia online oferece exatamente isso: uma progressão infinita de intensidade (Wéry & Billieux, 2017).

Você começa condicionando excitação a “mulher atraente nua”. Depois, precisa de “mulher atraente fazendo X”. Depois, “duas mulheres fazendo X”. Depois, “cenário Y com Z”. E, eventualmente, você está condicionando excitação a conteúdo que seu eu de alguns anos atrás consideraria incompreensível — travestismo, homossexualidade, transsexualidade, estimulação anal, humilhação, conteúdo tabu. Essa escalada da pornografia — que frequentemente avança para conteúdo trans — não é escolha consciente, é neurobiologia.

E aqui está a parte mais importante: isso não reflete sua sexualidade “real”. Reflete plasticidade neural — a capacidade do cérebro de aprender novas associações. Seu cérebro aprendeu a associar excitação sexual a estímulos específicos porque você os pareou repetidamente com orgasmo. Se você tivesse pareado outros estímulos — digamos, imagens de botas de chuva amarelas — com orgasmo durante anos, você teria desenvolvido excitação sexual por botas de chuva amarelas. O cérebro não julga o conteúdo; ele apenas aprende associações (Hoffmann, H. et al., 2004).

Mas a escalada não é apenas neurobiológica. Há também um componente psicológico poderoso: transgressão.

Estudos sobre uso problemático de pornografia indicam que conteúdo percebido como “proibido” ou “tabu” pode gerar excitação mais intensa, possivelmente por adicionar elementos de novidade e quebra de normas pessoais ao estímulo sexual (Bőthe et al., 2020). Por quê? Porque a transgressão adiciona um elemento de risco, novidade e quebra de normas sociais — e o cérebro responde a isso com aumento de dopamina e adrenalina.

Então, à medida que você escala para conteúdo cada vez mais divergente, há um efeito psicológico adicional: “Isso é proibido. Isso é tabu. Ninguém pode saber que eu assisto isso.” Essa percepção de transgressão intensifica a excitação. E o cérebro aprende: “conteúdo transgressivo = excitação mais intensa”. E você precisa de mais transgressão na próxima vez (Bőthe et al., 2020).

É um ciclo autoperpetuante: habituação → busca por novidade → conteúdo mais extremo → condicionamento → habituação ao conteúdo extremo → busca por conteúdo ainda mais extremo. E em algum momento você olha para trás e pensa: “Como eu cheguei até aqui?”

A resposta: gradualmente, um clique de cada vez.

A História de Leonardo: “Eu Era Hétero, Tinha Uma Vida Normal… Até Que Não Tinha Mais”

Leonardo (nome fictício) tem 38 anos. É engenheiro, ganha bem, tem uma esposa que ele ama, dois filhos pequenos. Quando chegou ao meu consultório, ele disse: “Fábio, eu não sei mais quem eu sou. Eu acho que virei gay. Ou virei alguma coisa. E estou apavorado.”

A história dele é a história de centenas de homens que atendi ao longo de 27 anos. E, se você está lendo isso, provavelmente é a sua história também.

Leonardo começou a assistir pornografia aos 14 anos de idade. Fotos, depois vídeos, depois internet. Nada incomum. Pornografia heterossexual convencional — casais, mulheres atraentes, sexo “normal”. Ele se masturbava, tinha orgasmo e pronto. Não havia culpa, não havia conflito. Ele era heterossexual, tinha namoradas, sua sexualidade funcionava perfeitamente.

Aos 20 e poucos anos, casou-se. Vida sexual ativa, satisfatória. Mas, como muitos homens, ele continuou assistindo pornografia ocasionalmente — “só para variar”, ele disse. E, gradualmente, a frequência aumentou: uma vez por semana, depois três vezes, depois todo dia. A esposa não sabia. Ele escondia.

E aqui começou a escalada.

“No começo, eu assistia vídeos de casais. Depois, comecei a procurar coisas mais específicas: mulheres com corpos específicos, cenários específicos. E funcionava. Mas, com o tempo, aquilo deixava de me excitar. Então eu procurava algo diferente. Algo mais intenso.”

Aos 30 anos, Leonardo estava assistindo pornografia todo dia, às vezes várias vezes por dia. E o conteúdo tinha mudado completamente. Ele estava assistindo pornografia com travestis — homens vestidos de mulher, com próteses femininas, fazendo sexo com homens. Ele também estava assistindo vídeos de conteúdo homossexual e com masturbação anal — homens se penetrando com objetos, com dildos, simulando penetração receptiva.

“Eu não entendia”, ele disse. “Eu sou hétero. Eu nunca senti atração por homens na vida real. Nunca olhei para um homem na rua e senti desejo. Mas, na pornografia, era a única coisa que ainda me excitava. E eu comecei a entrar em pânico: ‘Será que eu sou gay e nunca soube? Será que eu estou me tornando gay?'”

Ele tentou parar. Deletou o histórico, bloqueou sites pornográficos, prometeu a si mesmo que nunca mais assistiria. Durou três dias. Depois, voltou. Sempre voltava.

E, gradualmente, o impacto na vida real começou a aparecer. Leonardo perdeu o desejo sexual pela esposa. “Eu olhava para ela e não sentia nada. Mas quando eu abria o pornô, a excitação vinha imediatamente.” Ele começou a ter dificuldade de ereção durante o sexo real. Começou a evitar intimidade. Começou a inventar desculpas: “Estou cansado. Estou estressado. Tenho que me concentrar numas demandas de trabalho.”

A esposa percebeu. “Ela me perguntou se eu estava tendo um caso. E, de certa forma, eu estava — mas com pornografia, não com outra mulher.”

Leonardo também começou a experimentar na vida real o que assistia na pornografia. Começou a praticar masturbação anal. Comprou brinquedos sexuais online. E, em um momento de desespero, comprou roupas femininas — lingerie, meias-calças — e se vestiu com elas enquanto se masturbava assistindo pornografia com travestis.

“Eu me olhei no espelho vestido daquilo e senti nojo de mim mesmo. Eu pensei: ‘O que eu virei? Quem é esse homem?’ E chorei. Chorei muito. Porque aquele não era eu. Aquele não era o Leonardo que eu conhecia. Mas era o único jeito de sentir excitação.”

Quando Leonardo chegou ao consultório, ele estava em estado de crise existencial. Ele acreditava que estava “virando gay”. Ele acreditava que sua sexualidade tinha “mudado”. Ele acreditava que havia algo fundamentalmente errado com ele.

Minha resposta foi direta: “Leonardo, você não se tornou gay. Você condicionou sua resposta sexual a estímulos específicos através de anos de exposição repetida a pornografia online. E agora você perdeu o controle. Mas há tratamento. E você pode retomar o controle.”

Levou seis meses de um protocolo baseado em terapia cognitivo-comportamental intensiva. Cessação do uso de pornografia. Reestruturação cognitiva. Mindfulness. Reconexão com a esposa. Reconstrução gradual da resposta sexual ao estímulo real. Essa combinação de componentes é consistente com abordagens cognitivo-comportamentais para uso problemático de pornografia que têm demonstrado eficácia na literatura especializada (López-Pinar et al., 2025).

Hoje, dois anos depois, Leonardo tem vida sexual ativa e satisfatória com a esposa. Ele não assiste mais pornografia. E, quando eu perguntei se ele ainda sentia excitação por travestismo ou masturbação anal, ele disse: “Não consigo me imaginar vendo aquilo. E olha que eu achei que aquilo era ‘quem eu realmente era’. Mas não era. Era só condicionamento. E quando eu quebrei o condicionamento, aquilo desapareceu.”

A história de Leonardo, contada aqui com o consentimento dele para ajudar outros homens, não é exceção. É a regra. E se você reconhece sua própria história na dele, saiba: você não está sozinho. E você pode sair disso!

Culpa por Assistir Pornô Trans: O Ciclo Vergonha-Compulsão Que Mantém Você Preso

Você já viveu isso: acabou de ter orgasmo assistindo pornografia. Por alguns segundos, há um vazio. E então vem a enxurrada de autocrítica: “De novo. Eu prometi que não ia fazer isso de novo. O que há de errado comigo? Por que eu não consigo parar? Eu sou patético. Eu sou nojento. Eu sou fraco.”

A vergonha te consome. Você se sente sujo, inadequado, fora de controle. Você olha para o relógio e percebe que perdeu horas assistindo pornografia — horas que você poderia ter passado com sua parceira, com seus filhos, trabalhando, vivendo. Você pensa: “Nunca mais. Essa foi a última vez.”

Você fecha o navegador. Deleta o histórico. Promete a si mesmo que vai mudar. E você realmente acredita nisso — naquele momento.

Para homens casados, a culpa por assistir pornô trans é ainda mais intensa — há um casamento em jogo, uma identidade a proteger.

Mas então vem o estresse. O prazo apertado no trabalho. A discussão com sua parceira. A ansiedade que não desliga. A solidão. A insônia. E seu cérebro, desesperado por alívio imediato, sussurra: “Só um vídeo. Só pra relaxar. Só dessa vez.”

E você volta. Sempre volta.

Bem-vindo ao ciclo vergonha-compulsão — o mecanismo psicológico que mantém o vício em pornografia funcionando como um motor autoperpetuante, onde a vergonha não reduz o comportamento; ela o alimenta (van Tuijl et al., 2021; Floyd et al. , 2022).

Dissonância Moral: “Isso Não Sou Eu, Mas Não Consigo Parar”

Vamos começar com um conceito psicológico fundamental: dissonância cognitiva.

Dissonância cognitiva é o desconforto psicológico intenso que você sente quando mantém duas crenças ou valores contraditórios ao mesmo tempo, ou quando seu comportamento contradiz seus valores pessoais. É uma tensão mental insuportável — seu cérebro odeia contradições e fará quase qualquer coisa para resolvê-las.

No contexto do uso problemático de pornografia, a dissonância cognitiva funciona assim:

Crença/valor: “Eu sou um homem heterossexual, fiel, que valoriza intimidade real, que respeita minha parceira, que tem autocontrole.”

Comportamento: “Eu passo horas assistindo pornografia com travestis, me masturbo analmente, escondo isso da minha parceira, minto sobre onde estou, perco intimidade real, não consigo parar mesmo querendo.”

Essas duas realidades não podem coexistir confortavelmente na sua mente. Então, seu cérebro tenta resolver a dissonância. E há três formas principais de fazer isso:

Mudar o comportamento — parar de assistir pornografia, alinhar seu comportamento aos seus valores.

Mudar a crença — redefinir seus valores para acomodar o comportamento: “Na verdade, pornografia não é tão ruim. Todo mundo faz isso. Não há nada de errado.”

Adicionar justificativas — criar racionalizações que reduzem a dissonância: “Eu só faço isso porque estou estressado. Quando o trabalho melhorar, eu paro. Isso é só uma fase.”

O problema? Para muitos homens, nenhuma dessas soluções funciona a longo prazo. Você tenta mudar o comportamento, mas não consegue — a compulsividade é forte demais. Você tenta mudar a crença, mas seus valores pessoais (religiosos, morais, relacionais) são profundos demais para serem descartados. Você cria justificativas, mas, no fundo, você sabe que são mentiras.

E quando a dissonância não pode ser resolvida, ela se transforma em vergonha (Grubbs et al., 2019).

A vergonha não é simplesmente “sentir-se mal” com o que você fez. A vergonha é a crença profunda de que “há algo fundamentalmente errado comigo”. Não é “Eu fiz algo ruim” (culpa), mas sim “Eu sou algo ruim” (vergonha). A culpa te motiva a consertar o comportamento; a vergonha te convence de que você é irreparável (Tangney & Dearing, 2002).

Estudos demonstram que homens que experienciam incongruência moral — a percepção de que seu uso de pornografia conflita com seus valores pessoais — reportam níveis significativamente mais altos de vergonha sexual, sofrimento psicológico e sintomas de “vício”, mesmo quando a frequência real de uso não é clinicamente alta (Grubbs et al., 2019). Em outras palavras: não é o quanto você assiste pornografia que determina o sofrimento; é o quanto aquilo contradiz quem você acredita ser. Esse modelo tem suporte em revisões sistemáticas, embora seja debatido por parte da literatura, que aponta que angústia moral e comportamento compulsivo real precisam ser diferenciados clinicamente.

E aqui está a ironia cruel: a pesquisa mostra que vergonha sexual prediz aumento no desejo sexual compulsivo (van Tuijl et al., 2021), embora esse achado seja baseado em amostras ainda limitadas e deva ser interpretado com cautela. Ou seja: quanto mais vergonha você sente, mais você é empurrado ao comportamento que a gerou. Não menos. Mais.

Por quê? Porque a vergonha é uma emoção insuportável. E você precisa de alívio. E a pornografia, ironicamente, oferece exatamente isso: escape temporário da dor emocional que a própria pornografia causou (Floyd et al. , 2022).

Essa dissonância entre identidade sexual e fantasia — “sou hétero, mas o que estou assistindo diz outra coisa?” — é o núcleo do sofrimento. É um ciclo perfeito e devastador: uso de pornografia → dissonância moral → vergonha intensa → uso de pornografia para aliviar vergonha → mais vergonha → mais uso. Um círculo vicioso que se alimenta repetitivamente.

Quando o Pornô Trans Vira Escape do Estresse: A Regulação Emocional Disfuncional

Agora vamos ao segundo componente crítico do ciclo vergonha-compulsão: regulação emocional disfuncional.

Regulação emocional é a capacidade de gerenciar estados emocionais negativos — estresse, ansiedade, tristeza, raiva, solidão — de maneiras saudáveis e adaptativas. Pessoas com regulação emocional saudável, quando estressadas, podem: conversar com alguém, fazer exercício, meditar, resolver o problema diretamente, ou simplesmente tolerar o desconforto temporariamente até que passe.

Mas quando a regulação emocional é disfuncional, você busca estratégias de escape imediatas que eliminam o desconforto rapidamente — mas que, a longo prazo, pioram a situação. Pornografia, álcool, drogas, comida compulsiva, jogos de azar — todos funcionam como anestésicos emocionais: você sente dor emocional, usa a substância ou comportamento, a dor desaparece temporariamente (Wéry & Billieux, 2017).

Estudos demonstram que homens com uso problemático de pornografia apresentam níveis significativamente mais altos de dificuldades de regulação emocional comparados a controles saudáveis (Lew-Starowicz, Lewczuk et al., 2020). Especificamente, eles têm dificuldade em:

Identificar e nomear emoções — “Não sei o que estou sentindo; só sei que me sinto mal.”

Tolerar desconforto emocional — baixa tolerância à frustração, ansiedade ou tristeza.

Usar estratégias adaptativas — recorrer automaticamente a comportamentos de escape em vez de enfrentamento.

E a pornografia é uma estratégia de escape extremamente eficaz: oferece alívio imediato, previsível, sem esforço, sem risco de rejeição, sem demandas emocionais. Você não precisa conversar com ninguém. Não precisa resolver o problema. Não precisa sentir a dor. Você só precisa clicar (Wéry & Billieux, 2017).

Aqui está como o ciclo funciona na prática:

Evento estressor — prazo apertado no trabalho, conflito com a parceira, solidão, insônia, autocrítica.

Emoção negativa — ansiedade, frustração, raiva, tristeza, vergonha.

Dificuldade em tolerar a emoção — baixa regulação emocional; desconforto insuportável.

Busca por alívio imediato — “Preciso desligar a mente. Preciso sentir algo diferente.”

Pornografia como anestésico — masturbação, orgasmo, liberação de dopamina e endorfinas; alívio temporário.

Vergonha pós-uso — “De novo. Eu sou fraco. Eu sou patético.”

Nova emoção negativa (vergonha) — que precisa ser regulada.

Volta ao passo 4 — e o ciclo se repete.

Esse modelo — uso de pornografia como estratégia de regulação emocional disfuncional — é um dos mais bem documentados na literatura sobre comportamento sexual compulsivo (Lew-Starowicz, Lewczuk et al., 2020; Wizła & Lewczuk, 2024).

E aqui está a parte mais importante: pornografia não causa relaxamento real. Ela causa evitação temporária. O estressor original continua lá. O conflito relacional continua lá. A ansiedade crônica continua lá. Você não resolveu nada; você apenas adiou o enfrentamento. E, quando o efeito anestésico da pornografia passa, você volta ao estado emocional negativo — piorado pela adição da vergonha (Floyd et al., 2022).

E quanto mais você usa pornografia como estratégia de regulação emocional, mais dependente você se torna dela. Seu cérebro aprende: “Quando me sinto mal, pornografia é a solução.” E, eventualmente, é a única solução que seu cérebro reconhece. Você perde a capacidade de usar estratégias saudáveis porque nunca as praticou. A pornografia se tornou sua muleta emocional (Lew-Starowicz, Lewczuk et al., 2020).

Na minha prática clínica, uma das primeiras coisas que avalio com homens que buscam tratamento para uso problemático de pornografia é: “Quando você consome pornografia? Que emoções precedem o comportamento?”

As respostas são consistentes:

“Quando estou estressado com o trabalho.”

“Quando brigo com minha esposa.”

“Quando não consigo dormir.”

“Quando me sinto sozinho.”

“Quando estou entediado.”

“Quando me sinto inadequado.”

Raramente a resposta é: “Quando estou genuinamente excitado sexualmente.”

Isso porque, para a maioria desses homens, pornografia não é sobre sexo. É sobre regulação emocional disfuncional. É sobre desligar a mente. É sobre não sentir.

E aqui está a boa notícia: regulação emocional pode ser aprendida. Terapia cognitivo-comportamental, terapia de aceitação e compromisso (ACT), mindfulness, treinamento de habilidades de regulação emocional — todas são intervenções com suporte na literatura para o tratamento do uso problemático de pornografia (López-Pinar et al., 2025). E quando você aprende a regular emoções de forma adaptativa, a compulsividade por pornografia diminui significativamente. Porque você não precisa mais dela. Você tem outras ferramentas.

Mas para aprender essas ferramentas, você precisa dar o primeiro passo: reconhecer que está usando pornografia como anestésico emocional. E buscar ajuda.

Meu Marido Assiste Pornô Trans: O Que Isso Significa Para o Relacionamento?

Você sabe que ela percebeu. Talvez ela ainda não tenha dito nada, mas você vê nos olhos dela. A confusão. A mágoa. A pergunta silenciosa: “Por que você não me quer mais?”

Vocês estão na cama. Ela se aproxima, toca você, beija seu pescoço. Há alguns anos, isso dispararia desejo imediato. Mas agora? Nada. Ou pior: você sente desejo, mas quando tenta, não consegue manter a ereção. Ou consegue, mas precisa “ajudar” mentalmente — e a ajuda mental envolve imagens de pornografia, não da mulher ao seu lado.

Ela pergunta: “Está tudo bem? É algo que eu fiz?” E você improvisa: “Não, amor. É só o estresse do trabalho. Estou cansado. Amanhã melhora.” Mas, amanhã não melhora. E depois de amanhã também não.

As tentativas de intimidade vão ficando mais espaçadas. Você começa a evitar situações que possam levar ao sexo — vai dormir mais tarde, finge que está ocupado, cria desculpas. E quando o sexo acontece, é mecânico, apressado, desconectado. Você está fisicamente presente, mas mentalmente ausente.

E o pior: três horas depois, você está sozinho no banheiro, assistindo pornografia, tendo a melhor ereção da semana.

Bem-vindo ao impacto relacional do uso problemático de pornografia — onde a vida sexual virtual erode progressivamente a vida sexual real, deixando um rastro de confusão, mágoa, desconexão e perda de intimidade (Minarcik et al., 2016).

Para entender mais sobre como a terapia de casal pode ajudar no tratamento vício em pornografia, acesse meu outro artigo que aborda esse tema. 

Por Que Você Não Sente Mais Desejo Pela Parceira Mas Sente Pelo Pornô Trans?

Vamos começar com a pergunta que te assombra: por que pornografia me excita, mas minha parceira — uma mulher real, disponível, que me ama — não?

A resposta não é romântica, mas é explicável clinicamente: ao longo de anos de consumo frequente de pornografia, seu cérebro pode desenvolver condicionamento a responder a um conjunto de estímulos que a pornografia oferece e que o sexo real estruturalmente não consegue replicar (Park et al., 2016).

Lembre-se do que discutimos sobre condicionamento nos itens anteriores. Seu cérebro aprendeu, ao longo de anos de consumo de pornografia, que excitação sexual é: novidade infinita, intensidade visual hiperestimulante, variedade ilimitada de parceiras, controle total sobre o cenário, ausência de demandas emocionais (Park et al., 2016).

Você clica, há uma mulher nova. Não gostou? Clica de novo, outra mulher. E outra. E outra. Em 20 minutos, você teve mais parceiras sexuais do que seus ancestrais tiveram em uma vida inteira.

Agora compare isso com sexo real: uma parceira — a mesma há anos. Previsibilidade — você conhece o corpo dela, as preferências dela, os sons dela. Demandas emocionais — ela quer conexão, conversa, olho no olho, presença. Esforço — você precisa estar presente, responder ao corpo dela, ajustar ritmo, comunicar. Risco de fracasso — e se você não conseguir ereção? E se ela perceber que você está distraído?

Para um cérebro condicionado pela pornografia, sexo real pode parecer monótono, trabalhoso, arriscado. Enquanto pornografia parece excitante, fácil, seguro. Não que sua parceira seja menos atraente. É que seu sistema de recompensa pode ter sido progressivamente retreinado para responder a um tipo de estímulo que ela, por definição, não pode oferecer (Park et al., 2016).

Estudos demonstram que homens com uso problemático de pornografia reportam níveis significativamente mais baixos de satisfação sexual e desejo sexual pela parceira, mesmo quando estão em relacionamentos objetivamente satisfatórios (Minarcik et al., 2016). O problema não está no relacionamento — está no sistema de recompensa cerebral dessincronizado.

E aqui está algo que você precisa entender: esse processo pode ser revertido. Seu cérebro tem plasticidade neural — ele pode reaprender. Mas reaprender exige cessação do uso de pornografia e re-exposição gradual a estímulos sexuais reais. Relatos clínicos descritos na literatura sugerem melhora da resposta sexual após abstinência prolongada, embora o tempo de recuperação varie individualmente e não exista prazo universal estabelecido (Park et al., 2016). Mas enquanto você continuar consumindo pornografia, seu cérebro continuará preferindo o estímulo artificialmente intensificado ao estímulo real.

Disfunção Erétil, Evitação Sexual e o Medo de Ser Descoberto

Agora vamos falar da parte que te aterroriza: disfunção erétil.

Você tem 35, 38, 40 anos. Não deveria ter problemas de ereção. Mas tem. Não com pornografia — com pornografia, a ereção é imediata, firme, confiável. Mas com sua parceira, você tem dificuldade. Às vezes consegue, mas precisa de muito estímulo. Às vezes perde a ereção no meio do ato. Às vezes nem consegue começar.

E o medo se instala: “Será que é problema físico? Será que minha testosterona está baixa? Será que preciso de remédio?”

Provavelmente não. O que você pode estar apresentando é disfunção erétil psicogênica associada ao uso frequente de pornografia — um padrão crescentemente descrito na literatura clínica entre homens jovens e de meia-idade que consomem pornografia com alta frequência (Park et al., 2016).

O mecanismo é o seguinte: pornografia online oferece hiperestimulação visual constante — múltiplas parceiras, ângulos variados, cenas intensas, novidade infinita. Pesquisas de neuroimagem demonstram que quanto maior o volume de consumo de pornografia, menor o volume de substância cinzenta em regiões cerebrais associadas à motivação e recompensa — uma correlação que sugere adaptação neural à hiperestimulação (Kühn & Gallinat, 2014). Seu cérebro se adapta a esse nível de estimulação. E quando você está com sua parceira — uma mulher, um ângulo, o real, sem edição cinematográfica —, o nível de estimulação pode ser insuficiente para disparar a resposta erétil condicionada.

Importante: o estudo de Kühn & Gallinat (2014) é transversal e demonstra correlação, não causalidade estabelecida. A direção da relação — se o consumo reduz o volume cerebral ou se indivíduos com essas características consomem mais pornografia — ainda é objeto de investigação.

Relatos clínicos e revisões de literatura sugerem que homens que consomem pornografia com alta frequência apresentam maior dificuldade em alcançar excitação sexual com parceiras reais, mesmo quando exames físicos indicam saúde sexual normal (Park et al., 2016). E, clinicamente, muitos desses homens relatam melhora significativa da função erétil após cessação do uso de pornografia — embora o tempo de recuperação seja variável e dependa de múltiplos fatores individuais, relacionais e do plano terapêutico.

E enquanto você não busca tratamento, o que acontece? Evitação sexual.

Você começa a evitar situações que possam levar ao sexo porque tem medo de falhar. Medo de não conseguir ereção. Medo de que ela perceba que você está distraído. Medo de que ela descubra o que você realmente está assistindo. Então você cria desculpas — trabalho, cansaço, dor de cabeça, estresse (Minarcik et al., 2016).

E sua parceira? Ela interpreta a evitação como rejeição. Ela pensa: “Ele não me quer mais. Ele não me acha atraente. Será que tem outra pessoa?” E, ironicamente, há outra pessoa — ou melhor, milhares delas, em pixels, acessíveis 24 horas por dia.

“Meu marido assiste pornô trans — ele é gay?” é uma das perguntas mais dolorosas que recebo de parceiras. A resposta quase sempre é não — mas o sofrimento relacional é real. Pesquisas demonstram que parceiras de homens com uso problemático de pornografia reportam níveis significativamente mais altos de sofrimento relacional, insegurança, sentimentos de inadequação e desconexão emocional (Minarcik et al., 2016). Elas sentem que estão competindo com uma versão impossível de feminilidade — mulheres photoshopadas, sempre disponíveis, sem demandas emocionais.

E você? Você carrega o peso da dupla vida. Durante o dia, você é o parceiro, o pai, o profissional. À noite, você é outra pessoa — alguém que você não reconhece, alguém que consome conteúdo que contradiz tudo que você afirma valorizar. E o medo de ser descoberto é constante. Medo de que ela encontre o histórico. Medo de que alguém veja a notificação no celular. Medo de que seus filhos descubram (Perry, 2020).

Esse medo gera hipervigilância e pode contribuir para ansiedade crônica — você está sempre escondendo, sempre mentindo, sempre com medo. E essa ansiedade, ironicamente, alimenta ainda mais o uso de pornografia como estratégia de regulação emocional (Lew-Starowicz, Lewczuk et al., 2020). Outro ciclo vicioso.

E enquanto isso, a intimidade real — não apenas sexual, mas emocional — desaparece. Vocês se tornam colegas de apartamento, não parceiros. Vocês dividem contas, cuidam dos filhos, mas não se conectam mais. E você sabe que a culpa é sua. Mas não sabe como parar.

Aqui está a verdade dura: pornografia não é um complemento inofensivo da sua vida sexual. Para muitos homens, é um substituto que corrói a intimidade real. E quanto mais tempo você espera para buscar ajuda, mais profundo o dano (Minarcik et al., 2016).

Mas aqui está a verdade esperançosa: casais se recuperam disso. Com terapia sexual individual e de casal, cessação do uso de pornografia, reconstrução de intimidade e comunicação honesta, a vida sexual real pode ser restaurada. Mas o primeiro passo é admitir o problema para si mesmo e, eventualmente, para ela.

Pornô Trans Muda Orientação Sexual? O Que a Ciência Diz Sobre Fantasia e Identidade

Essa é, provavelmente, a pergunta que você mais tem medo de fazer em voz alta. Talvez porque, no fundo, teme que a resposta confirme algo que ainda não sabe como nomear. A boa notícia — e a ciência é bastante clara sobre isso — é que fantasia sexual e orientação sexual não são a mesma coisa, não funcionam da mesma forma e não deveriam ser lidas como sinônimos.

A orientação sexual diz respeito a um padrão duradouro e estável de atração emocional, afetiva e erótica por pessoas de determinado gênero. Segundo o DSM-5-TR (APA, 2022), orientação sexual refere-se à direção do interesse erótico e afetivo de uma pessoa — uma direção que se distingue conceitualmente dos padrões de excitação condicionados por exposição repetida a estímulos específicos.

O que pode mudar — e o que você provavelmente está experimentando — é a saliência de incentivo: um determinado estímulo passa a capturar sua atenção e gerar resposta de excitação porque foi repetidamente associado a reforço positivo intenso (Berridge & Robinson, 1998; Robinson & Berridge, 2013). Isso é neurobiologia do aprendizado. Não é revelação de identidade.

Esse ponto é clinicamente relevante porque a confusão entre “o que me excita agora” e “quem eu sou” é precisamente o que alimenta o ciclo de angústia. Quando um homem heterossexual passa meses consumindo pornografia de forma escalonada — processo descrito na seção anterior — e chega ao conteúdo trans, seu cérebro não está sinalizando uma virada de orientação. Está sinalizando que aquele estímulo foi condicionado como altamente recompensador.

A distinção não é apenas semântica. Ela tem implicações diretas para o tratamento e, mais importante, para a maneira como você interpreta a sua própria experiência. Confundir as duas categorias prolonga o sofrimento desnecessariamente.

Fantasia Sexual Atípica Não É Rótulo de Orientação: — Entenda Por Quê

O DSM-5-TR separa explicitamente parafilia de transtorno parafílico: ter uma fantasia sexual incomum não constitui, por si só, nenhum diagnóstico (APA, 2022). O critério clínico que importa é se essa fantasia gera sofrimento significativo, prejuízo funcional ou envolve comportamento não consensual. Fantasia, enquanto permanece fantasia, é neurologicamente comum — inclusive entre pessoas sem qualquer queixa clínica.

Estudos sobre a distribuição das fantasias sexuais em populações não clínicas indicam que conteúdos considerados “atípicos” aparecem com frequência considerável na imaginação erótica, em proporção muito maior do que se assume publicamente (Joyal & Carpentier, 2017; Lehmiller, 2018). O que você experimenta mentalmente — ou o que encontra atraente em uma tela — não determina sua identidade da mesma forma que determina o padrão consistente e estável de atração que você sente por pessoas reais, em contexto real, ao longo do tempo.

Ego-Sintônico versus Ego-Distônico

Há uma distinção técnica fundamental que a psicologia clínica consolidou: ego-sintônico versus ego-distônico. Uma fantasia ego-sintônica é coerente com a forma como a pessoa se enxerga e deseja. Uma fantasia ego-distônica é percebida como estranha, invasiva e incompatível com a própria identidade — causa desconforto, não identificação.

Se o conteúdo trans que você consome causa perturbação, vergonha e uma sensação de “isso não sou eu”, isso é precisamente a assinatura de um conteúdo ego-distônico condicionado — não de uma orientação emergindo. Clinicamente, observa-se que pessoas em processo de reconhecimento genuíno de orientação tendem a vivenciar progressiva integração e reconhecimento — enquanto quem está preso em padrão compulsivo condicionado tende a relatar vergonha persistente, dissociação e conflito interno. Essa distinção, evidentemente, varia entre indivíduos e deve ser avaliada no contexto clínico, não como regra universal.

O rótulo de orientação exige mais do que excitação episódica diante de um estímulo específico. Exige padrão, estabilidade, direção afetiva e identificação subjetiva. Esses elementos raramente estão presentes quando o mecanismo subjacente é escalada por condicionamento.

Por Que Me Excito com Trans Sendo Hétero? A Resposta do Condicionamento Sexual

A resposta mais clinicamente precisa para essa pergunta está no mecanismo de condicionamento sexual — um processo documentado em psicologia experimental, com bases estabelecidas desde estudos sobre aprendizado associativo em contexto erótico, que demonstraram ser possível condicionar resposta de excitação sexual a estímulos originalmente neutros mediante associação repetida com material erótico (Brom et al., 2014; Pfaus et al., 2020). Esses estudos fundadores apresentam limitações metodológicas reconhecidas pela literatura posterior, mas o mecanismo básico de aprendizado por associação encontra suporte robusto em revisões mais recentes.

O Papel do Sistema de Recompensa

O que acontece no cérebro de um homem heterossexual que escala para pornô trans não é diferente, em termos de mecanismo, do que acontece com qualquer outro tipo de escalada de conteúdo. O sistema de recompensa cerebral é ativado por novidade e intensidade crescente de estímulos (Berridge & Robinson, 1998; Robinson & Berridge, 2013). Em padrões de uso compulsivo, quando o cérebro se habitua a determinado nível de estimulação, tende a buscar conteúdo mais saliente, mais incomum, mais capaz de quebrar o limiar de resposta estabelecido — embora esse processo não ocorra de forma uniforme em todos os consumidores de pornografia.

O conteúdo trans, nesse contexto, frequentemente funciona como estímulo de transgressão: carrega uma carga de tabu que, paradoxalmente, amplifica a resposta do sistema de recompensa. Não porque haja atração por pessoas trans no sentido afetivo e relacional — mas porque o cérebro condicionado aprendeu que aquele estímulo específico, naquele contexto específico, produz o pico de ativação que ele passou a demandar.

Neuroplasticidade e a Possibilidade de Mudança

Trata-se de condicionamento operante — aprendizado neural. A literatura sobre neuroplasticidade sugere que o sistema nervoso preserva capacidade de reorganizar padrões de resposta em resposta a mudanças consistentes de comportamento (Leuner et al., 2010; Månsson et al., 2016), o que fundamenta a possibilidade de modificação desses padrões por meio de intervenção terapêutica estruturada — embora os resultados variem conforme a intensidade do condicionamento, o tempo de exposição e o engajamento no processo clínico.

O ponto central é este: excitação é um produto do histórico de condicionamento do seu sistema nervoso. Identidade é um padrão de quem você é, de quem você ama, de quem você deseja de forma integral — não apenas genital. Confundir os dois é o erro que mantém tantos homens presos em angústia desnecessária.

Se você se reconhece nessa descrição, o caminho não é tentar encontrar um rótulo que explique o que você consome. O caminho é entender o mecanismo que levou até aqui — e trabalhar clinicamente para reorganizá-lo.

Casal conectado emocionalmente e sexualmente após tratamento do esposo que era viciado em pornografia trans.

Como Sair do Vício em Pornografia Trans: Tratamentos com Evidências Científicas

Você já tentou parar sozinho. Bloqueou sites. Deletou aplicativos. Prometeu a si mesmo que dessa vez seria diferente. E, por alguns dias, até funcionou. Mas depois voltou. Sempre volta.

Aqui está a verdade: força de vontade sozinha raramente é suficiente para quebrar um padrão comportamental consolidado por anos de condicionamento neurobiológico. Não porque você seja fraco — mas porque você está lutando contra circuitos cerebrais que foram treinados, repetidamente, a responder automaticamente a gatilhos específicos (Gola et al., 2017).

A boa notícia? Há tratamentos baseados em evidências científicas que funcionam. Tratamentos que não envolvem julgamento moral, que ensinam seu cérebro a reaprender, que te equipam com habilidades concretas de regulação emocional, e que te ajudam a reconstruir uma sexualidade alinhada com seus valores (Kraus et al., 2016).

Vamos falar de cada um deles — o que são, como funcionam, e o que a ciência diz sobre sua eficácia.

Terapia Cognitivo-Comportamental: Reprogramando as Associações Sexuais do Seu Cérebro

A Terapia Cognitivo-Comportamental — TCC — é a abordagem terapêutica com maior volume de estudos publicados para tratamento de comportamento sexual compulsivo e uso problemático de pornografia (López-Pinar et al., 2025).

A TCC trabalha em duas frentes:

Cognitiva — identificar e reestruturar pensamentos distorcidos que mantêm o comportamento: “Eu preciso de pornografia para relaxar” → Reestruturação: “Pornografia oferece alívio temporário, mas piora minha ansiedade a longo prazo. Existem outras formas de relaxar.” / “Eu sou fraco. Eu não tenho autocontrole.” → Reestruturação: “Eu tenho um padrão comportamental condicionado. Autocontrole é uma habilidade que pode ser treinada.” / “Isso é quem eu sou agora.” → Reestruturação: “Isso é um comportamento aprendido. E o que foi aprendido pode ser desaprendido.”

Comportamental — implementar estratégias práticas de modificação de comportamento: análise funcional (mapear gatilhos emocionais, situacionais e ambientais que precedem o uso de pornografia); prevenção de recaídas (desenvolver planos de ação específicos para situações de alto risco); exposição gradual a desconforto emocional (aprender a tolerar ansiedade, tédio, solidão sem recorrer à pornografia como escape); recondicionamento (re-expor gradualmente a estímulos sexuais reais com parceira enquanto mantém cessação do uso de pornografia).

Uma meta-análise abrangente de psicoterapia para uso problemático de pornografia, incluindo 20 estudos e mais de 2.000 participantes, demonstrou que intervenções psicoterapêuticas — com destaque para CBT e ACT — resultam em reduções significativas na frequência de uso compulsivo, no sofrimento psicológico e nos sintomas de PPU, com ganhos terapêuticos sustentados em follow-up (López-Pinar et al., 2025).

Na minha prática clínica, a TCC é a espinha dorsal do tratamento. Ela não julga sua sexualidade — ela te ensina a retomar o controle sobre ela.

Mindfulness: Reconectando Sua Mente ao Seu Corpo e à Vida Real

Mindfulness — atenção plena ao momento presente, sem julgamento — pode parecer coisa de autoajuda, mas a ciência aponta para uma associação consistente: níveis mais altos de mindfulness disposicional estão significativamente associados a menores índices de comportamento sexual compulsivo (Shorey et al., 2017).

Como funciona? Lembre-se: pornografia funciona como anestésico emocional. Quando você sente desconforto — ansiedade, tédio, solidão —, o impulso automático é: “Preciso desligar a mente. Preciso sentir algo diferente.” E você clica.

Mindfulness te ensina a interromper esse automatismo. Te ensina a:

Perceber o gatilho — “Estou sentindo ansiedade agora.”

Nomear a emoção — “Isso é ansiedade. Não é uma emergência. É desconfortável, mas temporário.”

Observar o impulso — “Estou sentindo vontade de assistir pornografia. Esse é o padrão antigo do meu cérebro.”

Criar espaço entre impulso e ação — “Eu posso sentir esse impulso sem agir sobre ele. Vou esperar 10 minutos.”

Parece simples. Mas é revolucionário. Porque você está quebrando o circuito automático entre gatilho e comportamento. Você está criando escolha onde antes havia apenas compulsão (Shorey et al., 2017).

Estudos preliminares de intervenção baseada em mindfulness para CSBD mostram resultados promissores: participantes gastaram significativamente menos tempo em uso problemático de pornografia após a intervenção, com redução de sintomas emocionais associados — embora estudos com amostras maiores e delineamento mais robusto ainda sejam necessários para consolidar a magnitude do efeito (López-Pinar et al., 2025).

Além disso, mindfulness te reconecta ao seu corpo. Durante o sexo real, muitos homens relatam que estão mentalmente ausentes — pensando em pornografia, monitorando a própria ereção, preocupados com desempenho. Mindfulness te ensina a estar presente — sentir as sensações reais, ver a parceira real, conectar emocionalmente. E isso, gradualmente, re-sensibiliza seu cérebro a estímulos reais (Shorey et al., 2017).

Terapia da Aceitação e Compromisso (ACT): Alinhando Seu Comportamento Sexual com Quem Você Realmente É

Terapia de Aceitação e Compromisso — ACT — é uma abordagem terapêutica baseada em evidências que trabalha com dois pilares: aceitação psicológica e ação comprometida com valores (Crosby & Twohig, 2016).

Aqui está a proposta central da ACT: você não precisa eliminar pensamentos ou impulsos sexuais indesejados. Você precisa aprender a não ser controlado por eles. E você precisa construir uma vida tão rica de significado e propósito que pornografia se torna irrelevante (Crosby & Twohig, 2016).

A ACT funciona assim:

Clarificação de valores — O que realmente importa para você? Que tipo de parceiro você quer ser? Que tipo de pai? Que tipo de homem? Não o que deveriam ser seus valores, mas o que você genuinamente valoriza.

Aceitação psicológica — Você vai ter impulsos. Você vai ter pensamentos sobre pornografia. Isso é normal — seu cérebro foi condicionado. A questão não é “como faço esses pensamentos desaparecerem?”, mas “como eu respondo a esses pensamentos de forma alinhada aos meus valores?” (Crosby & Twohig, 2016).

Ação comprometida — Identifique comportamentos concretos que te aproximam dos seus valores. Se você valoriza intimidade real, a ação comprometida pode ser: “Vou ter uma conversa honesta com minha parceira sobre minha sexualidade.” Se você valoriza autocontrole, a ação pode ser: “Vou implementar 30 dias de cessação de pornografia e observar o que aprendo.”

Um ensaio randomizado demonstrou que ACT é eficaz para uso problemático de pornografia na internet, com redução significativa de uso compulsivo comparado ao grupo de lista de espera (Crosby & Twohig, 2016). A meta-análise de López-Pinar et al. (2025) confirma que ACT figura entre as abordagens com maior suporte para PPU, com benefícios adicionais sobre vergonha e autocompaixão.

Na prática clínica, vejo que ACT funciona especialmente bem para homens que carregam muita vergonha. Porque ACT não te diz “você é ruim por sentir isso”. ACT diz: “Você tem impulsos. E você pode escolher como responder a eles.”

Remédios Ajudam? Quando a Medicação Faz Sentido — E Quando Não Faz

A pergunta que muitos homens fazem: “Tem um remédio para isso?”

A resposta curta: não há medicação aprovada especificamente para transtorno parafílico ou uso problemático de pornografia. Mas, em casos específicos, medicação pode ser uma ferramenta complementar útil dentro de um plano de tratamento mais amplo (Derbyshire & Grant, 2015).

Vamos ser claros sobre o que medicação pode — e não pode — fazer:

Medicação PODE ajudar quando:

Há transtorno comórbido (depressão, ansiedade, TOC) que exacerba o comportamento sexual compulsivo.

Há impulsividade sexual extrema que coloca o paciente ou outros em risco.

Terapias psicológicas sozinhas não foram suficientes após tentativas adequadas.

Medicação NÃO é:

Cura mágica que desliga o desejo por pornografia.

Substituto para terapia psicológica.

Primeira linha de tratamento, exceto em casos graves.

Medicações mais estudadas:

ISRSs (Inibidores Seletivos de Recaptação de Serotonina — como fluoxetina, sertralina, paroxetina). Mecanismo: aumentam serotonina cerebral, o que pode reduzir impulsividade sexual e compulsividade. Evidências: estudos clínicos sugerem redução moderada em sintomas de CSB, especialmente quando há depressão ou TOC comórbidos (Derbyshire & Grant, 2015). Limitação: efeitos colaterais incluem redução de libido e disfunção sexual — o que pode ser paradoxal em alguns casos.

Naltrexona (antagonista opioide). Mecanismo: bloqueia receptores de prazer associados a comportamentos compulsivos. Evidências: relatos de casos e séries clínicas sugerem benefício, mas evidências de ensaios controlados ainda são limitadas (Derbyshire & Grant, 2015).

Antagonistas de androgênios (como acetato de ciproterona). Mecanismo: reduzem testosterona e, consequentemente, drive sexual geral. Uso: reservado para casos extremos com comportamento sexual de alto risco ou não consensual. Limitação: efeitos colaterais significativos — impacto profundo na qualidade de vida (Derbyshire & Grant, 2015).

Minha recomendação clínica: medicação deve ser considerada apenas quando: (1) há diagnóstico psiquiátrico comórbido confirmado; (2) terapia psicológica foi tentada adequadamente (mínimo 12 sessões); (3) o risco é alto ou o sofrimento é incapacitante. E, mesmo nesses casos, medicação deve ser temporária e combinada com terapia psicológica. Porque medicação pode reduzir sintomas, mas não ensina habilidades de regulação emocional, não reestrutura pensamentos distorcidos, e não reconstrói intimidade relacional (Derbyshire & Grant, 2015).

Terapia Sexual para Homens Héteros com Fantasia Trans: O Que Esperar da Primeira Consulta

Você reconheceu sua história neste artigo. Você viu o ciclo vergonha-compulsão. Você entendeu a escalada. Você percebeu o impacto na sua vida real. E agora você está se perguntando: “Será que eu preciso de ajuda profissional? Ou eu consigo resolver isso sozinho?”

Aqui está a resposta direta: se você tentou parar sozinho múltiplas vezes e sempre voltou, você precisa de ajuda profissional. Isso não é “fraqueza” — é reconhecer que padrões comportamentais consolidados por anos de condicionamento neurobiológico raramente são quebrados apenas com força de vontade.

Busque ajuda profissional se:

  • Você não consegue parar mesmo querendo (tentou múltiplas vezes, sempre recai).
  • Seu uso de pornografia está causando sofrimento significativo (vergonha intensa, ansiedade, depressão).
  • Está prejudicando seu relacionamento (perda de desejo pela parceira, disfunção erétil, evitação de intimidade).
  • Está interferindo na sua vida (queda no desempenho profissional, isolamento social, uso compulsivo que consome horas).
  • Você sente confusão de identidade sexual — especialmente se o consumo de pornô trans gerou dúvidas sobre quem você é.

O Que Esperar da Primeira Consulta

A primeira consulta com um terapeuta sexual especializado é confidencial, sem julgamento e focada em entender sua história. Aqui está o que acontece:

  1. Avaliação clínica completa:
  • Histórico sexual: quando começou o consumo de pornografia, como evoluiu, que tipo de conteúdo.
  • Impacto atual: vida sexual real, relacionamento, saúde mental, funcionamento diário.
  • Tentativas anteriores de parar: o que funcionou, o que não funcionou, padrões de recaída.
  • Fatores mantenedores: gatilhos emocionais, estressores, dinâmica relacional.
  1. Diagnóstico diferencial:
  • Transtorno parafílico? Comportamento sexual compulsivo? Ambos?
  • Transtornos comórbidos: depressão, ansiedade, TOC?
  • Fatores biológicos: níveis hormonais, medicações, condições médicas.
  1. Plano de tratamento personalizado:
  • Abordagem terapêutica (TCC, ACT, mindfulness).
  • Frequência de sessões (geralmente semanal no início).
  • Metas claras e mensuráveis.
  • Estratégias práticas de prevenção de recaídas.
  1. Expectativas realistas:
  • Tratamento é um processo, não um evento. Geralmente leva entre 3 a 6 meses de terapia intensiva.
  • Recaídas podem acontecer — e fazem parte do processo de aprendizagem.
  • Melhora gradual: primeiro, redução da frequência; depois, redução da compulsividade; finalmente, reconexão com intimidade real.

Sobre o Autor: Fábio Caló, psicólogo

Psicólogo clínico com 27 anos de prática profissional, Mestre em Psicologia pela Universidade de Brasília (UnB) e graduado pelo UniCEUB. É uma autoridade no tratamento de relacionamentos e vícios comportamentais, combinando rigor acadêmico com vasta experiência clínica.

Sua atuação é fundamentada em duas vertentes principais de alta complexidade:

  1. Terapia de Casal: Utilizando como base a Teoria de John Gottman, referência mundial em estabilidade conjugal.

  2. Consumo Problemático de Pornografia: Desenvolvedor de um protocolo específico e proprietário de intervenção para o tratamento do vício em pornografia, preenchendo uma lacuna crítica no mercado de saúde mental brasileiro.

Além das especialidades centrais, o Dr. Fábio mantém atendimento a demandas psicológicas gerais, consolidando uma trajetória de excelência técnica e resultados clínicos.

Credenciais e Formação:
  • Mestrado em Psicologia: Universidade de Brasília (UnB).

  • Graduação: UniCEUB (27 anos de formação).

  • Especialização Clínica: Terapia de Casal e Protocolo de Intervenção em Pornografia.

Canais Oficiais:

Aviso de Propriedade Intelectual: Este material, incluindo o protocolo de intervenção mencionado, artigos e conteúdos clínicos, constitui propriedade intelectual de Fábio Caló. O uso de metodologias proprietárias ou a reprodução de conteúdos sem a devida autorização ou citação está sujeita às sanções legais aplicáveis. ©Copyright 2025. Todos os direitos reservados.

Áreas de Atuação: Psicologia Clínica | Terapia de Casal | Tratamento de Vícios | Saúde Mental

Não Há Julgamento. Há Caminho.

Na minha prática clínica de 27 anos, atendi centenas de homens em situações idênticas à sua. Homens bem-sucedidos, inteligentes, que simplesmente perderam o controle sobre um comportamento que começou como curiosidade e se tornou compulsão.

E vou te dizer algo importante: nenhum deles se arrependeu de ter buscado ajuda. Todos se arrependeram apenas de não ter buscado antes.

Porque o tempo que você passa escondido, envergonhado, lutando sozinho, é tempo que você poderia estar reconstruindo sua sexualidade, reconectando-se à sua parceira, retomando o controle da sua vida.

Você não precisa carregar isso sozinho. Há tratamento. Há esperança. E há caminho.

Se você se reconheceu neste artigo e está pronto para retomar o controle da sua sexualidade, agende uma consulta.

Trabalho com avaliação e tratamento especializado para transtornos parafílicos, uso problemático de pornografia e reconstrução de intimidade sexual em relacionamentos.

📍 Atendimento: Presencial (Brasília-DF) e Online (todo o Globo Terrestre)
📅 Agendamento: Link no Botão abaixo

A primeira consulta é o primeiro passo para você se reconectar com quem você realmente é — e com a vida sexual que você valoriza.

Não espere mais. O momento de agir é agora!

FAQ - Perguntas Frequentes

Sou hétero, mas me masturbo com pornô gay/trans. Isso me faz gay/bi?

Não — e a ciência é bastante direta nisso. O que você está experimentando é muito provavelmente o resultado de um processo de condicionamento: seu cérebro aprendeu a associar aquele tipo de conteúdo a prazer intenso por causa da exposição repetida durante o orgasmo. Orientação sexual é um padrão estável e duradouro de atração por pessoas reais — não o que te excita numa tela depois de anos consumindo pornografia de forma progressiva. Se você nunca sentiu atração afetiva ou sexual por homens na vida real, o que está em jogo é condicionamento neural, não revelação de uma identidade escondida.

Mais comum do que você imagina. Pesquisas com populações não clínicas mostram que fantasias consideradas “atípicas” aparecem com frequência muito maior do que se assume publicamente. O que frequentemente acontece é a escalada: o conteúdo convencional deixa de gerar a mesma intensidade de excitação por habituação, e o cérebro passa a buscar estímulos mais novos e mais intensos — o conteúdo trans, carregado de tabu, entra exatamente nesse papel. Então, não é necessariamente que você “queria isso desde sempre”; é que seu sistema de recompensa foi progressivamente condicionado a precisar disso.

Isso é um sinal clássico de escalada pornogrfica avançada: quando o cérebro se habituou a tanto estímulo que praticamente qualquer conteúdo novo ainda consegue ativar o sistema de recompensa. Não significa que você não tem orientação definida — significa que seu crebro foi exposto a estimulação tão variada e intensa que criou respostas condicionadas a múltiplos tipos de conteúdo. A orientação sexual não é determinada pelo que te excita numa tela, mas pelo padrão consistente de atração afetiva e erética que você sente por pessoas reais ao longo do tempo.

Essa angústia tem nome clínico: é a assinatura de um conteúdo ego-distônico — algo que o seu próprio sistema interno rejeita como “isso não sou eu”. O sofrimento que você sente não indica que sua orientação mudou; indica que existe uma dissonância real entre o que você consome e quem você acredita ser. Importante: a vergonha, paradoxalmente, alimenta o ciclo — quanto mais você sente, mais busca a pornografia para aliviar o desconforto, e mais vergonha sente depois. Esse ciclo tem tratamento com base em evidências, e você não precisa resolver isso sozinho.

Não necessariamente — pelo menos não no início. A primeira consulta com um terapeuta sexual especializado é confidencial, sem julgamento, e focada em entender a sua história (APA, 2022). O que é compartilhado com a parceira, quando e como, é uma decisão construída ao longo do processo teraputico, respeitando o seu ritmo. Dito isso, a literatura mostra que, nos casos em que o uso de pornografia está impactando a intimidade do casal, a terapia de casal posterior tende a ser um componente importante da recuperação — mas esse passo acontece quando você estiver pronto, e com suporte clínico adequado (Minarcik et al., 2016).

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Sou Fábio Caló, psicólogo clínico e Mestre pela UnB com 27 anos de prática baseada em evidências. Especialista em intervenções de alta complexidade para crises conjugais (Método Gottman) e tratamento do consumo problemático de pornografia, através de protocolo clínico próprio. Ajudo pacientes e casais a superarem padrões destrutivos com estratégias científicas e resultados mensuráveis.

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