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Quarentena: quais são os efeitos para vida conjugal e sexual

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A quarentena é uma medida que agora está fazendo parte da vida de muitos brasileiros, e se adaptar a essa nova rotina não está sendo fácil, certo? Desse modo, as pessoas têm que se organizar da melhor maneira possível.

É comum que durante esse período as pessoas se sintam mais:

  • ansiosas;
  • depressivas;
  • tristes;
  • estressadas;
  • tensas e
  • preocupadas.

Há, ainda, outros impactos da quarentena sobre a vida das pessoas. E, com ênfase nesse artigo, abordaremos os impactos sobre a vida conjugal e sexual.

Ainda, a quarentena não é fácil de lidar e você não deve se julgar por não estar se sentindo confortável durante esse período. Isso não é sinônimo de fragilidade emocional; em algum ponto todos estão afetados por todas as mudanças que estão acontecendo.

Portanto, nesse artigo serão abordados os tópicos:

  • O que é quarentena? 
  • Qual a diferença entre quarentena, afastamento social e isolamento?
  • Quarentena e a saúde mental;
  • Quarentena, casamento/conjugalidade e vida sexual;
  • O que é terapia online?
  • Motivos para fazer terapia online e
  • Dicas de como lidar com a quarentena

O que é a quarentena?

De forma simplificada, a quarentena é um método para pessoas que foram expostas a um doença infecciosa e, mesmo sem sintomas, podem estar infectadas. Em razão disso, a pessoa fica em casa ou confinado em outro local para evitar a propagação da doença.

Vale salientar que as pessoas em quarentena, mesmo não estando doentes, devem ficar em casa. Desse modo, a pessoa continua tomando os cuidados para evitar o contágio e evita ser um agente transmissor.

O novo coronavírus (COVID-19) está se espalhando rapidamente e fazendo com que os países tomem alguma medidas de contenção.

A quarentena foi um medida adotada em diversos locais do mundo e muitas pessoas ficaram preocupadas, assustadas e nervosas. 

Afinal, de acordo com os estudos, esse vírus pode ser assintomático ou ter sintomas leves em um número grande de casos, o que faz com que uma pessoa possa estar contaminada e não saber.

Os especialistas da saúde recomendam que a quarentena dure em torno de 14 dias. Assim, esse seria o tempo suficiente para saber se a pessoa ficará doente ou irá contagiar os outros.

A quarentena está sendo, principalmente, recomendada para pessoas que retornaram recentemente de viagens internacionais, se o indivíduo teve contato com uma pessoa contaminada ou se faz parte de algum grupo de risco. 

Há algumas ações que a pessoa deve tomar no período de quarentena, que são:

  • lavar as mão com frequência;
  • não compartilhar objetos de uso pessoal;
  • não receber visitas;
  • ficar em casa e
  • evitar abraçar, beijar ou ficar muito próximo das pessoas de sua casa.

Por fim, quando o período de quarentena acabar, a pessoa deve voltar às atividades cotidianas, seguindo todas as orientações das autoridades.

terapia online e quarentena

Qual a diferença entre quarentena, isolamento e afastamento social?

Quarentena, isolamento ou afastamento social? Qual a diferença entre os três? O que é indicado para cada tipo de situação? 

Quarentena

Como citado anteriormente, a quarentena é um período em que a pessoa evita sair de casa e ter contato com outras pessoas, mesmo que não apresente os sintomas de uma doença. É um tipo de medida preventiva para conter a propagação de uma doença.

No caso do coronavírus a recomendação de duração da quarentena é de 14 dias. Porém, vale lembrar que, mesmo na quarentena, as formas de prevenção e higiene devem ser mantidas. Por exemplo, é necessário lavar sempre as mãos e não compartilhar objetos, como as toalhas e os talheres.

Isolamento

O isolamento é uma medida para separar pessoas contaminadas de pessoas saudáveis. Nesses casos, o isolamento pode ocorrer em casa, em um hospital ou em um centro de atendimento. Para ter contato com o isolado é preciso usar equipamentos de proteção e, assim, poder cuidar do paciente e não espalhar a doença.

No caso da COVID-19, os casos confirmados devem ficar isolados até obterem a melhora do caso e um resultado do teste em negativo, que mostra que a pessoa foi curada.

Assim sendo, segundo o Índice de Isolamento Social, criado pela empresa InLoco para mapear o percentual da população brasileira que está em isolamento, Distrito Federal e Goiás são as unidades da federação com maior percentual, englobando 57,8% da população, Isso, considerando o momento da produção desse artigo.

O isolamento é uma forma de assistência médica para manter as pessoas infectadas com uma doença contagiosa afastadas de pessoas saudáveis. 

Afastamento/distanciamento social

No caso do afastamento ou distanciamento social ocorre uma série de medidas para se evitar aglomerações. Desse modo, alguns eventos esportivos, shows e festivais, reuniões e, até mesmo, celebrações religiosas são canceladas.

O cancelamento pode ajudar a conter ou retardar a propagação de uma doença. O que permite que os sistemas de saúde não fiquem lotados e possam cuidar dos pacientes de forma eficaz.

O objetivo do distanciamento social é aumentar a distância física entre as pessoas, porque quanto mais cheio está um local mais fácil é de se transmitir uma doença contagiosa. 

No caso do coronavírus, é recomendado manter pelo menos um metro de distância de outras pessoas para evitar pegar a doença.

Assim, os principais exemplos de afastamento ou distanciamento social são:

  • realizar home office;
  • fechar escolas, boates e bares;
  • evitar sair de casa sem necessidade;
  • cancelar ou adiar eventos como congressos, reuniões e eventos e
  • não lotar ambientes, como supermercado e farmácias.
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Quarentena e saúde mental

A quarentena pode ser um momento difícil de se manter a saúde mental. É comum que pensamentos negativos e ansiosos tomem conta do pensamento das pessoas.

No entanto, em momentos de crise, é importante manter sua saúde mental em ordem, porque ela pode afetar, também, a sua saúde física. 

A quarentena não precisa ser um momento de desespero e medo, mas sim de cautela e atenção. 

Assim sendo, procure manter a calma e não se desesperar. É necessário não focar toda sua atenção aos problemas que estão acontecendo.

Por fim, se você sentir que não está conseguindo lidar bem com essa situação sozinho, procure assistência psicológica. Mesmo que  não possa  sair de casa, a terapia online pode te ajudar nesse período. 

Não tenha receio! Faça uma sessão e veja os resultados positivos.

Há algumas doenças mentais que podem ser mais comuns de aparecerem nesse momento:

  • depressão e
  • transtornos de ansiedade.

Caso sinta alguns desses sintomas abaixo, busque o tratamento adequado:

  • angústia;
  • alterações de humor;
  • preocupação excessiva;
  • sentimento de tristeza, vazio e desesperança;
  • inquietação;
  • fadiga, sudorese, tontura e enjoos;
  • atraso de pensamento e dificuldade de concentração;
  • problemas de sono e
  • pensamentos suicidas.

Por fim, caso você já faça acompanhamento psicológico, converse com seu terapeuta para ver se ele pode se adequar à terapia online.

Quarentena, casamento/ conjugalidade e vida sexual

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A maioria das pessoas confinadas por causa da pandemia do novo coronavírus, provavelmente estão passando por grandes mudanças em sua rotina habitual.

Assim sendo, não é surpreendente que para muitas pessoas essas mudanças também possam estar afetando seu casamento e sua vida sexual.

Como exemplo, uma pesquisa realizada pela NBC News com mais de 9.000 americanos apontou que 47% dos participantes relatou impacto negativo da pandemia sobre a sexualidade.

Para certas pessoas, menos sexo durante a pandemia é um dado real: alguns indivíduos, mesmo que isolados junto com seus parceiros(as), estão tendo menos desejo sexual. 

Mas, qual o motivo para os cônjuges que residem juntos terem menos sexo durante esse período? Uma das explicações seria o fato de que estão mais disponíveis um ao outro e, caso já estejam juntos ao mesmo tempo, falta o elemento de novidade, que costuma apetecer sexualmente.

Outro ponto que merece atenção é o convívio confinado que traz atenção para os aspectos negativos da relação.

Um casal, por exemplo, que faça uma divisão desigual ou pouco equilibrada de tarefas domésticas terá mais situações sobre as quais discutirem. E, claro, para quem assume mais trabalho doméstico, haverá maior cansaço e/ou maior raiva ou chateado com quem assumiu menos trabalho. 

Ficarem juntos dentro de casa trouxe um grande desafio a mais: a convivência forçada.

Dessa maneira, cônjuges que passavam boa parte do tempo distantes, por causa do trabalho, e que tinham novidades a contar no final do dia, agora se veem obrigados a ficarem próximos quase 24 horas por dia.

E, claro, não são 24 horas de trocas de gentilezas, de auxílio mútuo, cooperação, bom humor e romance. Tem serviço doméstico, filhos para dar atenção, pressão da queda de remuneração, conciliação de home-office de um, de outro e do homeschooling dos filhos.

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E como fica essa relação conjugal?

Numa entrevista recente, a Dra. Carmita Abdo, psiquiatra e sexóloga do HC da USP, disse que esse momento de quarentena será um divisor de águas, que aqueles casais que já estavam mal resolvidos terão uma complicação real da relação.

Assim, aqueles casais que estavam bem vão aproveitar para fazer coisas juntos, desfrutando da oportunidade. 

Ainda, há aqueles parceiros que se isolam sozinhos, o que torna o hábito de fazer sexo menor, ou mesmo aqueles cujos parceiros estão ausentes ou doentes pelo vírus.

Enquanto isso, as pessoas com a opção de fazer mais sexo, podem fazer com que o preservativo se torne o próximo item a ser escasso no mundo ou, como alguns especulam, farão com que as maternidades tenham um aumento significativo de novos bebês após o fim dos bloqueios. Vale lembrar que o uso do preservativo não impede a infecção pela COVID-19. Beijos, contato com pele, com saliva, presentes nas relações sexuais, são suficientes para contaminar um indivíduo.  

O objetivo dessa medida restritiva é reduzir a propagação do vírus, não permitindo que ele seja transmitido, e sacrificar o contato físico para o bem global significa que as interações com pessoas com as quais você não compartilha uma casa, agora existem somente de forma online.

Também devemos nos afastar das pessoas com quem estávamos fazendo sexo ou com quem queremos fazer sexo, a menos que essas pessoas morem com você. 

E, todas as pessoas que estavam interessadas em fazer sexo conosco, também não podem seguir com esses objetivos por enquanto.

Dessa forma, com a quarentena, é necessário saber respeitar as vontades do outro, colocar-se empaticamente e procurar conversar sobre as suas necessidades.

Estar confinado com seu parceiro(a) pode ser uma ótima oportunidade para rever a divisão de tarefas com as responsabilidades, apimentar a relação e manter ativa a vida afetiva e sexual.

O que é terapia online e como ela pode te ajudar?

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A terapia online recebe diferentes nomes como: terapia eletrônica, aconselhamento eletrônico, teleterapia, E-terapia e aconselhamento cibernético. E, nos últimos anos, cada vez mais pessoas estão recorrendo à Internet para realizar atendimentos que, antigamente, eram realizados em consultórios presenciais.

A psicoterapia via Internet ganhou popularidade nos últimos anos por meio dos avanços tecnológicos e a popularidade dos smartphones e dos tablets. Todavia, o seu surgimento se deu com Sigmund Freud, que utilizava a técnica para ter um maior contato com os seus pacientes.

Em geral, a terapia virtual usa como base de tratamento o diálogo. Desse modo, o terapeuta trabalha o que está incomodando em você, os seus sentimentos e as formas de lidar com isso.

A E-terapia tem diversos benefícios e pode ser ideal para pessoas que não têm opção de tratamento psicológico no local em que vivem ou não têm tempo na agenda para se deslocar até um consultório.

Além disso, a terapia online em outras vantagens, como preços mais baratos e mais opções de terapeutas para escolher o que mais se encaixa com o seu perfil.

A terapia cibernética funciona através de sites, plataformas e aplicativos que oferecem o serviço. Assim, normalmente, são empresas especializada em serviços onlines ou clínicas de Psicologia, que oferecem essa opção de tratamento.

Por fim, as sessões são feitas por meio de diferentes recursos, como:

  • videochamadas;
  • videoconferências ou
  • comunicação por meio de textos, como email.

É necessário procurar e testar o que mais se encaixa com o seu perfil. Não tenha medo e não caia nos mitos sobre a terapia online.

Motivos para fazer terapia online

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1.  Oferece mais horários de atendimento

A terapia online tem uma gama de opção de serviços e de profissionais. Em virtude disso, há, também, maiores opções de horários.

Dessa forma, se você é uma pessoa muito atarefada ou não consegue achar um serviço de terapia presencial que se encaixe nos seus horários livres, está na hora de tentar a terapia online.

No atendimento virtual, será possível encontrar mais horários disponíveis e mais opções de profissionais. 

2.  Envolve maior comodidade

A terapia eletrônica pode ser bem conveniente e cômoda, porque o paciente pode fazer as sessões em qualquer lugar e, até mesmo, no conforto de sua casa. Além disso, a pessoa pode agendar o horário de sua sessão de terapia no horário que achar melhor.

Por fim, há diversas empresas e profissionais que aceitam, também, planos de saúde, o que torna a terapia online uma opção viável, assim como a terapia presencial.

3. Apresenta segurança na troca de informações 

Para ser aprovado pelo Conselho Federal de Psicologia, as sessões de terapia online devem respeitar o código de ética e a lei. O que garante o sigilo, até mesmo, nas sessões virtuais.

Dessa forma, a maioria dos portais e clínicas, que oferecem serviços online, contam com medidas para garantir esse sigilo. Logo, os atendimentos virtuais garantem que o conteúdo das sessões não será revelado para terceiros e é um modelo de terapia seguro.

4. Ótima opção para pessoas com dificuldades de locomoção e acessibilidade

A terapia online é ideal para pessoas que têm dificuldade de locomoção ou apresentam algum tipo de deficiência que prejudique sua acessibilidade. A pessoa não precisa se deslocar para receber o tratamento, o que pode ser bem mais prático no dia a dia dessa pessoa.

Ademais, a terapia online oferece serviços para pessoas que não têm terapia presencial nos locais em que vivem. Por exemplo, pessoas que moram em cidades pequenas ou lugares remotos, podem ter dificuldade de encontrar um serviço de psicoterapia.

Portanto, a terapia virtual é uma ótima opção para essas pessoas. 

Dicas de como lidar com a quarentena

Inclua, na sua rotina diária, o cuidar de si mesmo

Durante a quarentena, é comum que a pessoa se esqueça de cuidar de si mesma e apenas foque a atenção nos problemas que estão acontecendo. O que pode deixar uma pessoa muito estressada e ansiosa.

Nessas horas, a primeira coisa a se fazer é mudar sua rotina. Primeiramente, adapte suas tarefas, trabalhos e estudo para se fazer em casa. Por exemplo, separe um cantinho de estudo ou de home office.

Em seguida, não foque apenas nas suas obrigações diárias, como tarefas domésticas e trabalhos. É necessário tirar um tempo para cuidar de si mesmo. 

Desse modo, algumas coisas que você pode fazer para cuidar de si mesmo são:

  • tirar um dia para cuidar do seu corpo físico, como fazer meditação ou um spa day;
  • ler livros ou ver séries novas;
  • aprender novos hobbies, como cozinhar e pintar e
  • fazer cursos online e descobrir novas habilidades.

Limite o tempo de acesso às informações sobre a pandemia e busque apenas fontes oficiais.

Em épocas de crise, é comum que uma gama de informações caia em suas mãos e você comece a se questionar o que é verdade ou não.

As fake news apenas deixam as pessoas mais preocupadas e ansiosas, porque, em geral, são informações adulteradas e sem embasamento científico que querem apenas ter visualizações. 

Em razão disso, busque informações do jornalismo profissional e confie em sites de jornalismo tradicional ou portais de órgãos, como o do Ministério da Saúde. Ainda, não propague uma informação sem saber se é verídica.

Além disso, não é bom fica 24 horas ligado nas notícias. Logo, tire um tempo para respirar e focar sua atenção em outros assuntos.

Pratique exercícios físicos em casa

Mesmo estando em casa, é possível realizar algumas atividades físicas. Portanto, tire um tempinho do seu dia para movimentar o seu corpo. 

Por isso, se não tiver equipamentos, procure exercícios de alongamento e que são feitos apenas com o corpo.

Ademais, seja criativo e use o que você tem em casa para poder se exercitar. Por exemplo, se você mora em apartamento, pode subir e descer as escadas para dar uma esticada. Há aplicativos e canais no Youtube, além de perfis do Instagram com programas de exercícios em casa.

O exercício físico é essencial para se manter a mente saudável, porque libera endorfina e serotonina, que são substâncias ligadas ao humor e a felicidade.

Relaxe e respire! Tudo vai ficar bem

Conclusão: como já sabemos, não é saudável ficar 24 horas pensando em um assunto. Ainda mais, quando o assunto está ligado à uma situação ruim, como uma pandemia.

Sendo assim, tendo em vista o novo cenário de quarentena, todos nós já estamos cientes de que devemos tomar todas as precauções para cuidar tanto da saúde mental, quanto da saúde física.

Por isso, tire uma hora do seu dia para relaxar. Nessas horas, você pode apenas trabalhar a sua respiração ou colocar seu foco em qualquer outra coisa que te faça bem.

A meditação pode ser ideal neste momento. Além disso, procure coisas que te façam ficar calmo e relaxado, como assistir um filme ou ler novamente seu livro favorito. 

Inpa – Instituto de Psicologia Aplicada, Asa Sul, Brasília – DF, Brasil.

Fábio Augusto Caló

@fabiocalo - Psicólogo pelo UniCEUB e mestre em Análise do Comportamento pela UnB. Atua desde 1998 como clínico, atendendo adultos e casais. Há duas décadas, tem realizado atendimentos, principalmente, na área da conjugalidade, da sexualidade e dos transtornos de ansiedade. Tem se interessado e pesquisado sobre assuntos atuais como "dependência de internet", "vício em pornografia", "traição online", dentre outros. É palestrante e instrutor de cursos de desenvolvimento pessoal e cursos dirigidos a profissionais da saúde.

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